(imagem de Leunig)
sexta-feira, agosto 01, 2014
sexta-feira, julho 18, 2014
O futuro ontem
Corro o risco de ser processada por plágio, por ter dado a este artigo o nome de uma "rubrica" dentro do programa Portugalex, da Antena 1, mas foi o título que melhor encontrei para dar a mais um dos meus desabafos.
A grande diferença é que o Portugalex é para rir e o motivo que me leva a escrever este artigo deixou-me triste.
Há dias ouvi, na rádio, uma notícia que estava relacionada com a abertura da época de candidaturas ao ensino superior. A meio dessa peça há um testemunho de um jovem que parece apreensivo e que alega algo do género "ainda há um mês atrás tinha de pedir para ir à casa de banho e agora obrigam-me a escolher uma opção que me vai seguir para o resto da vida".
Também tive dúvidas e (muita) insegurança quando foi para escolher o que queria seguir na faculdade. E o que segui acabou por me permitir a entrada numa empresa onde fiquei mais de 20 anos.
Não estou a criticar este jovem em particular, nem muitos que provavelmente sentem o mesmo (embora o seu discurso desse pano para mangas).
Mas eu acabei o meu curso no início dos anos noventa... no século passado... e hoje o que faço não tem nada a ver com o que aprendi por lá.
Lembro-me também de ter ouvido uma vez um testemunho de alguém que estava a tirar uma licenciatura em astronomia, não me lembro onde. E, em resposta à eterna questão sobre o que iria fazer com o "canudo", respondeu que, em Portugal, não se pensa como em outros sítios: a formação (neste caso, a do ensino superior) não serve exclusivamente para ter um emprego, nem deve ser considerada como condição de partida para se ter um. Deve, sim, ser vista como uma janela para novos horizontes.
Se trouxer com isso algo mais, melhor.
Se não, temos de estar preparados, com outras ferramentas, para levar a nossa vida para diante.
Em jeito de conclusão, para não me alongar muito:
1 - ninguém é obrigado a tirar um curso superior: há outras alternativas
2 - pode sempre mudar de ideias a meio do caminho (ou mesmo no final), ou arranjar alternativas em paralelo
3 - o curso que se escolhe não nos ensina tudo (às vezes nem nos ensina nada do que vamos precisar depois)
4 - temos sempre a formação que nos é dada com a experiência de vida e há que tirar partido das janelas que se vão abrindo: o futuro não é uma linha reta com uma direção bem definida
E, acima de tudo, não pensar que há garantias neste mundo (especialmente nos dias de hoje): há sempre um grau de incerteza, mesmo que as estatísticas digam que aquele é provavelmente o melhor caminho a seguir para se obter o resultado que se pretende.
Talvez fosse este o teor das conversas sobre "o que quero eu da vida" se tivesse um filho em idade escolar.
Aliás, é este o teor que tento dar a qualquer conversa sobre "o que se quer da vida" com qualquer pessoa. Porque acredito que todos temos um papel na evolução dos jovens do presente, para olharem para o futuro. Com uma visão alargada, sem prisões ao passado ou a dogmas estabelecidos.
A grande diferença é que o Portugalex é para rir e o motivo que me leva a escrever este artigo deixou-me triste.
Há dias ouvi, na rádio, uma notícia que estava relacionada com a abertura da época de candidaturas ao ensino superior. A meio dessa peça há um testemunho de um jovem que parece apreensivo e que alega algo do género "ainda há um mês atrás tinha de pedir para ir à casa de banho e agora obrigam-me a escolher uma opção que me vai seguir para o resto da vida".
Também tive dúvidas e (muita) insegurança quando foi para escolher o que queria seguir na faculdade. E o que segui acabou por me permitir a entrada numa empresa onde fiquei mais de 20 anos.
Não estou a criticar este jovem em particular, nem muitos que provavelmente sentem o mesmo (embora o seu discurso desse pano para mangas).
Mas eu acabei o meu curso no início dos anos noventa... no século passado... e hoje o que faço não tem nada a ver com o que aprendi por lá.
Lembro-me também de ter ouvido uma vez um testemunho de alguém que estava a tirar uma licenciatura em astronomia, não me lembro onde. E, em resposta à eterna questão sobre o que iria fazer com o "canudo", respondeu que, em Portugal, não se pensa como em outros sítios: a formação (neste caso, a do ensino superior) não serve exclusivamente para ter um emprego, nem deve ser considerada como condição de partida para se ter um. Deve, sim, ser vista como uma janela para novos horizontes.
Se trouxer com isso algo mais, melhor.
Se não, temos de estar preparados, com outras ferramentas, para levar a nossa vida para diante.
Em jeito de conclusão, para não me alongar muito:
1 - ninguém é obrigado a tirar um curso superior: há outras alternativas
2 - pode sempre mudar de ideias a meio do caminho (ou mesmo no final), ou arranjar alternativas em paralelo
3 - o curso que se escolhe não nos ensina tudo (às vezes nem nos ensina nada do que vamos precisar depois)
4 - temos sempre a formação que nos é dada com a experiência de vida e há que tirar partido das janelas que se vão abrindo: o futuro não é uma linha reta com uma direção bem definida
E, acima de tudo, não pensar que há garantias neste mundo (especialmente nos dias de hoje): há sempre um grau de incerteza, mesmo que as estatísticas digam que aquele é provavelmente o melhor caminho a seguir para se obter o resultado que se pretende.
Talvez fosse este o teor das conversas sobre "o que quero eu da vida" se tivesse um filho em idade escolar.
Aliás, é este o teor que tento dar a qualquer conversa sobre "o que se quer da vida" com qualquer pessoa. Porque acredito que todos temos um papel na evolução dos jovens do presente, para olharem para o futuro. Com uma visão alargada, sem prisões ao passado ou a dogmas estabelecidos.
sexta-feira, junho 20, 2014
A minha alimentação
“As pessoas começam por abandonar
a alimentação vazia e fácil ["alimentação laxista”], fonte de inúmeras doenças.
Depois, desencantadas com a alimentação científica, que apenas procura manter a
vida biológica, muitas passam a uma alimentação de princípio ["baseada em
princípios espirituais e numa filosofia idealista"]. Finalmente,
ultrapassando-a, chega-se à alimentação não-discriminatória da pessoa natural”.
Masanobu Fukuoka
(no capítulo “Resumo sobre a
alimentação” do livro “A revolução de uma palha”)
À questão:
"Você é vegan, certo?", a autora deste artigo responde: “Não”.
O discurso
dela é tão consentâneo com o que sinto (e com o que me dá vontade de responder
quando me questionam sobre o meu atual regime aimentar) que faço minhas as suas
palavras.
“Ah então
você isto ou aquilo ..."
“Não.. Eu não sou uma praticante de nenhuma
dieta específica. (…)
Qual é a
minha regra de ouro em uma alimentação saudável? Comer para me sentir bem. Eu
gosto de uma dieta rica em vegetais porque me faz sentir bem. (...) eu até
posso ter uma leve obsessão por legumes: cozinhá-los, tirar-lhes fotos, procurá-los
de propósito para comprar ...
Seguir uma
alimentação saudável pode ser complicado, se se deixar, mas se desacelerarmos e
nos ouvirmos com atenção, podemos ser conduzidos na direção certa.
Ou talvez
optar pelo cheeseburger num
determinado momento. E isso não faz mal.
Se eu
tivesse uma dieta, manifestamente seria algo como isto:
- Comer tantos vegetais quanto possível.
- Beber muitos líquidos.
- Não manter coisinhas para petiscar que não sejam saudáveis muito perto.
- Comer alimentos frescos, o mais perto de acabados de apanhar, quando possível.
- Ser criativo.
- Comer para se sentir bem.
- Aproveitar o resto.”
segunda-feira, junho 02, 2014
Uma noite com Chick
Grande auditório do CCB, sábado, 31 de maio. Jazz ao seu mais alto nível.
Faço minhas as palavras da jazz.pt neste artigo (e a foto do início também é deles) e transcrevo o texto que exprime exatamente o que mais gostei dessa noite memorável:
"(...) bela leitura de “Waltz for Debbie” (Bill Evans), (...) a exploração das harmonias angulosas de “Work”, de Monk*. Surpreendeu quando juntou “Pastime Paradise” de Stevie Wonder à Mazurka em Lá menor op. 17 n.º 4 de Fryderyk Chopin, aproximando dois universos que só a presunção (e a ignorância) teimam em separar."
"(...) a elegância melódica, a gestão rigorosa de articulações e dinâmicas, a fluidez consequente na improvisação."
*NOTA: Thelonious Monk é, para mim, um universo de muito difícil acesso. Curiosamente, foi uma das músicas que mais gostei no concerto de Chick Corea...
E digo mais: Jazz ao seu mais alto nível.
terça-feira, abril 08, 2014
a Natureza
“Os sábios pensam que são capazes de compreender a Natureza.
É a posição que assumem. Porque estão convencidos de que podem compreender a
Natureza, confiamos-lhes o seu estudo e a sua exploração. Contudo, penso que a
compreensão da Natureza ultrapassa o alcance da inteligência humana.”
“Rejeito a imagem vazia da Natureza como imagem criada pela
inteligência humana e distingo‑a claramente da própria Natureza que é
experienciada pela inteligência não-discriminatória.” (…)
“A Ocidente, as ciências naturais desenvolveram-se a partir
do conhecimento discriminatório; no Oriente, a filosofia do yin e do yang, do I
Ching, desenvolveu-se a partir da mesma origem. Mas a verdade científica jamais
poderá atingir uma verdade absoluta, e as filosofias, afinal, não passam de
interpretações do mundo. A Natureza tal como ela é apreendida pelo conhecimento
científico, é uma Natureza que foi destruída; é um fantasma possuindo um
esqueleto mas sem alma. A Natureza tal como ela é apreendida pelo conhecimento
filosófico, é uma teoria nascida da especulação humana, um fantasma com uma
alma mas sem estrutura.
Não há outro meio para atingir o conhecimento
não-discriminatório senão a intuição directa, mas as pessoas tentam ajustá-la a
uma construção familiar chamando-lhe “instinto”. É na realidade um conhecimento
de origem indizível. Para conhecer a verdadeira aparência da Natureza, devemos
abandonar o espírito de discriminação e ultrapassar o mundo da relatividade.
Para começar, não há Ocidente nem Oriente, nem quatro estações, nem yin nem
yang. (…) Quando o indivíduo é capaz de entrar num mundo em que os dois
aspectos de yin e de yang regressam à sua unidade original, a missão destes
símbolos está terminada.”
“Quanto aos sábios, apesar da importância da sua inquirição sobre
a Natureza e da profundeza da sua pesquisa, acabam finalmente por se limitar a
constatar até que ponto a Natureza é realmente perfeita e misteriosa. Acreditar
que através da pesquisa e da invenção a humanidade pode criar algo melhor do
que a Natureza é uma ilusão. Penso que a única razão porque as pessoas lutam é
para chegar a compreender aquilo a que se poderia chamar a grande
incompreensibilidade da Natureza.”
in "A Revolução de uma palha", Masanobu Fukuoka
quinta-feira, outubro 10, 2013
Criação, Caminho, Construção
Ontem foi um dia que assinalou um marco especial na minha
vida.
Já uma vez tinha deixado umas notas provenientes de um texto
de Miguel Esteves Cardoso que diz que: "O casamento não é um contrato nem uma relação. Relações temos nós com toda a gente."
Chame-se o que se quiser. Casamento, seja.
Diz também que "É uma criação. É criado por duas pessoas que se amam. (...) É um filho inteiramente dependente de nós. (...) Quando esse filho é amado por ambos (...) que cuidam dele como se cuida de um filho que vai crescendo -, o casamento é feliz. Não basta que os casados se amem um ao outro. Têm também de amar o casamento que criaram."
Para mim, o casamento (que não precisa de um papel ou de uma aliança para o definir) é feito de todos os passos de um
caminho que não tem fim, passadas pequenas ou grandes, até passinhos para trás;
de todas as pedras de uma construção que nunca está terminada: pedras colocadas
com cuidado ou arremessadas, estáveis ou que se desmoronam.
Tudo faz parte desse caminho, tudo faz parte dessa
construção.
E esse caminho, essa construção, fazem parte de nós,
integram o nosso ser, seja lá qual for o tamanho da janela temporal que ocupa
na nossa vida.
Aqui fica a minha singela homenagem a todos os companheiros
de vida de alguém.
Em especial ao meu.
segunda-feira, setembro 30, 2013
Ganhou a força em que (não) votei.
A Constituição diz, no seu Artigo 2.º, que “A República Portuguesa é um Estado de
direito democrático, baseado na soberania
popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no
respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e
na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia
económica, social e cultural e o aprofundamento
da democracia participativa.”
Somos uma democracia indireta, isto é, “um regime político
em que o povo delega o exercício do poder soberano nos seus representantes
eleitos por sufrágio ou votação”.
(Dicionário da Língua Portuguesa Comtemporânea da Academia de Ciências de Lisboa)
Aprofundamento da democracia participativa?
Ora então vejamos: entre 2005 e 2011, a abstenção situou-se
em cerca de 39 a 41% (aumentou, pouquinho mas aumentou). Nestas eleições, foi
superior a 47%. Se somarmos a esta percentagem os brancos e os nulos, temos a
módica quantia de 54%.
Soberania popular?
Pois, é verdade, a maioria absoluta está
com os não votantes em força política nenhuma.
Afinal de contas, por linhas tortas, acabou de se cumprir o
ponto 1 do Artigo 10.º da nossa Constituição “O povo exerce o poder político através do sufrágio universal, igual,
directo, secreto e periódico, do referendo e das demais formas previstas na
Constituição.”
… Ganhou “o povo”…
E isto vale de alguma coisa?
Não, a Constituição não prevê a reavaliação do sistema quando
a maioria diz, por meio do instrumento que é considerado o mais representativo
de uma democracia indireta, que não acredita no sistema.
Como nota final, refiro que a Constituição também diz, no
seu Artigo 22.º, que “O Estado e as demais entidades públicas são
civilmente responsáveis, em forma solidária com os titulares dos seus órgãos,
funcionários ou agentes, por acções ou omissões praticadas no exercício das
suas funções e por causa desse exercício, de que resulte violação dos direitos,
liberdades e garantias ou prejuízo para outrem”.
Hmmm… Responsabilidade? Quem tem arcado com ela estas últimas
décadas?
Pela primeira vez na minha vida, não votei por opção. Não em branco, não nulo, simplesmente não votei no sistema. Coloquei-me deliberadamente à parte. Porque já não acredito nele.
Mas ainda não se trata das legislativas. Lá chegaremos, a
seu tempo. Giro, giro, era apresentarmo-nos todos à Presidência da República no
dia seguinte ao ato eleitoral, caso os resultados fossem a “nosso favor” outra
vez.
"A ver vamos, como diz o ceguinho".
segunda-feira, setembro 16, 2013
Minimalismo e simplicidade
Aprendi o significado do minimalismo com a minha irmã. Numa
idade em que nenhuma de nós sabia que isso existia e em que eu, por ser a mais
velha, achava que lhe ensinava coisas a ela.
Mais tarde fui contactando com esta temática por via de
alguma música que me agradou.
Encontrei também algo de minimalismo na meditação.
Mas teimava (e ainda teimo, por força do hábito) em seguir a
“via do complicómetro”: tendo (ou querendo…) mais “coisas” do que realmente
preciso, aceitando mais compromissos do que aqueles que posso cumprir sem
grande stress, estabelecendo metas mais exigentes do que as que realmente me
deixam satisfeita… Em suma, acumulando “tralha” material, mental e espiritual,
que me leva àquela sensação de vazio inexplicável, e com a angustiante
tendência de deixar quase sempre para amanhã o que poderia fazer hoje. Como se
as coisas se resolvessem por elas próprias e o mundo, amanhã, estivesse mais
límpido. Sem esforço da minha parte. Mas novo dia chegava e, invariavelmente, a
coisa recomeçava…
Até que… (espera, que ela encontrou a solução milagrosa e
vai-nos fazer uma revelação bombástica de como a sua vida mudou radicalmente e blá blá blá).
Não. Não é de todo assim.
Como disse no início, aprendi o significado do minimalismo
era miúda. Mas não “ouvi” o que a minha voz interior me queria dizer e deixei
que (maus) hábitos se instalassem.
Pelo que passei uma fase de reaprendizagem e continuo a aprender, todos os dias.
Para mim, o minimalismo não pode ser dissociado da
simplicidade. Acho que são duas das ferramentas fundamentais para (vi)ver o
mundo que me rodeia de um modo pleno.
Estas ferramentas, combinadas com outras (como numa receita
gastronómica que vai variando com o gosto de cada um), permitem-nos ter mais
espaço (físico, mental e intelectual) para as coisas que realmente interessam.
Verdade, hoje em dia já organizei muita “tralha” material,
mental e espiritual. Desde abdicar de roupa e outros objetos que só ocupam
espaço, a simplificar a minha agenda, passando por selecionar os hobbies e
estabelecer prioridades para as minhas rotinas diárias, sinto que já dei alguns
passos no caminho certo. Já me sinto mais em paz comigo própria, mais familiarizada
com o meu silêncio interior.
Mas a guerra continua. Com batalhas diárias, nem
sempre bem sucedidas.
Porque o mundo que nos envolve, hoje em dia, cria-nos dificuldades a todos os níveis (que parecem impossibilidades, mas se as analisarmos bem de perto e com calma, chegamos, mais tarde ou mais cedo, à conclusão que não é bem assim).
(Recentemente, dei-me conta que existe todo um movimento
baseado no minimalismo que se poderá intitular de filosofia ou modo de vida.
Livros, blogues, páginas na internet, grupos no facebook… São bons para alertar
e nos dar algumas ideias da experiência de outras pessoas, do que se vai
pensando por aí, mas não há regras para isto e ninguém melhor que nós próprios
para pôr pés ao caminho e encontrar a direção que mais nos convém).
Independentemente de estar “na moda”, e atendendo a que
considero esta expressão algo pejorativa, sei que tenho ainda muito que
aprender com o minimalismo e com a simplicidade.
E com a minha irmã J.
segunda-feira, agosto 19, 2013
Comunicação assertiva.
Um dos meus horizontes é a assertividade.
Quando não se impõe, por fatores externos ou interiores, o
silêncio (que também pode ser um sinal de assertividade), acho que devemos
expressar a nossa opinião, sem com isso nos impormos nem, obviamente, ofender
ninguém intencionalmente.
Esta expressão é tanto um direito como um dever de cada um
de nós, enquanto cidadãos do mundo. E um dever acima de tudo porque, a
expressão de opiniões, quando feita de uma forma consciente, fundamentada e
assertiva, contribui quer para uma discussão saudável, quer para possíveis
reflexões individuais. Coisas que, infelizmente, escasseiam nestes nossos dias
de hoje...
Esta minha reflexão foi despoletada por um artigo escrito
por Trina (“Why I Quit My Yoga Class”) partilhado na página do facebook do
blogue da Rita (“The Busy Woman and the Stripy Cat”). Pelo artigo em si e pelos
comentários que despoletou.
Considero-me uma
praticante “superficial” de yoga, com alguns conhecimentos (muito básicos); sou
proveniente de uma família cristã, mas “auto-classifico-me” como agnóstica; não
me identifico com as apreensões específicas do artigo da Trina. Mas li o artigo até ao fim. E a minha brevíssima
conclusão é que se trata de uma opinião individual, resultante de uma reflexão interior,
de alguém que teve a coragem de a expressar e a virtude de o fazer de um modo
que considero assertivo.
E confesso que a questão que ela coloca no fim abriu
em mim um espaço para a minha própria reflexão interior.
Posto isto, fiquei num misto de tristeza e alegria: triste pela
agressividade expressa em alguns dos comentários, e contente pela constatação
de existirem pessoas como a Rita que, apesar das divergências de pensamento e
de crenças, têm a capacidade de dialogar sem atropelos. E de manter a vontade
de aprender com quem discordam.
Para seres pensadores com vontade de aprender, a comunicação
só se faz quando há alguém disposto a expressar a sua mensagem e alguém
disposto a receber essa mensagem.
Independentemente da análise de conteúdo e
das conclusões que tira para si próprio.
quarta-feira, julho 24, 2013
Coração, coração...

(…) Coração independente,
Coração que não comando:
Vive perdido entre a gente,
Teimosamente sangrando,
Coração independente (…)
(Amália Rodrigues)
(…) É fantástico
A gente sentir o que não quer
E ter um coração independente.
(Fernando Pessoa)
Há um programa na Antena 1, que ouço com frequência com
gosto, por conciliar textos lucidamente concisos e excertos de canções num
curto espaço de tempo bem editado.
É o “A contar” de David Ferreira.
E o programa de hoje revela a intereseção que existe entre
Amália Rodrigues e Fernando Pessoa: uma letra insolitamente da autoria da
primeira (talvez porque única de entre todas as restantes letras que, até ali,
eram da autoria de outrem e que, segundo consta, a própria Amália não quis
inicialmente revelar que era dela) e um escrito de Pessoa, apenas dado a
conhecer ao mundo pelas mãos de Richard Zenith 4 anos após a morte da fadista.
Tomara todos ouvíssemos o nosso coração com atenção. Ele, às
vezes, diz, baixinho, coisas certas. O mundo seria um local melhor… Ou seríamos todos mais felizes. O que vai dar ao mesmo.
Para ouvir o programa na íntegra (curto, como disse, e que
vale bem a pena, na minha opinião), clicar aqui.
(programa de 24 de julho. Podem andar com a publicidade para a frente no canto superior direito :) )
quinta-feira, junho 06, 2013
Pérola de outono...
quarta-feira, maio 29, 2013
sexta-feira, abril 26, 2013
As florestas
"O vegetal (...) é a pedra fundamental de todo o sistema vivo, do qual dependemos hoje".
Imagens extraordinárias, umas fabulosas, outras aterradoras.
E verdades incontornáveis...
Filme oficial do Ano Internacional das Florestas. Dirigido por Yann Arthus-Bertrand para as Nações Unidas.
quarta-feira, dezembro 26, 2012
nāscor
A palavra natal provém de nātālis, uma palavra derivada do verbo
latim nāscor (nascer).
Como adjetivo, significa também o local onde ocorreu o
nascimento de alguém ou de alguma coisa e, nos países eslavos e ortodoxos,
cujos calendários eram baseados no calendário juliano, o Natal é comemorado no
dia 7 de janeiro), originalmente destinado a celebrar o nascimento anual do
Deus Sol no solstício de inverno (natalis
invicti Solis)*: nos primórdios dos tempos, o Homem assistia ao diminuir do
dia, fenómeno progressivamente aterrador principalmente a partir do equinócio
de setembro, em que as trevas ganhavam terreno à luz do Sol. No solstício de
inverno, a tendência alterava-se, trazendo nova esperança com o novo ciclo da
vida.
Ironicamente (ou talvez não), estava “previsto” o fim do
mundo para a data do solstício de inverno, no passado dia 21. Não aconteceu
(pelo menos, que tivéssemos dado por isso… e digo isto com o mínimo de ironia
possível. Matéria para outra volta…).
Voltando ao fio da meada, entre o dia 21 de dezembro e o dia
7 de janeiro assistimos a uma série de (re)nascimentos: o solstício, a
celebração do Natal cristão, o nascer de um novo ano.
Assim, o inverno é, também ele, uma época de renovadas
esperanças.
Este artigo é especialmente dedicado a todos os que se
sentem, de um modo ou de outro, como uma tarde invernosa: tal como as árvores
de folha caduca, também nós precisamos de um intervalo para recuperar forças.
Mas com a certeza que o Sol lá estará para nos ajudar a despertar de novo.
E haverá melhor tema para terminar do que o "Jardim de
Inverno", com a voz fresca da Susana Félix?
Mas eu fiquei,
me levantei,
o sol nasceu p'ra mim .
No meu quintal
nasceu novo jardim.
nasceu novo jardim.
Boas Festas a todos! E façam-me o favor de serem felizes!
* - Adaptado
da Wikipedia
sábado, novembro 03, 2012
O exemplo da Islândia...
A Islândia é um país que, com uma área total um pouco superior à de Portugal (cerca de 100.000 km2, números redondos), tem menos de 320 mil habitantes (cerca de 3% da população portuguesa). E é uma ilha.
Este é um vídeo que retrata o que por lá aconteceu desde
2008, e que vi recentemente a circular no facebook:
É certo que a recente história da Islândia tem aparecido em
círculos muito restritos (assisti, no início deste ano, a dois documentários
muito interessantes sobre este tema, de uma série de quatro escolhidos pela
Apordoc – contavam-se pelos dedos das mãos quantas pessoas assistiram a estas
sessões na sala do Nimas, em Lisboa…)
Mas até que ponto é que, mesmo que aparecesse nos círculos
ditos “normais”, serviria de exemplo para alastrar a outros países? Até que
ponto é que Portugal pode (quer) seguir este exemplo? Ou o resto da Europa?
Não que eu não gostasse de ver este assunto debatido a
sério. Principalmente nas ruas, em tertúlias de pessoas interessadas em mudar
as coisas de facto e não apenas nos canais de informação e debate que, por
vezes, se tornam elitistas (seja por culpa dos que estão do lado de lá dos
media, seja por desinteresse generalizado dos que estão do lado de cá… mas também
não é meu intuito entrar no campo das razões para que isto aconteça).
Voltando ao assunto, e voltando ao que vi nos documentários
sobre a vida quotidiana do povo islandês entre 2008 e 2011, recordo-me
particularmente dos problemas sociais e económicos retratados em “The Future of
Hope”, cujo desenrolar de acontecimentos se focaliza nas ações que
desabrocharam fruto da resiliência de indivíduos e da comunidade em si. Muito
inspirador. Tal como o vídeo que se apresento no início do artigo.
Citando o meu amigo Skopos: “Em The Future of Hope, vemos e ouvimos os
testemunhos de diversos islandeses comuns: um empresário arruinado, um
professor universitário, um agricultor
biológico, pessoas reformadas, jovens. Ouvimo-los em plena crise. E falam dela
com um sorriso, com ideias e com vontade de mudar. Metanoia, já diziam os
gregos: mudança de mentalidade. Limpar a casa, deitar fora o que não interessa.
E participar ativamente no percurso da sociedade.”
Aqui fala-se de sorrisos. E são sorrisos verdadeiros,
sorrisos de alma completa. Sorrisos que resultam de processos interiores muito
fortes: uma mudança deste tipo é algo que é muito trabalhoso e demora a dar resultados
práticos na vida das pessoas, passando, no ponto em que estamos, por processos
muito dolorosos.
Este tipo de mudança não se coaduna, de modo nenhum, com a
perspetiva quase obsessiva de melhorias a curto/médio prazo, muito menos com o “voltar”
ao modo facilitista com que nos habituaram a viver nesta sociedade de consumo.
Tal como já tinha escrito antes, existe atualmente uma muralha de indiferença
apática e generalizada que se gerou com a preguiça mental induzida na sociedade
do crescimento que, sufocantemente, reina nos dias de hoje. E uma inércia muito
forte, uma resistência a mudar, quando essa mudança implica repensar todo um
modo de vida, todo um status quo
instalado…
O vídeo que se segue dá uma ideia de uma das questões mais
prementes hoje em dia: dívida. Nem é preciso compreender todo o texto do artigo onde o encontrei: para bom
entendedor, as imagens são suficientemente esclarecedoras.
Estamos preparados para passar, à nossa escala, por tudo que
os Islandeses passaram e ainda estão a passar?
Eu gostava que houvesse um grupo representativo de pessoas
com capacidade de agir e meios para o fazer a responder SIM a esta questão sem
hesitação. Se aí estiverem, contem comigo.
A alternativa é, a meu ver, igualmente dolorosa, arrastando-se por muito mais tempo e não trazendo resultados tão consolidados.
segunda-feira, setembro 10, 2012
PPPs: um exemplo de PQP
Segundo o site da Direção Geral do Tesouro e Finanças, numa secção intitulada "As PPPs em 7 questões", a resposta à questão 3 (Porque se lança uma PPP ) é:
"Constituem finalidades essenciais das PPP o acréscimo de eficiência na afectação de recursos públicos e a melhoria qualitativa e quantiativa do serviço, sendo aplicável a projectos cujo desenvolvimento requer, da parte dos parceiros, elevadas capacidades financeira, técnica e de gestão de recursos e a manutenção de condições de sustentabilidade adequadas durante a vida do contrato".
- A aplicação prática do modelo das PPPs, em Inglaterra é perfeitamente transparente: a divulgação de informação contém todos os elementos necessários a compreender os cálculos, ou seja, anexos com números (reais...).
- Em Inglaterra chegaram à conclusão que, face a metodologias tradicionais de construção e exploração, o aumento de despesa da aplicação de um modelo de PPP numa concessão de uma rodovia é de 47%.
- Adicionalmente, e também em Inglaterra, chegou-se à conclusão que 7% da despesa vai parar às mãos de consultores.
- Repito: os intervenientes do programa afirmavam que, em Inglaterra, as coisas são transparentes.
- Em Inglaterra, chegou-se à conclusão que o modelo das PPPs não traz vantagens, na prática.
- Em Portugal, os relatórios não trazem anexos, ou seja, não há informação suficiente, com números, que permita uma análise imparcial e objetiva dos processos das PPPs associadas a rodovias (SCUTs e outras que tais);
- Em Portugal existem trabalhos (doutoramento no ISEG)* que levam a valores de diferença entre custos reais das PPPs e custos previsíveis em metodologias tradicionais que ascendem a 80%. 80%... 80%!!
- Volto a repetir a ideia de transparência dos 47% em Inglaterra contra os "presumíveis" 80% em Portugal, onde "um dos cd que foram enviados ao grupo [que reavaliava as PPPs] estava em branco"
- Quando refutado por certas e determinadas pessoas com argumentos do tipo "ah, mas sabe que há sempre derrapagens, mesmo em metodologias de construção/exploração tradicionais", Avelino Jesus responde com os dados de um mestrado, também do ISEG, que estudou (se não me falha a memória)* 164 casos de obras públicas deste tipo com derrapagens, entre 1999 e 2011. Média: 32%...
* perdoem-me as ideias vagas, mas estou tão danada que nem consigo lembrar-me bem do que ouvi
O que resta dizer?
Talvez "fuck'em very much".
Ou melhor: Putas ao poder, que os chulos já lá estão... HÁ DÉCADAS!
(E os que já lá não estão, andam para aí a passear-se impunemente)
domingo, setembro 09, 2012
Jazz em blogue português
Com a assinatura de João Moreira dos Santos, aqui está um contributo que irei acompanhar sempre que possível:
http://jnpdi.blogspot.pt/
sexta-feira, agosto 31, 2012
Amanhecer
"Afinal, o futuro é uma mistura de decisões e acaso, que é o nome que se chama àquilo que se desconhece. Era decidir o que fazer e esperar o que viria."
In "Cassiopeia", de um anónimo que sei quem é mas que, como não assinou, vai ficar assim mesmo.
sexta-feira, agosto 03, 2012
Tempo de parar.

A confluência das ideias que transmito no meu último blog * com a minha recente escolha pessoal e profissional vem resumidamente espelhada num livro que anda cá por casa nas mesinhas de cabeceira: “Viver sem chefe”, de Sergio Fernández, dedicado aos empreendedores deste mundo.
* (acrescimento.wordpress.com)
Em mais uma publicação que parece que me caiu no colo no momento certo (como tem acontecido com alguns livros no último punhado de anos), o autor refere-se ao Downshifting (descer de categoria profissional para ganhar mais tempo ou qualidade de vida) e ao que ele classifica de “Achar que é preciso crescer sempre” nas páginas dedicadas ao “Erro 5 – Já morreu de sucesso?”.
(Como nota adicional, o capítulo tem uma imagem com a legenda “O seu negócio é uma bonsai ou uma sequoia?”) :)
Transcrevo algumas passagens que, para mim, neste momento em
particular, fazem todo o sentido do mundo:
“(…) Cada vez há mais
pessoas com a certeza de não quererem subir mais. (…)
Não lhe direi que pare
de crescer económica e profissionalmente, nada mais longe da minha intenção,
mas digo-lhe, sim, que pense se quer crescer de forma indefinida (…)
Para qualquer
estrutura económica, não importa o seu tipo nem a que se dedica, existe uma
zona crítica na qual ter sucesso implica deixar de ter sucesso. Porquê? Porque
a carga de trabalho impede o cumprimento diligente das obrigações contraídas.
(…) há um momento em que é mais sensato dizer “não”. (…)
Muita luz é como demasiada escuridão: ambas não deixam ver. Aspirar a crescer e a superar-se é uma
condição do ser humano, mas é preciso saber fazê-lo, caso contrário depressa se
verá numa situação em que o seu trabalho deixará de o satisfazer e,
paradoxalmente, isso acontecerá por tê-lo em demasia.
(…) crescer sempre e
de modo indefinido, em termos económicos, não é uma obrigação, mas uma opção. O
sucesso foi inventado para ser desfrutado. Por favor, não morra de sucesso.”
Já diz o povo “o caminho faz-se caminhando”. Mais um passo
gratificantemente doloroso no meu percurso de crescimento pessoal. Sigo em
frente, porque “para trás mija a burra”.
sábado, junho 23, 2012
Parece que está aí o tempo quente...
Como disse no facebook, acho que são uma ideia muito
agradável como alternativa à “marmita” tradicional ou para levar para um
piquenique simplificado.
Não, não foi tirado da minha cabecinha… tenho pena, mas não
foi: vem do site www.neatpins.com
Vejam como são bonitos:
Aqui estão as dicas de realização, para qualquer receita:
1. Colocar o molho no fundo e os vegetais mais sensíveis
(tipo alface), na parte superior. Se os dois ficarem em contacto, as verduras
vão “cozer”.
2. Então, o molho em primeiro lugar. Logo por cima, utilize
um pouco de legumes "carnudos", como repolho picado, vagens de
ervilha, ou palitos de cenoura. Eles podem suportar a acidez do molho, “marinando”,
e realmente ficar melhor!
3. Quando o colocar no frasco de vidro ou na caixa de
plástico (obviamente transparente, para dar o efeito pretendido), use uma boa
variedade de vegetais coloridos! Torne-o divertido: envolva as crianças no
processo.
Aqui estão as receitas do site, adaptadas para português (as
camadas estão indicadas por ordem, de baixo para cima):
Sementes de Papoila:
Molho com sementes de papoila
Cenoura aos pedaços ou tirinhas
Ervilhas
Ananás ou abacaxi
Mirtilos
Framboesas
Alface
Ásia:
Molho temperado com gengibre
Vagens de ervilhas ou ervilhas-chatas
Cenoura aos pedaços ou tirinhas
Repolho aos pedaços ou tirinhas
Nozes de Macadamia
Ervilhas
Rebentos de feijão (ou rebentos de soja)
Quinoa ou cuscus
Sementes de sésamo torradas
Alface
Frutos do mar:
Molho leve com maionese, leite e parmesão
Repolho em pedaços ou em tirinhas
Tomate-cereja (metades)
Azeitonas pretas
Aipo ou alho-francês em tirinhas fininhas
Delícias do mar e/ou miolo de camarão
Alface
César:
Molho César
Cenoura em pedaços ou em tirinhas
Cubos de frango grelhado
Aipo ou alho-francês em tirinhas fininhas
Pepino
Alface
Parmesão
(adicione croutons mais tarde) para não ficarem moles).
***
Para acompanhar, pode preparar umas bebidas muito refrescantes à base de água, frutas e ervas aromáticas, cuja ideia sai do mesmo sítio do facebook onde retirei a ligação para as saladas.
- Corte em frutas em fatias finas ou pedaços pequenos.
- Selecione as ervas aromáticas que mais lhe agradam (a
hortelã-pimenta é uma ótima combinação com os citrinos e o cravinho ou o
pau-de-canela com a maçã).
- Misture os ingredientes com água.
- Refrigere por 4 a 6 horas.
- Servir bem fresco!
Deixe a sua imaginação voar, experimente outras combinações e saboreie!
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