domingo, agosto 16, 2009

Alhada de Raia

Raia, Batata e Alho, esmagado de preferência.
Azeite e sal. E um pouco de água.



Só assim?...
Mas e... Talvez se...
Não. É só assim.

Simples, como as coisas boas da vida.

Bom apetite!

sexta-feira, julho 31, 2009

Um livro para ler descalço...

Um livro que me surpreendeu, pela positiva.
Para ser lido despindo-nos de conceitos pré-concebidos, de influências de moda ou de circunstância.
Pondo de lado os sapatos, mas honrando o seu valor de companheiros de viagem.
Inspirando o ar fresco da manhã com o espírito aberto a um novo dia, com tudo o que ele poderá trazer, de bom e de mau.
Serenamente.

É um livro que já está comigo vai para cerca de 2 anos.
Inicialmente, confesso, comprei-o num impulso mais de moda do que de outra coisa. Talvez num complemento da minha vertente de bonsaísta, na ânsia de conhecer um pouco mais da cultura oriental e da sua filosofia de vida, mas com a ideia de que estava a ser levada por um "sendo comum" da maioria de hoje em dia. E pensei de mim para comigo "Cá está mais um que vai ficar na prateleira...".
E também por causa do aparente objectivo principal: preparar/trabalhar/apoiar as mentes de quem se sente perdido em questões amorosas.

Mas, levada pela curiosidade, ultrapassando isto, filtrando os exemplos dados e vendo mais além, percebi que existiam nele mensagens que me foram transmitindo o que é a prática Zen no seu todo. Como se de um "manual de vida" se tratasse.

E fui lendo aos poucos. De tal modo que já o li mais de uma vez, em retalhos, insistindo num ponto ou noutro, voltando atrás e digerindo melhor o que li à luz do que vou vivendo. Tornou-se quase naquilo que alguns gostam de chamar "livro de cabeceira", revisitado vezes sem conta, principalmente em tempo de férias e de relaxamento.

Em suma, um livro para ler descalço.

terça-feira, junho 23, 2009

Seja feliz!

Há uns tempos, houve alguém que me transmitiu a ideia que a sua visão da felicidade era como que um conjunto de pequenos momentos em que conseguia vislumbar, por uma janela ou por um levantar de véu, um sentimento de agradável existência.

Mas aquilo não me convenceu.

Até que recebi, num daqueles reencaminhamentos em cadeia no mail, um power point com uma reflexão que me deixou agradavelmente surpreendida por ir de encontro ao que sinto ser a batalha de uma vida.

Basicamente, o que diz é que o “ser feliz” depende de cada um de nós e não de factores externos: há que decidir ser feliz como uma condição de vida e não como uma situação de circunstância.

Porque o que se passa há nossa volta muda constantemente. Não é possível controlá-lo. E não se pode ser feliz contando com a presença de pessoas, a realização de sonhos ou a concretização de desejos.

Sendo feliz, independentemente de tudo o resto, os momentos difíceis são apenas isso: momentos difíceis, mas passageiros, na vida de uma pessoa feliz por opção.

Há lá uma frase que espelha resumidamente o que entendi de todo aquele texto:

Quando alguém que eu amo morre, eu sou uma pessoa feliz num momento inevitável de tristeza”.

E termina com outra para reflectir:

serenidade para aceitar as coisas que você não pode mudar, coragem para modificar aquelas que podem ser mudadas e sabedoria para conseguir reconhecer a diferença que existe entre elas”.

Assim sendo, ser feliz não é, como me descrevia aquele amigo, uma vida com pano de fundo indefinido em que, por vezes (mais ou menos frequentemente) a felicidade deixa as suas impressões positivas (mais ou menos marcantes) e sim o contrário - uma base sólida, construída de dentro, que resiste a marcas que podem deixar a sua impressão negativa, mas que são fruto da Vida, havendo que aceitá-las como tal.

Por isso, seja feliz!

sábado, maio 30, 2009

Dor de Maio: um ano

Saudade é a presença constante de alguém que se ama dentro de nós, durante a sua ausência: torna a Morte em Vida interna.

sábado, abril 18, 2009

Conjure One

Contactei com a música deste projecto, pela primeira vez, nas aulas de "Body Balance", uma actividade de ginásio que congrega movimentos e técnicas de Tai-Chi, de Yoga e de Pilates.

Apelidada de "electrónica", "ambiente" ou "alternativa", o que é certo é que me cativou.
É um projecto de Rhys Fulber, que já conhecia do seu anterior projecto "Delerium".

Na biografia do site oficial pode-se ler "Music has been basically incorporated into Rhys Fulber's DNA...With hip parents, he was in the womb for a Led Zepplin concert and at age 6 they carried him along to a Kraftwerk show during their Autobahn era"

Gosto particularmente de Sleep, no álbum Conjure One (2002), e de Pilgrimage, no álbum Extraordinary Ways (2005).

Aparentemente não disponível em Portugal...

sexta-feira, março 20, 2009

Força, ritmo e ternura anciã


Fui ao CCB ver "El Arranque".

Tango, Argentina.

Um termo que não conhecia: milonga.

E os velhinhos. Sempre gostei de velhinhos, de anciães que nos inspiram confiança e que, embora já com pouca força física, a compensam com força de espírito: pois, no meio de toda aquela garra de sangue na guelra, ritmos quentes e sonoridades quase trágicas, sentia-se uma ternura imensa pelos grandes, antigos mestres e pela sua imensa sabedoria.

Sempre gostei de velhinhos.

sábado, março 14, 2009

O Leitor






O Amor que transportavam aquelas cassettes...

A Força da Palavra?
Concerteza.
Mas há coisas que não se exprimem. Sentem-se.

(Não me lembro da última vez que as lágrimas me apanharam de surpresa assim num filme. Silenciosas.)

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

A solução para a crise... (?!)

Aqui há uns meses, algum tempo antes de se ouvir falar tão insistentemente em "crise", ouvi uma intervenção da Maria João Seixas num programa da Antena 2, relacionada com problemas de liderança.
Retive as suas palavras pelo facto de transmitirem uma ideia tão óbvia quanto certeira para muitas coisas na vida. Para quase tudo, aliás.

A ideia assentava no seguinte: se cada um de nós, seja a varrer ruas, ao fogão da sua casa a preparar "a janta" ou a dirigir os destinos de uma nação, der o seu melhor, individualmente, a todo o instante e incondicionalmente, não precisamos de nada nem de ninguém que nos venha "salvar" do que quer que seja.

Assim sendo, é igualmente uma base sólida, no meu entender, para a resolução da crise. Seja ela qual for. E porque não se aplica?, pergunta-se...

Pois.

sábado, janeiro 03, 2009

Amor e Música

Ano Novo, mas sempre com Música. Boa Música...

Há dois CDs que me embalam o espírito e que ouço de fio a pavio vezes sem conta:
  • "Cabaret Noir", dos próprios. Com um toque de fresca vivacidade;
  • "Careless Love", de Madeleine Peyroux. Doce sensualidade. Dizem que é a "nova" Billie Holiday: talvez... mas sem a amargura de uma vida dura na voz.

E, embora bastante diferente dos outros dois, não posso deixar de mencionar um que já tenho há algum tempo, mas que tenho vindo a redescobrir: "Berimbau", de Paula Morelenbaum.

É um trabalho à volta de Vinicius de Moraes. Um Poeta do Amor: "A plena realização do amor era a seu ver a razão da vida." (Carlos Drummond de Andrade).

E, para celebrar a entrada do novo ano, nada como uma citação do próprio:

"E a coisa mais divina que há no mundo

é viver cada segundo como nunca mais."

(Canção "Tomara")

domingo, novembro 23, 2008

Perspectiva

Estou tão contente!
Finalmente consegui transmitir para o papel um espaço que estava a ver e onde estava integrada, sentindo-o crescer como tal à medida que o ia esboçando.

É engraçado como tudo o que nos estavam a tentar transmitir durante esta pequena formação, de repente, fez sentido. Foi muito gratificante olhar para o papel e, embora não estivesse terminado, identificar o que estava a desenhar como sendo que estava a ver...

Um dos participantes rematou a sessão com um desabafo: o estado de espírito influenciou o resultado final do seu desenho. Na sessão anterior não estava tão bem consigo próprio e as coisas correram mal... Ao que a formadora respondeu "E, afinal, não é isso a Arte? A inspiração?".

Na altura pareceu-me incompleto, mas não sabia ao certo o que faltava. Agora sei. Para mim a Arte é mais que isso: é quando a técnica, desenvolvida através de árduo trabalho, encontra a inspiração.

Mas isso é irrelevante neste preciso momento: estou contente e pronto!

domingo, outubro 19, 2008

Sou mulher


"Ninguém nasce mulher, torna-se mulher".
(Simone de Beauvoir)


Não sou feminista. Não aspiro a tal e confesso que certas atitudes de quem se diz ou se pensa feminista me causam algum incómodo.

No entanto, tenho consciência que, se não existisse o feminismo ou, pelo menos, se determinados caminhos não tivessem sido percorridos, não estaria hoje, muito provavelmente, em condições de poder afirmar, com naturalidade, que sou mulher, gosto de o ser e anseio vivê-lo em toda a sua plenitude, abraçando quer a diferença entre Homem e Mulher, quer a diferença entre mulheres.

sábado, outubro 18, 2008

Abraço

Há o abraço voluptuoso, sensual, o amplexo dos amantes.
Há o abraço carinhoso, ternurento, que transmite o calor do seio materno.
Há o abraço que consola, preenche o vazio deixado pela tristeza.
Há o abraço forte, que dissipa os medos e as inseguranças.
Há o abraço do reencontro, que afasta a saudade.
Há o abraço do cumprimento, ora casual, ora intenso.
E há o abraço do “estou aqui e gosto de ti”, que, tão simplesmente, nos deixa um sorriso na alma.

sábado, maio 31, 2008

Carta




Caríssima Amiga

Pela presença
Pela justeza
Pela humanidade
Pela compreensão
Pela frontalidade
Pela paciência
Pela perseverança
Pela disponibilidade
Por gostar de ajudar
e por ajudar a gostar
Acima de tudo, pela Amizade
Por ter existido
Na minha vida
Na vida de todos nós
Um grande, grande bem-haja
Até sempre

domingo, abril 20, 2008

Takk...



Sigur Rós.

Editado em 2005, mas estou a descobri-lo agora.

Suave e intenso. Sublime.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Veremos...

Era uma vez um rapazinho que recebeu um pónei de prenda.
"Que maravilha! - disseram as pessoas - Que sorte teve ele!"
"Veremos", respondeu o Mestre Zen.

Passado um tempo, o rapazinho caiu do pónei e partiu uma perna.
"Que pena! - disseram as pessoas - Que azar que ele teve!"
"Veremos", respondeu o Mestre Zen.

O rapazinho cresceu. Os seus amigos foram para a Guerra. Ele ficou por causa da sua perna.
"Que bom! - disseram as pessoas - Que sorte a dele!"
"Veremos..."

Houve um amigo que me questionou uma vez se eu nunca me tinha arrependido de nada, ao longo da minha vida.
Após pensar um pouco, conclui: "Não."
Se fosse hoje, ter-lhe-ia respondido contando-lhe a história do Mestre Zen.

domingo, janeiro 20, 2008

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Veludo


Porque será que há verdades sobre nós próprios que, incontornáveis, não nos são perceptíveis aos nossos próprios olhos até que nos foquem a imagem...?

Talvez a consequência mais nefasta de não respeitar a liberdade dos outros seja, no limite, o não respeitar a nossa própria liberdade.

Disseram-me algo que me fez pensar nisto. Meditar, mesmo. Digeri-lo. E incorporá-lo.
E porque o digo agora?
Não sei. Nem me apetece saber.
Mas apeteceu-me dizê-lo. Como se atirasse uma flor a um poço sem fundo. Sem eco, com um aterrar de veludo. (Quase) inaudível.

sábado, novembro 03, 2007

Sonoridades

2 CDs e 1 espectáculo...

Há mais de um mês que ando no carro com dois CDs que não me canso de ouvir:
  • Viviane, da própria. Agradável, solto, com um toque europeu;
  • Lisboa, uma compilação (a primeira, aliás) da Lisboa Records. Intenso, pleno de emoção.

Entretanto, ontem fui assistir a um espectáculo no Pequeno Auditório (muito simpático, por sinal) do Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra - o projecto "Sal". Gostei. Vai passar a ser, certamente, mais um CD que não me vou cansar de ouvir...

E o que é que estes três elementos têm em comum?

Fazem parte de uma sonoridade para a qual venho despertando: a musicalidade vincadamente portuguesa. Com o fado sempre à espreita e aquela dualidade que nos caracteriza, de colocar a alegria e a tristeza de mãos dadas, com a inevitável pontinha de nostalgia e saudade.

domingo, outubro 21, 2007

Impressões jazzísticas IV

Chick Corea. CCB, 20 de Outubro.

O cartaz dizia "65 anos, e uma carreira de mais de 40 que o posiciona como um dos músicos mais prolíficos da segunda metade do século XX".

Para ser totalmente honesta, não conhecia a sua obra.
Tinha, no entanto, muito boas referências acerca dela.
E confirmaram-se.

"Hmmm... Nice... Very nice..." - comentários sobre a audiência. E sobre o piano.
"Piano solo is like playing in my living room. This is a very big living room! But we'll try to keep close."

Entrou "a matar" na 1ª parte: Thelonius Monk, Bill Evans... "What else... I'll play some other things for you...". Aparentemente improvisa tanto na interpretação como na programação. (Será? Teve efeito...)

Na 2ª parte: umas "short pieces" com o espírito das crianças como tema. Composições do próprio que remontam à década de setenta. Nice, very nice - digo eu.

Encore: "I've been entertaining you for almost two hours now... I think it's time for you to entertain me. A little bit!" E assim foi: pôs-nos todos a servir de coro... Bonito efeito.

Íntimo, mas muito comunicativo, fluido e à-vontade: só não se sentiu em casa quem não quis.

E estava este homem (segundo ele próprio disse) com 36 horas de viagem em cima e apenas 1 hora de descanso antes de entrar em palco.
O que faria se estivesse em plena forma e descansadinho da vida!

Para quem quiser saber mais: http://www.chickcorea.com/

quinta-feira, outubro 04, 2007

Espaço interior

Ouvi outro dia um amigo dizer que estava na idade de querer fazer muitas coisas.
Não sei bem que idade é essa: talvez seja mais um estado de espírito, disponibilidade a mais ou falta dela para pensar em certos assuntos. Comigo tem sido um pouco assim – há que ocupar compulsivamente o tempo, tentando descobrir se não haverá algo que ainda não conheço, que ainda não experimentei, que me faça despertar para outra realidade, que me transporte para um mundo melhor ou, pelo menos, que me faça ver este com outros olhos.

Mas ver este com outros olhos, pergunto-me cada vez mais frequentemente, para quê?
Já vejo este mundo com os olhos que quero: os meus. Com um olhar por vezes turvo, por vezes embriagado, do ruído exterior que deixo que me afecte e do ruído que produzo interiormente, para não ouvir aquilo que julgo ser um silêncio incomodativo.

Decidi abrir as portas e as janelas ao meu próprio espaço interior, deixando-o reinar sobre a “insustentável leveza do ser”…
Um trilho que trará, certamente, muito “suor sangue e lágrimas”.
Mas que, certamente, vai valer a pena.

Como parte desta abertura interior, criei três outros blogues.

Dois em que exponho artigos relacionados com duas paixões interligadas – os jardins e os bonsai –, de modo a organizar os meus pensamentos e a partilhar com quem queira ler um pouco do que vou fazendo e conhecendo nestas temáticas.
“At last, but not least”, um outro blogue cujo objectivo é, tão somente, agradar-me a mim própria, publicando excertos e citações de livros ou canções que vou lendo e ouvindo e que, por uma ou outra razão que não está nos meus planos dissecar (sim, porque nem tudo tem de ter um porquê…), me tocaram no meu íntimo.
Se, no caminho, agradar a mais alguém, tanto melhor.