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terça-feira, abril 08, 2014

a Natureza


“Os sábios pensam que são capazes de compreender a Natureza. É a posição que assumem. Porque estão convencidos de que podem compreender a Natureza, confiamos-lhes o seu estudo e a sua exploração. Contudo, penso que a compreensão da Natureza ultrapassa o alcance da inteligência humana.”

“Rejeito a imagem vazia da Natureza como imagem criada pela inteligência humana e distingo‑a claramente da própria Natureza que é experienciada pela inteligência não-discriminatória.” (…)

“A Ocidente, as ciências naturais desenvolveram-se a partir do conhecimento discriminatório; no Oriente, a filosofia do yin e do yang, do I Ching, desenvolveu-se a partir da mesma origem. Mas a verdade científica jamais poderá atingir uma verdade absoluta, e as filosofias, afinal, não passam de interpretações do mundo. A Natureza tal como ela é apreendida pelo conhecimento científico, é uma Natureza que foi destruída; é um fantasma possuindo um esqueleto mas sem alma. A Natureza tal como ela é apreendida pelo conhecimento filosófico, é uma teoria nascida da especulação humana, um fantasma com uma alma mas sem estrutura.
Não há outro meio para atingir o conhecimento não-discriminatório senão a intuição directa, mas as pessoas tentam ajustá-la a uma construção familiar chamando-lhe “instinto”. É na realidade um conhecimento de origem indizível. Para conhecer a verdadeira aparência da Natureza, devemos abandonar o espírito de discriminação e ultrapassar o mundo da relatividade. Para começar, não há Ocidente nem Oriente, nem quatro estações, nem yin nem yang. (…) Quando o indivíduo é capaz de entrar num mundo em que os dois aspectos de yin e de yang regressam à sua unidade original, a missão destes símbolos está terminada.”

“Quanto aos sábios, apesar da importância da sua inquirição sobre a Natureza e da profundeza da sua pesquisa, acabam finalmente por se limitar a constatar até que ponto a Natureza é realmente perfeita e misteriosa. Acreditar que através da pesquisa e da invenção a humanidade pode criar algo melhor do que a Natureza é uma ilusão. Penso que a única razão porque as pessoas lutam é para chegar a compreender aquilo a que se poderia chamar a grande incompreensibilidade da Natureza.”

in "A Revolução de uma palha", Masanobu Fukuoka

segunda-feira, setembro 30, 2013

Ganhou a força em que (não) votei.


A Constituição diz, no seu Artigo 2.º, que “A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.”

Somos uma democracia indireta, isto é, “um regime político em que o povo delega o exercício do poder soberano nos seus representantes eleitos por sufrágio ou votação”. 
(Dicionário da Língua Portuguesa Comtemporânea da Academia de Ciências de Lisboa)

Aprofundamento da democracia participativa?
Ora então vejamos: entre 2005 e 2011, a abstenção situou-se em cerca de 39 a 41% (aumentou, pouquinho mas aumentou). Nestas eleições, foi superior a 47%. Se somarmos a esta percentagem os brancos e os nulos, temos a módica quantia de 54%.

Soberania popular?
Pois, é verdade, a maioria absoluta está com os não votantes em força política nenhuma.

Afinal de contas, por linhas tortas, acabou de se cumprir o ponto 1 do Artigo 10.º da nossa Constituição “O povo exerce o poder político através do sufrágio universal, igual, directo, secreto e periódico, do referendo e das demais formas previstas na Constituição.”
… Ganhou “o povo”…

E isto vale de alguma coisa?
Não, a Constituição não prevê a reavaliação do sistema quando a maioria diz, por meio do instrumento que é considerado o mais representativo de uma democracia indireta, que não acredita no sistema.

Como nota final, refiro que a Constituição também diz, no seu  Artigo 22.º, que “O Estado e as demais entidades públicas são civilmente responsáveis, em forma solidária com os titulares dos seus órgãos, funcionários ou agentes, por acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício, de que resulte violação dos direitos, liberdades e garantias ou prejuízo para outrem”.

Hmmm… Responsabilidade? Quem tem arcado com ela estas últimas décadas?


Pela primeira vez na minha vida, não votei por opção. Não em branco, não nulo, simplesmente não votei no sistema. Coloquei-me deliberadamente à parte. Porque já não acredito nele.

Mas ainda não se trata das legislativas. Lá chegaremos, a seu tempo. Giro, giro, era apresentarmo-nos todos à Presidência da República no dia seguinte ao ato eleitoral, caso os resultados fossem a “nosso favor” outra vez.
"A ver vamos, como diz o ceguinho".

segunda-feira, setembro 16, 2013

Minimalismo e simplicidade

Imagem daqui.

Aprendi o significado do minimalismo com a minha irmã. Numa idade em que nenhuma de nós sabia que isso existia e em que eu, por ser a mais velha, achava que lhe ensinava coisas a ela.

Mais tarde fui contactando com esta temática por via de alguma música que me agradou.
Encontrei também algo de minimalismo na meditação.

Mas teimava (e ainda teimo, por força do hábito) em seguir a “via do complicómetro”: tendo (ou querendo…) mais “coisas” do que realmente preciso, aceitando mais compromissos do que aqueles que posso cumprir sem grande stress, estabelecendo metas mais exigentes do que as que realmente me deixam satisfeita… Em suma, acumulando “tralha” material, mental e espiritual, que me leva àquela sensação de vazio inexplicável, e com a angustiante tendência de deixar quase sempre para amanhã o que poderia fazer hoje. Como se as coisas se resolvessem por elas próprias e o mundo, amanhã, estivesse mais límpido. Sem esforço da minha parte. Mas novo dia chegava e, invariavelmente, a coisa recomeçava…

Até que… (espera, que ela encontrou a solução milagrosa e vai-nos fazer uma revelação bombástica de como a sua vida mudou radicalmente e blá blá blá).

Não. Não é de todo assim.
Como disse no início, aprendi o significado do minimalismo era miúda. Mas não “ouvi” o que a minha voz interior me queria dizer e deixei que (maus) hábitos se instalassem.
Pelo que passei uma fase de reaprendizagem e continuo a aprender, todos os dias.

Para mim, o minimalismo não pode ser dissociado da simplicidade. Acho que são duas das ferramentas fundamentais para (vi)ver o mundo que me rodeia de um modo pleno.
Estas ferramentas, combinadas com outras (como numa receita gastronómica que vai variando com o gosto de cada um), permitem-nos ter mais espaço (físico, mental e intelectual) para as coisas que realmente interessam.

Verdade, hoje em dia já organizei muita “tralha” material, mental e espiritual. Desde abdicar de roupa e outros objetos que só ocupam espaço, a simplificar a minha agenda, passando por selecionar os hobbies e estabelecer prioridades para as minhas rotinas diárias, sinto que já dei alguns passos no caminho certo. Já me sinto mais em paz comigo própria, mais familiarizada com o meu silêncio interior. 
Mas a guerra continua. Com batalhas diárias, nem sempre bem sucedidas.

Porque o mundo que nos envolve, hoje em dia, cria-nos dificuldades a todos os níveis (que parecem impossibilidades, mas se as analisarmos bem de perto e com calma, chegamos, mais tarde ou mais cedo, à conclusão que não é bem assim).

(Recentemente, dei-me conta que existe todo um movimento baseado no minimalismo que se poderá intitular de filosofia ou modo de vida. Livros, blogues, páginas na internet, grupos no facebook… São bons para alertar e nos dar algumas ideias da experiência de outras pessoas, do que se vai pensando por aí, mas não há regras para isto e ninguém melhor que nós próprios para pôr pés ao caminho e encontrar a direção que mais nos convém).

Independentemente de estar “na moda”, e atendendo a que considero esta expressão algo pejorativa, sei que tenho ainda muito que aprender com o minimalismo e com a simplicidade.


E com a minha irmã J.

segunda-feira, agosto 19, 2013

Comunicação assertiva.

Um dos meus horizontes é a assertividade.

Quando não se impõe, por fatores externos ou interiores, o silêncio (que também pode ser um sinal de assertividade), acho que devemos expressar a nossa opinião, sem com isso nos impormos nem, obviamente, ofender ninguém intencionalmente.

Esta expressão é tanto um direito como um dever de cada um de nós, enquanto cidadãos do mundo. E um dever acima de tudo porque, a expressão de opiniões, quando feita de uma forma consciente, fundamentada e assertiva, contribui quer para uma discussão saudável, quer para possíveis reflexões individuais. Coisas que, infelizmente, escasseiam nestes nossos dias de hoje...

Esta minha reflexão foi despoletada por um artigo escrito por Trina (“Why I Quit My Yoga Class”) partilhado na página do facebook do blogue da Rita (“The Busy Woman and the Stripy Cat”). Pelo artigo em si e pelos comentários que despoletou.

Considero-me  uma praticante “superficial” de yoga, com alguns conhecimentos (muito básicos); sou proveniente de uma família cristã, mas “auto-classifico-me” como agnóstica; não me identifico com as apreensões específicas do artigo da Trina.  Mas li o artigo até ao fim. E a minha brevíssima conclusão é que se trata de uma opinião individual, resultante de uma reflexão interior, de alguém que teve a coragem de a expressar e a virtude de o fazer de um modo que considero assertivo. 
E confesso que a questão que ela coloca no fim abriu em mim um espaço para a minha própria reflexão interior.

Posto isto, fiquei num misto de tristeza e alegria: triste pela agressividade expressa em alguns dos comentários, e contente pela constatação de existirem pessoas como a Rita que, apesar das divergências de pensamento e de crenças, têm a capacidade de dialogar sem atropelos. E de manter a vontade de aprender com quem discordam.


Para seres pensadores com vontade de aprender, a comunicação só se faz quando há alguém disposto a expressar a sua mensagem e alguém disposto a receber essa mensagem. 
Independentemente da análise de conteúdo e das conclusões que tira para si próprio.

sábado, novembro 03, 2012

O exemplo da Islândia...



A Islândia é um país que, com uma área total um pouco superior à de Portugal (cerca de 100.000 km2, números redondos), tem menos de 320 mil habitantes (cerca de 3% da população portuguesa). E é uma ilha.

Este é um vídeo que retrata o que por lá aconteceu desde 2008, e que vi recentemente a circular no facebook:

É certo que a recente história da Islândia tem aparecido em círculos muito restritos (assisti, no início deste ano, a dois documentários muito interessantes sobre este tema, de uma série de quatro escolhidos pela Apordoc – contavam-se pelos dedos das mãos quantas pessoas assistiram a estas sessões na sala do Nimas, em Lisboa…)

Mas até que ponto é que, mesmo que aparecesse nos círculos ditos “normais”, serviria de exemplo para alastrar a outros países? Até que ponto é que Portugal pode (quer) seguir este exemplo? Ou o resto da Europa?
Não que eu não gostasse de ver este assunto debatido a sério. Principalmente nas ruas, em tertúlias de pessoas interessadas em mudar as coisas de facto e não apenas nos canais de informação e debate que, por vezes, se tornam elitistas (seja por culpa dos que estão do lado de lá dos media, seja por desinteresse generalizado dos que estão do lado de cá… mas também não é meu intuito entrar no campo das razões para que isto aconteça).

Voltando ao assunto, e voltando ao que vi nos documentários sobre a vida quotidiana do povo islandês entre 2008 e 2011, recordo-me particularmente dos problemas sociais e económicos retratados em “The Future of Hope”, cujo desenrolar de acontecimentos se focaliza nas ações que desabrocharam fruto da resiliência de indivíduos e da comunidade em si. Muito inspirador. Tal como o vídeo que se apresento no início do artigo.
Citando o meu amigo Skopos: “Em The Future of Hope, vemos e ouvimos os testemunhos de diversos islandeses comuns: um empresário arruinado, um professor universitário,  um agricultor biológico, pessoas reformadas, jovens. Ouvimo-los em plena crise. E falam dela com um sorriso, com ideias e com vontade de mudar. Metanoia, já diziam os gregos: mudança de mentalidade. Limpar a casa, deitar fora o que não interessa. E participar ativamente no percurso da sociedade.”

Aqui fala-se de sorrisos. E são sorrisos verdadeiros, sorrisos de alma completa. Sorrisos que resultam de processos interiores muito fortes: uma mudança deste tipo é algo que é muito trabalhoso e demora a dar resultados práticos na vida das pessoas, passando, no ponto em que estamos, por processos muito dolorosos.
Este tipo de mudança não se coaduna, de modo nenhum, com a perspetiva quase obsessiva de melhorias a curto/médio prazo, muito menos com o “voltar” ao modo facilitista com que nos habituaram a viver nesta sociedade de consumo. Tal como já tinha escrito antes, existe atualmente uma muralha de indiferença apática e generalizada que se gerou com a preguiça mental induzida na sociedade do crescimento que, sufocantemente, reina nos dias de hoje. E uma inércia muito forte, uma resistência a mudar, quando essa mudança implica repensar todo um modo de vida, todo um status quo instalado…

O vídeo que se segue dá uma ideia de uma das questões mais prementes hoje em dia: dívida. Nem é preciso compreender todo o texto do artigo onde o encontrei: para bom entendedor, as imagens são suficientemente esclarecedoras.


Estamos preparados para passar, à nossa escala, por tudo que os Islandeses passaram e ainda estão a passar?

Eu gostava que houvesse um grupo representativo de pessoas com capacidade de agir e meios para o fazer a responder SIM a esta questão sem hesitação. Se aí estiverem, contem comigo.

A alternativa é, a meu ver, igualmente dolorosa, arrastando-se por muito mais tempo e não trazendo resultados tão consolidados.

sábado, abril 07, 2012

Renovação

Como a maioria dos portugueses, provenho de uma família com raízes católicas, logo, cristãs.
Desde cedo que não me senti integrada no “sistema” e cresci com a ideia de que o ateísmo era o que me assentava melhor (talvez pelo constante chamamento das matérias relacionadas com áreas científicas).
O meu Pai sempre me ensinou a tomar em consideração todos os ângulos de uma questão, a questionar todos os supostos dogmas e a digerir tudo o que me parecesse radicalismo com uma dose “q.b.” de bom senso.
Assim tenho tentado fazer e apercebi-me, com o avançar dos anos, que sou agnóstica.
Quando era mais nova, por uma razão ou outra, a ideia de Páscoa nunca foi muito além das amêndoas, dos ovos de chocolate e dos filmes sobre a vida e o sacrifício de Cristo. Mas, também com o avançar dos anos, e independentemente de correntes religiosas ou crenças dogmáticas, o conceito que serve de base a esta época dita festiva, que muitos consideram apenas mais um fim de semana prolongado, ganhou novos contornos.
Considero que se trata de valores universais, cuja importância não conseguia verbalizar até ouvir uma entrevista a Fernanda Freitas, a coordenadora do Ano do Voluntariado em 2011, conjugada com algumas palavras que li no periódico do concelho de Mafra – o Carrilhão – no editorial de Isabel Vaz Antunes.
A entrevista era sobre três valores principais associados à Quaresma, que Fernanda Freitas explicou de um modo que me agradou. Sucintamente, referiu-se ao jejum (associando-o à redução do consumo de bens materiais), à partilha (dos valores mais importantes para nos relacionarmos com quem nos rodeia, como o tempo, a amizade e o amor) e a oração (entendida como uma introspeção connosco próprios, com os outros e com o mundo em geral, para um balanço das nossas ações).
Já no editorial do Carrilhão, Isabel Vaz Antunes faz uma analogia muito interessante com os ritmos da natureza. Citando: “Se a Quaresma é o período da poda, em que, tal como o campo em que atua o jardineiro, nos libertamos das hastes que empecilham o nosso crescimento e amadurecimento saudáveis, a Páscoa é o dia em que se celebra o resultado dessa ação – retirados os estorvos, saltam os novos rebentos, viçosos, prontos a desenvolverem-se, a enriquecerem e embelezarem as vivências do mundo”.
E, acrescento eu, em analogia com a imagem que circulou no facebook há tempos, é um pouco o tempo de podar a palavra CRISE do empecilho do “S” e permitir que se CRIE.
Desejo muitas quaresmas e muitas páscoas a todos ao longo deste ano e do resto das nossas vidas!

domingo, agosto 14, 2011

Amor: retalhos

"(...) é no momento em que o instinto de acasalamento terminou o seu percurso que se inicia a oportunidade de amor genuíno. (...) O amor genuíno é mais voluntário do que emocional. A pessoa que ama verdadeiramente, fá-lo porque tomou a decisão de amar. Essa pessoa assumiu o compromisso de amar, quer o sentimento de amor esteja ou não presente. (...) não só é possível como necessário que uma pessoa que ama evite agir com base em sentimentos de amor. (...) O verdadeiro amor não é um sentimento pelo qual sejamos ultrapassados. É uma decisão empenhada e ponderada.
(...)
Quando nos esforçamos, quando damos mais um passo ou andamos mais um quilómetro, fazêmo-lo em oposição à inércia da preguiça ou à resistência do medo. (...) O amor, então, é uma forma de trabalho ou uma forma de coragem. (...) Se um acto não for de trabalho ou de coragem, então não é um acto de amor. Não há excepções."

M. Scott Peck in "O Caminho Menos Percorrido"

quarta-feira, junho 01, 2011

Pequenos nadas

Como subtítulo, este artigo poderia ter a frase “Dicas para ultrapassar a Crise”.

Não a crise externa, mas a crise interna. As pequenas crises individuais que se vão instalando dentro de cada um de nós, se nos deixarmos influenciar pela crise global.

São exemplos de medidas (com alguns recados para mim própria) que, acredito, se aplicadas com perseverança, ajudarão até a resolver a crise externa.


- Dê cor à sua vida. À mesa, nas saladas; nos objectos do dia-a-dia.




- Se a tristeza lhe bater à porta, não lha feche.

Deixe-a entrar. Mas não a impeça de sair.




- Valorize a família. Abrace os amigos. Procure a companhia de quem o faz sentir-se bem.

- Sorria mais. Ria melhor.






- Não se esforce por trabalhar mais horas.

Faça o seu trabalho hoje um pouco melhor que ontem.

E amanhã, esforce-se por fazer melhor que hoje.


- Economize um pouco todos os dias.

Se falhar algum, recomece no dia seguinte.







- Dê uso às suas pernas. Tire o pó à mochila que tem no armário e ponha pés ao caminho.



- Goze o sol. Mas não lamente a chuva.


- Plante: negoceie um talhão de terra, use o quintal, aproveite a varanda, ponha floreiras à janela.

Sinta a terra e as plantas todos os dias.


- Observe o mundo com os 5 sentidos. TUDO tem algo de bom. Procure com alma e com a mente aberta.


= Por muito torto que ande, encare a vida de frente =




Escolha as suas próprias medidas. Estas ou outras. Uma de cada vez, todas ao mesmo tempo. Ao seu ritmo.
Mas não filosofe, não pense demais: passe à acção.

sábado, outubro 09, 2010

Comer Orar Amar

É tudo uma questão de equilíbrio.

Equilíbrio interior, equilíbrio com os outros, equilíbrio do Universo... no fundo, por muitas voltas que se dê, vai sempre dar a, simplesmente, equilíbrio.

À saída do cinema, ouvi expressões do tipo "mais do mesmo", "tanta volta para ir dar ao mesmo sítio" ou "haja paciência". Admito que o filme tenha demasiados elementos ditos "hollywoodescos" (cores muito vivas, quase tudo certinho, "onde é que ela vai buscar o dinheiro para tudo isto?" e por aí fora...), o que causa uma impressão de lhe faltar alma.

Mas a mensagem está lá.

Para quem a quiser compreender.

Para quem tiver a capacidade interior de a compreender.

Senti-me triste por me parecer que aquelas pessoas possam estar a deixar escapar a oportunidade de se deixar tocar ou, pelo menos, de questionar o que é que a autora do livro pretende transmitir, dando o benefício da dúvida ao filme e concentrando-se na mensagem em si.

Enfim...





Só uma nota final: o aparente completar do ciclo, que levou aos comentários referidos, fez-me lembrar um outro filme que me paira na memória de há muito para cá. "Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera", do realizador sul-coreano Kim Ki-duk.


Também a narrativa é aparentemente cíclica. E digo aparentemente, porque nada é cíclico: entre uma volta e outra há evolução, o que torna as coisas tridimensionais. Logo, em vez de um círculo, temos uma espiral. E um ciclo é, na verdade, uma volta da espira.

Nada regressa ao que era.
Mas em tudo há um equilíbrio a atingir.

domingo, janeiro 03, 2010

Novo Ano


A lógica diz-me que um novo ano é apenas um agrupamento de dias, semanas e meses que se repete, em continuação do agrupamento anterior, como a água que corre num rio.

Mas dita o sentimento conjunto e generalizado que, quando se inicia um destes novos agrupamentos, se inicia também um novo ciclo na Vida. E, a algo de novo, associa-se sempre uma renovada esperança de melhoria ou, quanto mais não seja, de manutenção das coisas boas que ficaram do ciclo anterior.

Li outro dia uns votos de feliz ano novo que classificava 2009, sob a perspectiva do Zodíaco Chinês, como um típico ano da Vaca (um ano de coragem, paciência e convencionalismo) e previa dinamismo e sorte para o ano do Tigre, 2010.

Pois o meu desejo é que esta nova etapa seja não uma rotura total com o ano que passou, mas uma continuação da coragem e da paciência, com um renovado dinamismo e uma pitada de sorte, que dá sempre jeito.

Que o novo ano traga a todos motivos para não esquecer as lições do passado e continuar a ser feliz!

domingo, setembro 27, 2009

Direitos, deveres… Liberdade?

O meu Pai ensinou-me que a nossa liberdade acaba onde começa a liberdade de outrem.

Considerando uma reciprocidade matemática, o contrário também deveria ser verdade.

Mas, neste nosso mundo dito democrático, como se processam estas premissas?

Vejamos o “direito à greve”. Com a greve dos pilotos nos últimos dias da semana, várias foram as opiniões de utentes revoltados. Falo por mim: reserva na TAP para um voo para Bruxelas quando a Air Brussels também tinha um horário que se coadunava com as necessidades. Porque é um produto português e há que apostar no que é nacional. O que se ganhou com isso? Vontade de apostar no que é Europeu, da próxima vez: quem comprou bilhete na Air Brussels foi para Bruxelas (negócios, trabalho, lazer, não interessa o que lá iam fazer, mas chegaram ao seu destino); quem apostou no que era nacional, ficou 4 horas à espera do que iria ser decidido por um grupo de pessoas que, segundo ouvi dizer, nem os próprios colegas de trabalho (pessoal de bordo) avisava com alguma antecedência… A confirmação de “não descolo porque estou de greve” era efectuada ao último minuto.

A liberdade dos pilotos da TAP em fazer greve chocou de frente com a minha liberdade de poder usufruir de um serviço que se encontrava contratado… e pago. E que implicou uma série de consequências individuais que, aumentadas à escala da quantidade de pessoas implicadas, prejudicou não só a empresa alvo da greve, mas muitas outras entidades e até, em última instância, o país.

Direito? Há outras formas de luta… Acho que assim não se vai a lado nenhum…

Agora vejamos o “dever de votar”. Houve um punhado muito razoável de pessoas que lutou por aquilo que achavam certo – a instalação de um sistema democrático em Portugal. Mas… o nosso sistema democrático não se baseia no voto? 40% de abstenção numa eleição para o Parlamento?? Onde ficam os deveres de cidadão? Saímos de um regime em que decidiam por cada um de nós, e agora desresponsabilizamo-nos com esta facilidade?!

A liberdade não é só direitos: implica necessariamente a responsabilidade de cumprir deveres.

Algo está muito errado neste nosso sistema.

Não tenho sugestões de alteração, confesso, mas já é altura de mudar.

Considerando direitos e deveres.

E não utilizando a palavra “Liberdade” de uma maneira leviana.

terça-feira, junho 23, 2009

Seja feliz!

Há uns tempos, houve alguém que me transmitiu a ideia que a sua visão da felicidade era como que um conjunto de pequenos momentos em que conseguia vislumbar, por uma janela ou por um levantar de véu, um sentimento de agradável existência.

Mas aquilo não me convenceu.

Até que recebi, num daqueles reencaminhamentos em cadeia no mail, um power point com uma reflexão que me deixou agradavelmente surpreendida por ir de encontro ao que sinto ser a batalha de uma vida.

Basicamente, o que diz é que o “ser feliz” depende de cada um de nós e não de factores externos: há que decidir ser feliz como uma condição de vida e não como uma situação de circunstância.

Porque o que se passa há nossa volta muda constantemente. Não é possível controlá-lo. E não se pode ser feliz contando com a presença de pessoas, a realização de sonhos ou a concretização de desejos.

Sendo feliz, independentemente de tudo o resto, os momentos difíceis são apenas isso: momentos difíceis, mas passageiros, na vida de uma pessoa feliz por opção.

Há lá uma frase que espelha resumidamente o que entendi de todo aquele texto:

Quando alguém que eu amo morre, eu sou uma pessoa feliz num momento inevitável de tristeza”.

E termina com outra para reflectir:

serenidade para aceitar as coisas que você não pode mudar, coragem para modificar aquelas que podem ser mudadas e sabedoria para conseguir reconhecer a diferença que existe entre elas”.

Assim sendo, ser feliz não é, como me descrevia aquele amigo, uma vida com pano de fundo indefinido em que, por vezes (mais ou menos frequentemente) a felicidade deixa as suas impressões positivas (mais ou menos marcantes) e sim o contrário - uma base sólida, construída de dentro, que resiste a marcas que podem deixar a sua impressão negativa, mas que são fruto da Vida, havendo que aceitá-las como tal.

Por isso, seja feliz!

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

A solução para a crise... (?!)

Aqui há uns meses, algum tempo antes de se ouvir falar tão insistentemente em "crise", ouvi uma intervenção da Maria João Seixas num programa da Antena 2, relacionada com problemas de liderança.
Retive as suas palavras pelo facto de transmitirem uma ideia tão óbvia quanto certeira para muitas coisas na vida. Para quase tudo, aliás.

A ideia assentava no seguinte: se cada um de nós, seja a varrer ruas, ao fogão da sua casa a preparar "a janta" ou a dirigir os destinos de uma nação, der o seu melhor, individualmente, a todo o instante e incondicionalmente, não precisamos de nada nem de ninguém que nos venha "salvar" do que quer que seja.

Assim sendo, é igualmente uma base sólida, no meu entender, para a resolução da crise. Seja ela qual for. E porque não se aplica?, pergunta-se...

Pois.

domingo, outubro 19, 2008

Sou mulher


"Ninguém nasce mulher, torna-se mulher".
(Simone de Beauvoir)


Não sou feminista. Não aspiro a tal e confesso que certas atitudes de quem se diz ou se pensa feminista me causam algum incómodo.

No entanto, tenho consciência que, se não existisse o feminismo ou, pelo menos, se determinados caminhos não tivessem sido percorridos, não estaria hoje, muito provavelmente, em condições de poder afirmar, com naturalidade, que sou mulher, gosto de o ser e anseio vivê-lo em toda a sua plenitude, abraçando quer a diferença entre Homem e Mulher, quer a diferença entre mulheres.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Interrupção Voluntária da Gravidez II

Relativamente ao que escrevi em Outubro apenas altero a minha indecisão em ir votar: vou.

Quanto ao resto, e porque me sinto massacrada com tanto argumento, apenas quero deixar aqui um texto redigido por alguém que conhece os meandros da infertilidade e cuja identidade me permito manter sob o véu do anonimato.

"O Amor por um filho desejado deve ser um sentimento único. A descoberta do Amor por um filho que se teve sem se saber muito bem como nem porquê, deve ser reveladora e gratificante. E a Dor pela perda desse mesmo filho deve ser avassaladora.

E a Dor pela perda de um filho que nunca se teve, que nunca existiu? É uma dor envergonhada, que não se acha no direito de existir. Mas existe… Disfarçada por entre outros sentimentos, mantida ao longe tanto quanto possível, mas vigiada de perto, devido ao incómodo da revelação da sua existência. E presente. Como um grão de areia no sapato. Como uma nota desafinada num instrumento, que se pensa sempre que não vai ser necessária para tocar uma melodia, mas que, quando soa, incomoda.

O que é um facto é que ela está lá. E como lidar com ela? Não há maneira simples. Como em tudo na vida. É fácil tentar escondê-la debaixo de outros sentimentos ditos “mais nobres”, varrê-la para debaixo do tapete, camuflá-la com outros objectivos na vida, mas ela, de quando em vez, espreita. Espreita através do olhar de alguém que sabe o que é o Amor por um filho, através de um gesto de um desconhecido na rua para com o seu petiz, através do tom de voz de um amigo que deixa escapar uma confissão íntima acerca do “seu menino”… E estes breves momentos deixam uma amargo de boca, um nó na garganta, uma sensação de perda e de imensidão perante a nossa pequenez e impotência que é difícil transmitir a quem usufrui dessa dádiva. Até porque se trata de um sentimento envergonhado e, por tal, que se evita partilhar. Porque não há nada a fazer e a pena e o dó dos outros é muito dura de engolir. E quando deixamos que esses sentimentos de pena e dó se apoderem de nós, quando os sentimos por nós próprios, ficamos à deriva, perdemos o Norte, perdemos o rumo, perdemos a direcção. E não avançamos, porque simplesmente não sabemos para onde.


Até que surge na nossa mente o contorno daqueles outros objectivos contidos na nossa vida, que até nos dão algum alento, e, por vezes a custo, lá nos arrastamos novamente para a corrente e deixamo-nos levar…"


A Vida é, por vezes, injusta: uns a lutar por algo que não podem ter, outros a lutar por algo que não querem ter...

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Gostei...

Ricardo Araújo Pereira. Na Grande Entrevista (RTP1), hoje.
Gosto de pessoas assim: inteligentes. Revelando honestidade. E combinando estas duas com diplomacia q.b. E a "cereja no topo do bolo" (se bem que eu prefiro uma noz): naturalmente bem humoradas.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Interrupção Voluntária da Gravidez

E pronto. Lá vamos nós começar novamente com o debate. Quando me falam em referendo, a ideia que me assola mais rapidamente o espírito é a falta de coragem política. Afinal, para que é que elegemos os nossos governantes? Talvez seja por isto que a maioria das pessoas não vota hoje em dia nos referendos: “eles que decidam por nós, como lhes compete…”
Bom, mas já que se fala tanto nisso, aqui fica a minha opinião sobre a interrupção voluntária da gravidez (até a palavra aborto me incomoda…).
Não posso dizer que sou contra: aceito que existam inúmeras situações que se encontram para além de um julgamento simplista e nas quais não se vislumbre, a determinada altura, qualquer outra alternativa. Até porque não deve ser um processo fácil para a maioria das mulheres que decidem fazer uma coisa destas (digo maioria, porque também acredito que há pessoas e pessoas…).
Mas também não sou a favor, assim, a nu e a cru, sem mais consideração nenhuma… Tenho muita dificuldade em compreender a falta de informação que existe a nível de planeamento familiar, a inércia em se apostar numa educação sexual adequada (seja na escola, seja em família), enfim, nas lacunas que temos a montante deste processo.
E, por outro lado, embora não seja solução para todos os casos, há sempre a alternativa da adopção: quantas vezes não se ouve falar dos inúmeros casais que tentam, durante anos a fio, uma adopção, sem o conseguir, esbarrando com dificuldades incontáveis e por vezes incontornáveis? Neste campo, há ainda muito que as chamadas “entidades competentes” podem fazer para permitir uma intersecção maior e mais adequada entre estes dois conjuntos.

Resumindo e baralhando: ainda não sei como votar. Se votar sim, por muito que me doa, fá-lo-ei por aquelas mulheres que sofrem (muito mais do que eu certamente possa imaginar) apenas por decidirem que não têm alternativa. Se votar não, faço-o por protesto à ineficiência do sistema, que não permite a muitas dessas mulheres vislumbrarem alternativa…
Se é que vou votar… Eu sei que há quem diga que não nos podemos demitir deste tipo de dever cívico, mas sinceramente é o que me apetece. Se nos perguntassem outras coisas em paralelo, para podermos dar uma opinião, fazer críticas construtivas… Mas não. Ou "sim", ou "não"! E esta questão, definitivamente, não se resume a isso.

sexta-feira, outubro 20, 2006

"Uma verdade inconveniente"

As impressões que me ficaram do filme/documentário “Uma verdade inconveniente” não foram demasiado derrotistas. Aliás, grande parte do que foi dito não me surpreendeu. Não porque o soubesse de um modo científico, mas por somar 2+2 do que aprendi na escola e do que tenho ouvido, visto e lido nas diversas fontes de informação existentes actualmente.

Fui ver o filme com uns amigos. As opiniões divergiam entre “estamos todos lixados” e “aquilo soa-me a treta”. Concordo que o modo como foi montado e apresentado mais parecia uma campanha pró-Al Gore… Mas, convenhamos que, pelo menos para mim, o filme parece ter sido feito à medida do que eu entendo por “Norte-Americano Médio” (obviamente, EUA). Toda aquela panóplia de alarmismos e alegorismos, ilustrados através de gráficos extremamente simples e projecções de bonecos e ilustrações com carácter “naïf” e (achei eu) bastante redutor, servem, no meu entender, para levar uma mensagem de “Oh, God, what have we done?? We’re all seriously f…!!”. Senão, não funciona… Por isso, até acho que, para este tipo de público alvo, o formato e o conteúdo eram sofríveis.

Mas as impressões/considerações gerais que eu retenho do que vi resumem-se, basicamente, a:

Aspectos negativos
· A extrapolação dos dados não tinha em linha de conta, ao que tudo indica, as medidas que já se encontram, neste momento, a ser tomadas por uma grande parte do dito “mundo civilizado”.
· Não houve qualquer testemunho na 1ª pessoa por nenhum dos técnicos/cientistas que foram sendo citados ao longo do filme. Medo de represálias…? Há certamente pessoas que, tendo os seus nomes associados a movimentos que apoiem esta causa ou publicados em artigos que revelem os dados que foram expostos, estariam dispostas a colaborar numa iniciativa deste tipo, à escala global.
· A “martelada” acerca do que está desgraçadamente mal foi (estimo eu grosseiramente) cerca de 80 a 90% do tempo do filme, enquanto que a parte positiva, acerca do que se pode fazer, ocupou apenas uma pequena parte do final…

Aspectos positivos
· Foi apresentada uma lista de cidades dos EUA que já se encontram a seguir as directivas do protocolo de Quioto, não obstante o país em si não o ter ratificado. Eu, como não sabia disto, pensava que as coisas por lá estavam bem mais negras. Mas, se já há Estados a “puxar” para o lado certo, já é um começo…
· Embora escassas (como referi nos aspectos negativos), existem sugestões de como o cidadão comum pode ajudar a minimizar os efeitos do aquecimento global. O próprio filme refere que a batalha pode (e deve) ser travada pessoa a pessoa, cidade a cidade… Bom, talvez seja um pouco exagerado, mas grão a grão…

À laia de conclusão, posso dizer que, pelo menos, este filme teve a sua contribuição para pôr as pessoas a falar. Só espero que não passe de conversa!

Para quem quiser aceder ao site do filme: http://www.climatecrisis.net/