domingo, novembro 23, 2008

Perspectiva

Estou tão contente!
Finalmente consegui transmitir para o papel um espaço que estava a ver e onde estava integrada, sentindo-o crescer como tal à medida que o ia esboçando.

É engraçado como tudo o que nos estavam a tentar transmitir durante esta pequena formação, de repente, fez sentido. Foi muito gratificante olhar para o papel e, embora não estivesse terminado, identificar o que estava a desenhar como sendo que estava a ver...

Um dos participantes rematou a sessão com um desabafo: o estado de espírito influenciou o resultado final do seu desenho. Na sessão anterior não estava tão bem consigo próprio e as coisas correram mal... Ao que a formadora respondeu "E, afinal, não é isso a Arte? A inspiração?".

Na altura pareceu-me incompleto, mas não sabia ao certo o que faltava. Agora sei. Para mim a Arte é mais que isso: é quando a técnica, desenvolvida através de árduo trabalho, encontra a inspiração.

Mas isso é irrelevante neste preciso momento: estou contente e pronto!

domingo, outubro 19, 2008

Sou mulher


"Ninguém nasce mulher, torna-se mulher".
(Simone de Beauvoir)


Não sou feminista. Não aspiro a tal e confesso que certas atitudes de quem se diz ou se pensa feminista me causam algum incómodo.

No entanto, tenho consciência que, se não existisse o feminismo ou, pelo menos, se determinados caminhos não tivessem sido percorridos, não estaria hoje, muito provavelmente, em condições de poder afirmar, com naturalidade, que sou mulher, gosto de o ser e anseio vivê-lo em toda a sua plenitude, abraçando quer a diferença entre Homem e Mulher, quer a diferença entre mulheres.

sábado, outubro 18, 2008

Abraço

Há o abraço voluptuoso, sensual, o amplexo dos amantes.
Há o abraço carinhoso, ternurento, que transmite o calor do seio materno.
Há o abraço que consola, preenche o vazio deixado pela tristeza.
Há o abraço forte, que dissipa os medos e as inseguranças.
Há o abraço do reencontro, que afasta a saudade.
Há o abraço do cumprimento, ora casual, ora intenso.
E há o abraço do “estou aqui e gosto de ti”, que, tão simplesmente, nos deixa um sorriso na alma.

sábado, maio 31, 2008

Carta




Caríssima Amiga

Pela presença
Pela justeza
Pela humanidade
Pela compreensão
Pela frontalidade
Pela paciência
Pela perseverança
Pela disponibilidade
Por gostar de ajudar
e por ajudar a gostar
Acima de tudo, pela Amizade
Por ter existido
Na minha vida
Na vida de todos nós
Um grande, grande bem-haja
Até sempre

domingo, abril 20, 2008

Takk...



Sigur Rós.

Editado em 2005, mas estou a descobri-lo agora.

Suave e intenso. Sublime.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Veremos...

Era uma vez um rapazinho que recebeu um pónei de prenda.
"Que maravilha! - disseram as pessoas - Que sorte teve ele!"
"Veremos", respondeu o Mestre Zen.

Passado um tempo, o rapazinho caiu do pónei e partiu uma perna.
"Que pena! - disseram as pessoas - Que azar que ele teve!"
"Veremos", respondeu o Mestre Zen.

O rapazinho cresceu. Os seus amigos foram para a Guerra. Ele ficou por causa da sua perna.
"Que bom! - disseram as pessoas - Que sorte a dele!"
"Veremos..."

Houve um amigo que me questionou uma vez se eu nunca me tinha arrependido de nada, ao longo da minha vida.
Após pensar um pouco, conclui: "Não."
Se fosse hoje, ter-lhe-ia respondido contando-lhe a história do Mestre Zen.

domingo, janeiro 20, 2008

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Veludo


Porque será que há verdades sobre nós próprios que, incontornáveis, não nos são perceptíveis aos nossos próprios olhos até que nos foquem a imagem...?

Talvez a consequência mais nefasta de não respeitar a liberdade dos outros seja, no limite, o não respeitar a nossa própria liberdade.

Disseram-me algo que me fez pensar nisto. Meditar, mesmo. Digeri-lo. E incorporá-lo.
E porque o digo agora?
Não sei. Nem me apetece saber.
Mas apeteceu-me dizê-lo. Como se atirasse uma flor a um poço sem fundo. Sem eco, com um aterrar de veludo. (Quase) inaudível.

sábado, novembro 03, 2007

Sonoridades

2 CDs e 1 espectáculo...

Há mais de um mês que ando no carro com dois CDs que não me canso de ouvir:
  • Viviane, da própria. Agradável, solto, com um toque europeu;
  • Lisboa, uma compilação (a primeira, aliás) da Lisboa Records. Intenso, pleno de emoção.

Entretanto, ontem fui assistir a um espectáculo no Pequeno Auditório (muito simpático, por sinal) do Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra - o projecto "Sal". Gostei. Vai passar a ser, certamente, mais um CD que não me vou cansar de ouvir...

E o que é que estes três elementos têm em comum?

Fazem parte de uma sonoridade para a qual venho despertando: a musicalidade vincadamente portuguesa. Com o fado sempre à espreita e aquela dualidade que nos caracteriza, de colocar a alegria e a tristeza de mãos dadas, com a inevitável pontinha de nostalgia e saudade.

domingo, outubro 21, 2007

Impressões jazzísticas IV

Chick Corea. CCB, 20 de Outubro.

O cartaz dizia "65 anos, e uma carreira de mais de 40 que o posiciona como um dos músicos mais prolíficos da segunda metade do século XX".

Para ser totalmente honesta, não conhecia a sua obra.
Tinha, no entanto, muito boas referências acerca dela.
E confirmaram-se.

"Hmmm... Nice... Very nice..." - comentários sobre a audiência. E sobre o piano.
"Piano solo is like playing in my living room. This is a very big living room! But we'll try to keep close."

Entrou "a matar" na 1ª parte: Thelonius Monk, Bill Evans... "What else... I'll play some other things for you...". Aparentemente improvisa tanto na interpretação como na programação. (Será? Teve efeito...)

Na 2ª parte: umas "short pieces" com o espírito das crianças como tema. Composições do próprio que remontam à década de setenta. Nice, very nice - digo eu.

Encore: "I've been entertaining you for almost two hours now... I think it's time for you to entertain me. A little bit!" E assim foi: pôs-nos todos a servir de coro... Bonito efeito.

Íntimo, mas muito comunicativo, fluido e à-vontade: só não se sentiu em casa quem não quis.

E estava este homem (segundo ele próprio disse) com 36 horas de viagem em cima e apenas 1 hora de descanso antes de entrar em palco.
O que faria se estivesse em plena forma e descansadinho da vida!

Para quem quiser saber mais: http://www.chickcorea.com/

quinta-feira, outubro 04, 2007

Espaço interior

Ouvi outro dia um amigo dizer que estava na idade de querer fazer muitas coisas.
Não sei bem que idade é essa: talvez seja mais um estado de espírito, disponibilidade a mais ou falta dela para pensar em certos assuntos. Comigo tem sido um pouco assim – há que ocupar compulsivamente o tempo, tentando descobrir se não haverá algo que ainda não conheço, que ainda não experimentei, que me faça despertar para outra realidade, que me transporte para um mundo melhor ou, pelo menos, que me faça ver este com outros olhos.

Mas ver este com outros olhos, pergunto-me cada vez mais frequentemente, para quê?
Já vejo este mundo com os olhos que quero: os meus. Com um olhar por vezes turvo, por vezes embriagado, do ruído exterior que deixo que me afecte e do ruído que produzo interiormente, para não ouvir aquilo que julgo ser um silêncio incomodativo.

Decidi abrir as portas e as janelas ao meu próprio espaço interior, deixando-o reinar sobre a “insustentável leveza do ser”…
Um trilho que trará, certamente, muito “suor sangue e lágrimas”.
Mas que, certamente, vai valer a pena.

Como parte desta abertura interior, criei três outros blogues.

Dois em que exponho artigos relacionados com duas paixões interligadas – os jardins e os bonsai –, de modo a organizar os meus pensamentos e a partilhar com quem queira ler um pouco do que vou fazendo e conhecendo nestas temáticas.
“At last, but not least”, um outro blogue cujo objectivo é, tão somente, agradar-me a mim própria, publicando excertos e citações de livros ou canções que vou lendo e ouvindo e que, por uma ou outra razão que não está nos meus planos dissecar (sim, porque nem tudo tem de ter um porquê…), me tocaram no meu íntimo.
Se, no caminho, agradar a mais alguém, tanto melhor.

domingo, setembro 23, 2007

Saudação ao Sol

Porto Santo.



Sem razão aparente, uma madrugada acordo com uma espertina que decidi, inexplicavelmente e num impulso, aproveitar.



Ainda de noite, saí para a praia. Acompanhada da minha máquina de registo de sensações e de uma curiosidade latente acerca do que me esperava.

Deixo alguns testemunhos de um amanhecer inesquecível.

Quer-me cá parecer que o Cosmos andava a preparar há já algum tempo uma complexa conspiração a meu favor.


E conseguiu...

Irrepreensivelmente.




Parte do resultado está à vista.
O resto... permanecerá dentro de mim.
.
Com excepção daqueles preciosos retalhos que o meu renovado sentido de intimidade permita que eu partilhe com os que amo.


domingo, agosto 26, 2007

Educação: Razão e Coração.

De vez em quando sou abençoada por um destes momentos. Que acontecem as vezes suficientes para eu lhes dar valor.

Desta feita, a tertúlia levou-nos à educação. E o que é a educação? Um processo que permite proporcionarmos ao outro o conhecimento de que existe um número de caminhos infindável, doseados com as infinitas combinações de proporção entre razão e coração, de tal modo que esse outro possa vir a descobrir as suas próprias ferramentas para desbravar os caminhos que pretende conhecer e, finalmente, optar por aquele ou aqueles que a sua natureza o leva a escolher percorrer.
Mas este é um processo que tem riscos, que acarreta, mais tarde ou mais cedo, num grau maior ou menor, dor. E esta dor pode ser elevada, dependendo da resistência em reconhecer que é necessário passar pelo processo de aprendizagem, quer de um lado quer do outro.
Esta resistência, do lado de quem educa, pode simplesmente ser a relutância em admitir que o caminho que quem está a aprender vier a escolher pode muito bem não ser aquele que se considera melhor à partida. E haver a tentação de encobrir os demais caminhos existentes.
Mas, se essa resistência for ultrapassada, independentemente do resultado da aprendizagem levar à escolha de um caminho preferido pelo educador, reconhecendo-se que a dor que se possa estar a passar é necessária, todo o processo pode ser muito gratificante.

Há que permitir a um passarinho que está no ninho a possibilidade de abrir as asas e voar. Não se pode controlar os céus nem os perigos ou maravilhas que o povoam. Apenas se pode fazer com que o passarinho saiba que tem um céu com inúmeras descobertas à espera dele. E que terá sempre um poiso seguro no ninho de onde partiu. Independentemente de ele voltar.

Gosto das nossas tertúlias. Têm um efeito educativo.
Encaixas bem em mim.
Só lamento que o Universo não nos tenha ainda dado uma oportunidade de passar da teoria à prática, num projecto de educação centrado em nós…

P.S. O ser humano é deveras engraçado: chora por uma dor que lhe é causada por não ter acesso a um processo que lhe poderá causar outro tipo de dor…

sexta-feira, agosto 03, 2007

E, para encher as medidas...

Fim de semana de comemoração do aniversário do, que já considero um pouco meu, Blog Montes & Vales...


Sábado: canyoning. Ora aqui está uma actividade a repetir!


Primeiro, medo.. bom, não era bem medo... era mais... ahhh... respeito...!



Mas depois... satisfação total! Pessoal, como se diz hoje em dia, 5 estrelas, água fantástica, pedaços de natureza fabulosos, adrenalina Q.B., enfim, sensações deleitosas.
Domingo: caminhadazinha à moda do David, sempre agradável e com algumas surpresazitas pelo meio, com um gostinho a escalada (tipo nível 0, mas deu para recordar...).
E o convívio, sempre o convívio!
Bem hajam!
.
.
P.S. - como não há bela sem senão, para além de nos esquecermos dos sacos-cama, numa noite de 9ºC (em Julho!) na Serra da Freita, esquecemo-nos também da máquina fotográfica, pelo que as fotos foram "surripiadas" das imagens gentilmente cedidas pela Nómadas - uma empresa representada por dois "moços" muito simpáticos e extremamente profissionais. Obrigada, Octávio e Nelson!
.
Site da Nómadas: http://www.nomadas.pt

quarta-feira, julho 25, 2007

Nova perspectiva




Curso de iniciação à escalada - Maio/Junho 2007: vendo o mundo de um outro ângulo...







É uma actividade exigente. Talvez até mais para a mente que para o corpo. É preciso ter (ou desenvolver) um controlo individual apurado. E, como em qualquer outro desporto, há que aprender a técnica e praticar, praticar, praticar...



Gostei muito da experiência. Mas...

Não me caiu no goto. Não me enche as medidas. Aqui, o caminho é sempre para cima. E, quando não é para cima, é para baixo ("destrepa!").

Ora, embora goste de "subir na vida", o meu caminho é mais para a frente.

Apesar de tudo, a perspectiva é muito bonita.

As técnicas são essenciais para nos sentirmos mais à-vontade em outros caminhos. É um complemento precioso para outras actividades mais diversificadas.

domingo, julho 08, 2007

Doce

Doce porque sim.
Doce: porque não?
Doce, para mim,
saborosa tentação...

Doce retorno,
doce continuação.
Doce gosto na boca,
preenchendo o coração.

Com um doce sorriso
e um brilho no olhar,
aí está de novo a ternura...
É tão bom regressar!

quinta-feira, abril 12, 2007

Caminhadas II







Páscoa.
Serra da Lousã.



Tinha um estereótipo: eucaliptos, eucaliptos, eucaliptos.

Fiquei com uma ideia muito diferente... para melhor!

Bom... também fiquei com um andar novo, após todos aqueles quilómetros e subidas e descidas. E umas nódoas negras e uns deditos dos pés magoados...

Mas, no fim, no fim, bem vistas as coisas, enriqueci a alma: fiquei mais feliz!

sexta-feira, março 30, 2007

Budapest "under the leafy boughs"


Nas minhas mais recentes férias, visitei um pequeno museu de fotografia na cidade de Budapeste. Comprei lá um livrinho de fotos com um título do género "Fotos sem palavras".





É um livrinho de uma colecção que achei muito interessante. Este, em particular, da autoria de Schäffer Zsuzsa, revela-nos um olhar sobre a cidade através de um véu de árvores, de um modo íntimo e muito inspirador.










Acabei por ser fortemente influenciada...


segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Esperança

Há alturas em que me sinto triste, por dentro e por fora, uma tristeza pesada, densa, desamparada. Já não espero soluções. Grito ao vento em silêncio e não quero quem me responda: apenas preciso de alguém (ou algo) que me ouça as perguntas. Sem juízos. Sem compaixão. Sem piedade. Apenas que esteja presente. Que me escute. Sem retorno.

Nestas alturas, apetece-me enrolar-me toda sobre mim própria, e ficar muito quieta até que passe. São alturas em que sinto que preciso de me deixar afundar, tocar no lodo… para depois arranjar forças para, num impulso, voltar a subir. Sabendo que voltarei a descer, inevitavelmente. Mas com esperança que sejam descidas cada vez mais esporádicas, e cada vez menos fundas. E cada vez com mais força para me impulsionar para cima.

A tristeza é uma coisa muito especial, de tão indefesos que ficamos diante dela. É como uma janela que se abre apenas quando lhe apetece. Mas abre-se um bocadinho menos de cada vez; e um dia, perguntamo-nos o que é que lhe aconteceu.” Arthur Golden

Esta é a minha esperança.

domingo, fevereiro 11, 2007

Caminhadas I


6h30m (sim, da madrugada...) de Domingo (!): alvorada para nos encontrarmos com um grupo de pessoas que não conhecíamos e rumar à margem Sul. Claro que não podia faltar o cafézinho da ordem, até para despertar melhor as mentes e incutir uma energia revitalizante. E às 9h30 já estávamos perto de Alcácer, suficientemente equipados (para a chuva!) e pusémos pés ao caminho...

Sobreiros, planície alentejana, o rio Sado, lama Q.B. ... E chuvinha, ahh, a chuvinha... Daquela que molha os parvos! Mas a nós não!

Às tantas houve alguém que se lembrou: já comia qualquer coisinha...

Paragem para um snack na estação arqueológica Abul e... pés ao caminho novamente.

Ao todo foram 12,5 km bem passados (nem a chuva nos impediu de gozar o passeio), na companhia do que se veio a revelar boa gente, e que acabaram com umas sandochas de chouriço e umas bejecas numa tasquinha.

E ainda deu tempo de ir votar!