sexta-feira, dezembro 01, 2017
O Tom da Carminho
Paulinho Braga na bateria, Jaques Morelenbaum no violoncelo, Daniel Jobim no piano e Paulo Jobim na guitarra: a nata da nata na Bossa reunida numa "Banda Nova" ali, no palco, à minha frente.
Uma "banda mitológica", como lhe chamou a Marisa Monte, também em palco.
E claro, não fosse o espetáculo dela, a muito nossa Carminho.
A música de Tom Jobim sentida e trabalhada com tons lusitanos: sensibilidade, poesia, ritmo, uma pitada de alegria e muita, muita emoção.
Sem falar do talento. Com simplicidade e humildade.
Sublime.
segunda-feira, junho 02, 2014
Uma noite com Chick
Grande auditório do CCB, sábado, 31 de maio. Jazz ao seu mais alto nível.
Faço minhas as palavras da jazz.pt neste artigo (e a foto do início também é deles) e transcrevo o texto que exprime exatamente o que mais gostei dessa noite memorável:
"(...) bela leitura de “Waltz for Debbie” (Bill Evans), (...) a exploração das harmonias angulosas de “Work”, de Monk*. Surpreendeu quando juntou “Pastime Paradise” de Stevie Wonder à Mazurka em Lá menor op. 17 n.º 4 de Fryderyk Chopin, aproximando dois universos que só a presunção (e a ignorância) teimam em separar."
"(...) a elegância melódica, a gestão rigorosa de articulações e dinâmicas, a fluidez consequente na improvisação."
*NOTA: Thelonious Monk é, para mim, um universo de muito difícil acesso. Curiosamente, foi uma das músicas que mais gostei no concerto de Chick Corea...
E digo mais: Jazz ao seu mais alto nível.
quarta-feira, julho 24, 2013
Coração, coração...

quinta-feira, junho 06, 2013
Pérola de outono...
quarta-feira, dezembro 26, 2012
nāscor
nasceu novo jardim.
domingo, setembro 09, 2012
Jazz em blogue português
Com a assinatura de João Moreira dos Santos, aqui está um contributo que irei acompanhar sempre que possível:
http://jnpdi.blogspot.pt/
domingo, novembro 27, 2011
Sonoridades: Bach e o Fado
sábado, julho 30, 2011
(Boa) Energia
quinta-feira, setembro 23, 2010
Saudade do que não se conhece
Em jeito de resposta, eu acrescentei que "gosto de regressar, de quando em vez, aos lugares onde nunca fui. sinto-me lá bem. e descubro sempre algo de novo, que me faz manter a saudade de nunca lá ter estado."
A Maternidade é um desses lugares.
E o poema desta canção espelha bem o que sinto quando tenho saudades desse lugar que considero fantástico.
"Mothers have woven a black velvet ocean
And spread it between the night and day shores
So that children might sleep, gently rocked by the motion
Of waves beneath boats built by fathers like yours
With you safe aboard by the shore we will linger
And watch as your breathing it fills up the sail
You loosen the moorings, you grip on your finger
And leave on the velvet a silvery trail
Alone on the shore with our heart close to breaking
We stand in the wake as you glide from our reach
Calmed by the thought that the voyage you're taking
Will bring you at dawn back safe to this beach
We cannot sail with you, be there to guide you
Or pilot your boat through the black of the night
But no ocean can keep you, no darkness can hide you
Away from our love and its undying light"
segunda-feira, julho 12, 2010
Jazz no Feminino
Não conhecia e fui atraída para o seu espectáculo apenas com uma ponta de melodia ouvida num anúncio na rádio: seduziu-me por completo. E, ao vivo, não me deixou ficar nada mal.
Nada mal mesmo…

De gestos longos e voz lânguida, com uma presença envolvente, divertida, cativante.
A juntar à linha das minhas preferidas:
a incontornável e inigualável arte de Billie Holliday
o alegre swing de Ella Fitzgerald
a perturbante e magnética angústia na voz de Elis Regina
a sedutora maturidade de Patricia Barber
a terna inocência de Lisa Ekdhal
a doce irreverência de Silje Nergaard
a bela surpresa que foi a musicalidade de Barbara de Dominicis, dos Cabaret Noir
a leve e fresca China Forbes, dos Pink Martini
ah! e, at last but not least, a suave tranquilidade de Madeleine Peyroux
E isto sem contar com algumas das saborosas vozes brasileiras que me deleitam com interpretações de jazz/bossa-nova e com as excelentes vozes que temos por terras Lusas
Cada vez gosto mais de Jazz no Feminino
Fica aqui um cheirinho:
Para quem queira saber mais (e escutar): http://www.melodygardot.com/
segunda-feira, maio 17, 2010
A proximidade que vem de longe...
Talvez arrastada pelas raízes do mundo do Bonsai e pelo crescente interesse pelo Oriente que este me vem suscitando, assisti, nos últimos dias, a dois espectáculos na Fundação do Oriente com origem japonesa.

Kokusyoko Sumire foi o primeiro: um duo inenarrável, cuja sonoridade me deixou desconfiada a princípio, mas que acabou por me proporcionar uma noite, no mínimo, suis generis. Mas, sem dúvida, muito divertida!

quarta-feira, janeiro 20, 2010
Jazz - Pedaços de História
Um sedutor de Nova Orleães com passado de proxeneta. Pianista de enorme originalidade, afirmou falsamente ter inventado o Jazz. Mas foi o primeiro a demonstrar que esta música se podia escrever.
O filho super protegido de um casal da classe média, que transformou uma orquestra de músico extraordinários no seu instrumento pessoal, compôs quase duas mil peças de música para ela e tornou-se o maior compositor da América.
Um filho de emigrantes judeus russos dos bairros pobres de Chicago, que aprendeu clarinete para não andar com más companhias, veio ensinar um país inteiro a dançar.
A filha de uma criada de Baltimore cujo estilo inconfundível transcendeu as limitações da sua voz e transformou repetidamente música medíocre em Arte.
O filho de um funcionário dos Caminhos de Ferro de Kansas City foi para Nova Iorque para lançar uma revolução musical, liderou-a orgulhosamente durante um breve período, e destruiu-se aos 34 anos.
O filho problemático de um dentista de East St. Louis que, na busca de novos caminhos para o som, se tornou o músico mais influente da sua geração.
E há também um miúdo pobre das ruas de Nova Orleães, cujo génio ímpar ajudou a tornar o Jazz uma Arte de Solistas e que influenciou todos os cantores e instrumentistas que vieram depois dele. Aquele que, por mais de cinco décadas, fez quem o ouviu sentir que, por muito más que as coisa estejam, tudo acabará bem.
Tirado de “Jazz. A história, por Ken Burns”. Uma pérola que descobri esquecida numa prateleira.
“Jelly Roll” Morton (1885-1941), Duke Ellington (1899-1974), Benny Goodman (1909-1986), Billie Holliday (1915-1959), Charlie Parker (1920-1955), Miles Davis (1926-1991), Louis Armstrong (1901-1971). Alguns dos grandes nomes dos Homens e Mulheres que contribuíram para a História do Jazz. Únicos. Humanos. E, por isso mesmo, Grandiosos.
terça-feira, dezembro 08, 2009
Pink Martini e China Forbes

Pink Martini é o nome de um dos meus grupos de eleição e o tema para o meu artigo de hoje.
Têm uma discografia curta para os anos de existência, mas quem não se lembra do coro “Je ne veux pas travailler” (em “Sympathique”). Música muito descontraída e bem disposta, com todos os ingredientes necessários para alegrar a vida.

Num destes sábados, no “Hotel Babilónia”, um programa também ele muito bem disposto da Antena 1 (Pedro Rolo Duarte e João Gobern), soube do último CD deles: “Splendor in the grass”, tal como o filme de Elia Kazan.
Ao indagar o que é que este filme de 1961 teria em comum com a música do grupo, deparei-me com uma aparente incongruência: tal como o seu fundador refere no site oficial do grupo (http://pinkmartini.com/about), “Pink Martini draws inspiration from the romantic Hollywood musicals of the 1940s or ‘50s” mas, na descrição do filme que li no livro “1001 filmes para ver antes de morrer”, o filme é caracterizado por ser “uma película na qual as personagens se definem como indivíduos autênticos, actuando e reagindo num registo muito longe dos clichés de Hollywood”.
A incongruência é apenas aparente porque, tal como referiu João Gobern, os Pink Martini fazem “music of the world” sem ser “world music”. E sem sombra de cliché, pelo menos na minha opinião.
Consideram-se a si próprios como “musical archeologists”, inspirando-se em géneros tão variados como a música erudita (ou dita “clássica”), jazz e pop (old-fashioned pop, como referem no site).
Os Pink Martini foram fundados como uma pequena orquestra em 1994 por Thomas Lauderdale, numa senda suis generis de música para causas políticas.
O seu primeiro álbum (justamente “Sympathique”, de 1997) foi lançado independentemente com uma etiqueta própria: a Heinz Records (nome do cão de Lauderdale).
São constituídos por doze músicos e o seu reportório multilingue (quer em termos de letras, quer em termos de ritmos) engloba quer originais quer temas já existentes (e habilmente adaptados). Tiveram a sua estreia na Europa no Festival de Cinema de Cannes e já tocaram com 25 orquestras em vários países do mundo.
Para a diversidade dos seus temas contam com a diversidade dos seus membros: percussionistas com “raízes” no Brasil e no Peru, um trombonista que fala alemão e um violoncelista que fala mandarim e, como diz em em inglês, “at last but not least”, uma vocalista que estudou francês e italiano e canta em 15 línguas diferentes…

China Forbes é o nome da “senhora” que Lauderdale conheceu quando estudavam em Harvard e depois convidou para dar voz ao projecto.
E que voz… Já a conhecia, mas, no mesmo programa da Antena 1 acabei por saber também que ela tinha lançado um álbum a solo: ’78 é o seu título.
Comprei e gostei.
Um pop um pouco fora do que é meu hábito ouvir, mas a sua voz é tão bonita e as músicas tão leves que me seduziu na sua totalidade logo à primeira.
Em duas palavras, cristalinamente simples.
sábado, abril 18, 2009
Conjure One
Contactei com a música deste projecto, pela primeira vez, nas aulas de "Body Balance", uma actividade de ginásio que congrega movimentos e técnicas de Tai-Chi, de Yoga e de Pilates.
sexta-feira, março 20, 2009
Força, ritmo e ternura anciã

Fui ao CCB ver "El Arranque".
Tango, Argentina.
Um termo que não conhecia: milonga.
E os velhinhos. Sempre gostei de velhinhos, de anciães que nos inspiram confiança e que, embora já com pouca força física, a compensam com força de espírito: pois, no meio de toda aquela garra de sangue na guelra, ritmos quentes e sonoridades quase trágicas, sentia-se uma ternura imensa pelos grandes, antigos mestres e pela sua imensa sabedoria.
Sempre gostei de velhinhos.
sábado, janeiro 03, 2009
Amor e Música
Há dois CDs que me embalam o espírito e que ouço de fio a pavio vezes sem conta:
- "Cabaret Noir", dos próprios. Com um toque de fresca vivacidade;
- "Careless Love", de Madeleine Peyroux. Doce sensualidade. Dizem que é a "nova" Billie Holiday: talvez... mas sem a amargura de uma vida dura na voz.
E, embora bastante diferente dos outros dois, não posso deixar de mencionar um que já tenho há algum tempo, mas que tenho vindo a redescobrir: "Berimbau", de Paula Morelenbaum.
É um trabalho à volta de Vinicius de Moraes. Um Poeta do Amor: "A plena realização do amor era a seu ver a razão da vida." (Carlos Drummond de Andrade).
E, para celebrar a entrada do novo ano, nada como uma citação do próprio:
"E a coisa mais divina que há no mundo
é viver cada segundo como nunca mais."
(Canção "Tomara")
domingo, abril 20, 2008
sábado, novembro 03, 2007
Sonoridades
Há mais de um mês que ando no carro com dois CDs que não me canso de ouvir:
- Viviane, da própria. Agradável, solto, com um toque europeu;
- Lisboa, uma compilação (a primeira, aliás) da Lisboa Records. Intenso, pleno de emoção.
Entretanto, ontem fui assistir a um espectáculo no Pequeno Auditório (muito simpático, por sinal) do Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra - o projecto "Sal". Gostei. Vai passar a ser, certamente, mais um CD que não me vou cansar de ouvir...
E o que é que estes três elementos têm em comum?
Fazem parte de uma sonoridade para a qual venho despertando: a musicalidade vincadamente portuguesa. Com o fado sempre à espreita e aquela dualidade que nos caracteriza, de colocar a alegria e a tristeza de mãos dadas, com a inevitável pontinha de nostalgia e saudade.
domingo, outubro 21, 2007
Impressões jazzísticas IV
O cartaz dizia "65 anos, e uma carreira de mais de 40 que o posiciona como um dos músicos mais prolíficos da segunda metade do século XX".
Para ser totalmente honesta, não conhecia a sua obra.
Tinha, no entanto, muito boas referências acerca dela.
E confirmaram-se.
"Hmmm... Nice... Very nice..." - comentários sobre a audiência. E sobre o piano.
"Piano solo is like playing in my living room. This is a very big living room! But we'll try to keep close."
Entrou "a matar" na 1ª parte: Thelonius Monk, Bill Evans... "What else... I'll play some other things for you...". Aparentemente improvisa tanto na interpretação como na programação. (Será? Teve efeito...)
Na 2ª parte: umas "short pieces" com o espírito das crianças como tema. Composições do próprio que remontam à década de setenta. Nice, very nice - digo eu.
Encore: "I've been entertaining you for almost two hours now... I think it's time for you to entertain me. A little bit!" E assim foi: pôs-nos todos a servir de coro... Bonito efeito.
Íntimo, mas muito comunicativo, fluido e à-vontade: só não se sentiu em casa quem não quis.
E estava este homem (segundo ele próprio disse) com 36 horas de viagem em cima e apenas 1 hora de descanso antes de entrar em palco.
O que faria se estivesse em plena forma e descansadinho da vida!
Para quem quiser saber mais: http://www.chickcorea.com/
terça-feira, novembro 14, 2006
Impressões jazzísticas III

Apenas gostaria de acrescentar que é estranho comparar o que me ficou ao ouvir dos seus CDs (sem a componente visual) com o que senti após presenciar as actuações. A suavidade e a calma transmitida pelas composições e pela sua interpretação levaram-me a criar uma imagem de serenidade na presença em palco e a desejar uma comunicação incondicional por parte dela com o público. Mas não é bem assim: as “divagações corporais” e o modo de estar em palco dão a entender que ela se auto-transporta para um mundo muito dela quando toca. Nada contra. Até revela uma entrega total, aspecto que só abona a favor de um artista.
Bom: sou fã desde que descobri o álbum “Verse” (“uma pérola”, como já li em algum lado, opinião que subscrevo integralmente) e assim continuo.
Para quem quiser conhecer mais: http://www.patriciabarber.com/



