segunda-feira, agosto 25, 2014

1969 - 2014

Como tenho sérias esperanças (como a minha bisavó) de atingir as nove décadas de existência neste mundo, isto quer dizer que atingi mais ou menos o ponto médio.
Ou seja, “hoje é o primeiro dia do resto da minha vida”.

Sinto-me como uma criança com todo um mundo pela frente.
E o que se pergunta a alguém assim? Pois... “O que queres ser quando fores grande?”

Forte. Quero ser forte.

Para tal, parece que é preciso, segundo estes senhores aqui, seguir uma lista de 13 coisas a evitar. Sei, há mil e uma listas destas hoje em dia... Talvez seja mais do mesmo, mas apeteceu-me. E escolhi esta porque não me diz o que fazer, mas o que não fazer J:
  1. Não perder tempo a ter pena de mim própria
  2. Não abdicar do meu poder sobre mim mesma
  3. Não evitar a mudança
  4. Não perder energia com coisas que não consigo controlar
  5. Não me preocupar demasiado em agradar aos outros
  6. Não ter receio de arriscar
  7. Não me martirizar com o passado
  8. Não cometer os mesmos erros repetidamente
  9. Não me ressentir com o sucesso dos outros
  10. Não desistir à primeira
  11. Não temer o silêncio ou o estar sozinha
  12. Não partir do princípio que o mundo me deve alguma coisa
  13. Não esperar resultados imediatos de nada, ou seja, ser paciente


A minha prenda para mim mesmo é usar uma pitadinha de um ou mais destes ingredientes pelo menos uma vez por dia. E, ao longo do tempo, cozinhá-los com um tempero primordial: o bom senso.
OK, talvez misturando alguns dos ingredientes de outra receita de há uns tempos atrás, esta muito minha e que tem vindo a resultar (pequenos nadas).

E venham os próximos 45! 
Depois logo revejo a situação J


NOTA IMPORTANTE: dedico este artigo a todos os que me acompanharam, num ou noutro momento, nestes 45 anos de existência. Algures neste percurso todos vós me ensinaram algo que faz de mim quem sou. Neste mundo ou noutro, presentes ou ausentes, perto ou longe, bem haja por fazerem parte das minhas memórias.

sexta-feira, agosto 01, 2014

Media, normal e moda...

Por isto é que eu não leio jornais.

(imagem de Leunig)

sexta-feira, julho 18, 2014

O futuro ontem

Corro o risco de ser processada por plágio, por ter dado a este artigo o nome de uma "rubrica" dentro do programa Portugalex, da Antena 1, mas foi o título que melhor encontrei para dar a mais um dos meus desabafos.
A grande diferença é que o Portugalex é para rir e o motivo que me leva a escrever este artigo deixou-me triste.

Há dias ouvi, na rádio, uma notícia que estava relacionada com a abertura da época de candidaturas ao ensino superior. A meio dessa peça há um testemunho de um jovem que parece apreensivo e que alega algo do género "ainda há um mês atrás tinha de pedir para ir à casa de banho e agora obrigam-me a escolher uma opção que me vai seguir para o resto da vida".

Também tive dúvidas e (muita) insegurança quando foi para escolher o que queria seguir na faculdade. E o que segui acabou por me permitir a entrada numa empresa onde fiquei mais de 20 anos.

Não estou a criticar este jovem em particular, nem muitos que provavelmente sentem o mesmo (embora o seu discurso desse pano para mangas).
Mas eu acabei o meu curso no início dos anos noventa... no século passado... e hoje o que faço não tem nada a ver com o que aprendi por lá.

Lembro-me também de ter ouvido uma vez um testemunho de alguém que estava a tirar uma licenciatura em astronomia, não me lembro onde. E, em resposta à eterna questão sobre o que iria fazer com o "canudo", respondeu que, em Portugal, não se pensa como em outros sítios: a formação (neste caso, a do ensino superior) não serve exclusivamente para ter um emprego, nem deve ser considerada como condição de partida para se ter um. Deve, sim, ser vista como uma janela para novos horizontes.
Se trouxer com isso algo mais, melhor.
Se não, temos de estar preparados, com outras ferramentas, para levar a nossa vida para diante.

Em jeito de conclusão, para não me alongar muito:
1 - ninguém é obrigado a tirar um curso superior: há outras alternativas
2 - pode sempre mudar de ideias a meio do caminho (ou mesmo no final), ou arranjar alternativas em paralelo
3 - o curso que se escolhe não nos ensina tudo (às vezes nem nos ensina nada do que vamos precisar depois)
4 - temos sempre a formação que nos é dada com a experiência de vida e há que tirar partido das janelas que se vão abrindo: o futuro não é uma linha reta com uma direção bem definida

E, acima de tudo, não pensar que há garantias neste mundo (especialmente nos dias de hoje): há sempre um grau de incerteza, mesmo que as estatísticas digam que aquele é provavelmente o melhor caminho a seguir para se obter o resultado que se pretende.

Talvez fosse este o teor das conversas sobre "o que quero eu da vida" se tivesse um filho em idade escolar.
Aliás, é este o teor que tento dar a qualquer conversa sobre "o que se quer da vida" com qualquer pessoa. Porque acredito que todos temos um papel na evolução dos jovens do presente, para olharem para o futuro. Com uma visão alargada, sem prisões ao passado ou a dogmas estabelecidos.

sexta-feira, junho 20, 2014

A minha alimentação

“As pessoas começam por abandonar a alimentação vazia e fácil ["alimentação laxista”], fonte de inúmeras doenças. Depois, desencantadas com a alimentação científica, que apenas procura manter a vida biológica, muitas passam a uma alimentação de princípio ["baseada em princípios espirituais e numa filosofia idealista"]. Finalmente, ultrapassando-a, chega-se à alimentação não-discriminatória da pessoa natural”.
Masanobu Fukuoka
(no capítulo “Resumo sobre a alimentação” do livro “A revolução de uma palha”)


À questão: "Você é vegan, certo?", a autora deste artigo responde: “Não”.

O discurso dela é tão consentâneo com o que sinto (e com o que me dá vontade de responder quando me questionam sobre o meu atual regime aimentar) que faço minhas as suas palavras.

“Ah então você isto ou aquilo ..."
 “Não.. Eu não sou uma praticante de nenhuma dieta específica. (…)
Qual é a minha regra de ouro em uma alimentação saudável? Comer para me sentir bem. Eu gosto de uma dieta rica em vegetais porque me faz sentir bem. (...) eu até posso ter uma leve obsessão por legumes: cozinhá-los, tirar-lhes fotos, procurá-los de propósito para comprar ...
Seguir uma alimentação saudável pode ser complicado, se se deixar, mas se desacelerarmos e nos ouvirmos com atenção, podemos ser conduzidos na direção certa.
Ou talvez optar pelo cheeseburger num determinado momento. E isso não faz mal.
Se eu tivesse uma dieta, manifestamente seria algo como isto:
  • Comer tantos vegetais quanto possível.
  • Beber muitos líquidos.
  • Não manter coisinhas para petiscar que não sejam saudáveis ​​muito perto.
  • Comer alimentos frescos, o mais perto de acabados de apanhar, quando possível.
  • Ser criativo.
  • Comer para se sentir bem.
  • Aproveitar o resto.”
E é isto.

segunda-feira, junho 02, 2014

Uma noite com Chick


Grande auditório do CCB, sábado, 31 de maio. Jazz ao seu mais alto nível.

Faço minhas as palavras da jazz.pt neste artigo (e a foto do início também é deles) e transcrevo o texto que exprime exatamente o que mais gostei dessa noite memorável:
"(...) bela leitura de “Waltz for Debbie” (Bill Evans), (...) a exploração das harmonias angulosas de “Work”, de Monk*. Surpreendeu quando juntou “Pastime Paradise” de Stevie Wonder à Mazurka em Lá menor op. 17 n.º 4 de Fryderyk Chopin, aproximando dois universos que só a presunção (e a ignorância) teimam em separar."
"(...) a elegância melódica, a gestão rigorosa de articulações e dinâmicas, a fluidez consequente na improvisação."

*NOTA: Thelonious Monk é, para mim, um universo de muito difícil acesso. Curiosamente, foi uma das músicas que mais gostei no concerto de Chick Corea...

E digo mais: Jazz ao seu mais alto nível.

terça-feira, abril 08, 2014

a Natureza


“Os sábios pensam que são capazes de compreender a Natureza. É a posição que assumem. Porque estão convencidos de que podem compreender a Natureza, confiamos-lhes o seu estudo e a sua exploração. Contudo, penso que a compreensão da Natureza ultrapassa o alcance da inteligência humana.”

“Rejeito a imagem vazia da Natureza como imagem criada pela inteligência humana e distingo‑a claramente da própria Natureza que é experienciada pela inteligência não-discriminatória.” (…)

“A Ocidente, as ciências naturais desenvolveram-se a partir do conhecimento discriminatório; no Oriente, a filosofia do yin e do yang, do I Ching, desenvolveu-se a partir da mesma origem. Mas a verdade científica jamais poderá atingir uma verdade absoluta, e as filosofias, afinal, não passam de interpretações do mundo. A Natureza tal como ela é apreendida pelo conhecimento científico, é uma Natureza que foi destruída; é um fantasma possuindo um esqueleto mas sem alma. A Natureza tal como ela é apreendida pelo conhecimento filosófico, é uma teoria nascida da especulação humana, um fantasma com uma alma mas sem estrutura.
Não há outro meio para atingir o conhecimento não-discriminatório senão a intuição directa, mas as pessoas tentam ajustá-la a uma construção familiar chamando-lhe “instinto”. É na realidade um conhecimento de origem indizível. Para conhecer a verdadeira aparência da Natureza, devemos abandonar o espírito de discriminação e ultrapassar o mundo da relatividade. Para começar, não há Ocidente nem Oriente, nem quatro estações, nem yin nem yang. (…) Quando o indivíduo é capaz de entrar num mundo em que os dois aspectos de yin e de yang regressam à sua unidade original, a missão destes símbolos está terminada.”

“Quanto aos sábios, apesar da importância da sua inquirição sobre a Natureza e da profundeza da sua pesquisa, acabam finalmente por se limitar a constatar até que ponto a Natureza é realmente perfeita e misteriosa. Acreditar que através da pesquisa e da invenção a humanidade pode criar algo melhor do que a Natureza é uma ilusão. Penso que a única razão porque as pessoas lutam é para chegar a compreender aquilo a que se poderia chamar a grande incompreensibilidade da Natureza.”

in "A Revolução de uma palha", Masanobu Fukuoka

quinta-feira, outubro 10, 2013

Criação, Caminho, Construção


Ontem foi um dia que assinalou um marco especial na minha vida.
Já uma vez tinha deixado umas notas provenientes de um texto de Miguel Esteves Cardoso que diz que: "O casamento não é um contrato nem uma relação. Relações temos nós com toda a gente."

Chame-se o que se quiser. Casamento, seja.
Diz também que "É uma criação. É criado por duas pessoas que se amam. (...) É um filho inteiramente dependente de nós. (...) Quando esse filho é amado por ambos (...) que cuidam dele como se cuida de um filho que vai crescendo -, o casamento é feliz. Não basta que os casados se amem um ao outro. Têm também de amar o casamento que criaram."

Para mim, o casamento (que não precisa de um papel ou de uma aliança para o definir) é feito de todos os passos de um caminho que não tem fim, passadas pequenas ou grandes, até passinhos para trás; de todas as pedras de uma construção que nunca está terminada: pedras colocadas com cuidado ou arremessadas, estáveis ou que se desmoronam.

Tudo faz parte desse caminho, tudo faz parte dessa construção.
E esse caminho, essa construção, fazem parte de nós, integram o nosso ser, seja lá qual for o tamanho da janela temporal que ocupa na nossa vida.

Aqui fica a minha singela homenagem a todos os companheiros de vida de alguém.
Em especial ao meu.

segunda-feira, setembro 30, 2013

Ganhou a força em que (não) votei.


A Constituição diz, no seu Artigo 2.º, que “A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.”

Somos uma democracia indireta, isto é, “um regime político em que o povo delega o exercício do poder soberano nos seus representantes eleitos por sufrágio ou votação”. 
(Dicionário da Língua Portuguesa Comtemporânea da Academia de Ciências de Lisboa)

Aprofundamento da democracia participativa?
Ora então vejamos: entre 2005 e 2011, a abstenção situou-se em cerca de 39 a 41% (aumentou, pouquinho mas aumentou). Nestas eleições, foi superior a 47%. Se somarmos a esta percentagem os brancos e os nulos, temos a módica quantia de 54%.

Soberania popular?
Pois, é verdade, a maioria absoluta está com os não votantes em força política nenhuma.

Afinal de contas, por linhas tortas, acabou de se cumprir o ponto 1 do Artigo 10.º da nossa Constituição “O povo exerce o poder político através do sufrágio universal, igual, directo, secreto e periódico, do referendo e das demais formas previstas na Constituição.”
… Ganhou “o povo”…

E isto vale de alguma coisa?
Não, a Constituição não prevê a reavaliação do sistema quando a maioria diz, por meio do instrumento que é considerado o mais representativo de uma democracia indireta, que não acredita no sistema.

Como nota final, refiro que a Constituição também diz, no seu  Artigo 22.º, que “O Estado e as demais entidades públicas são civilmente responsáveis, em forma solidária com os titulares dos seus órgãos, funcionários ou agentes, por acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício, de que resulte violação dos direitos, liberdades e garantias ou prejuízo para outrem”.

Hmmm… Responsabilidade? Quem tem arcado com ela estas últimas décadas?


Pela primeira vez na minha vida, não votei por opção. Não em branco, não nulo, simplesmente não votei no sistema. Coloquei-me deliberadamente à parte. Porque já não acredito nele.

Mas ainda não se trata das legislativas. Lá chegaremos, a seu tempo. Giro, giro, era apresentarmo-nos todos à Presidência da República no dia seguinte ao ato eleitoral, caso os resultados fossem a “nosso favor” outra vez.
"A ver vamos, como diz o ceguinho".

segunda-feira, setembro 16, 2013

Minimalismo e simplicidade

Imagem daqui.

Aprendi o significado do minimalismo com a minha irmã. Numa idade em que nenhuma de nós sabia que isso existia e em que eu, por ser a mais velha, achava que lhe ensinava coisas a ela.

Mais tarde fui contactando com esta temática por via de alguma música que me agradou.
Encontrei também algo de minimalismo na meditação.

Mas teimava (e ainda teimo, por força do hábito) em seguir a “via do complicómetro”: tendo (ou querendo…) mais “coisas” do que realmente preciso, aceitando mais compromissos do que aqueles que posso cumprir sem grande stress, estabelecendo metas mais exigentes do que as que realmente me deixam satisfeita… Em suma, acumulando “tralha” material, mental e espiritual, que me leva àquela sensação de vazio inexplicável, e com a angustiante tendência de deixar quase sempre para amanhã o que poderia fazer hoje. Como se as coisas se resolvessem por elas próprias e o mundo, amanhã, estivesse mais límpido. Sem esforço da minha parte. Mas novo dia chegava e, invariavelmente, a coisa recomeçava…

Até que… (espera, que ela encontrou a solução milagrosa e vai-nos fazer uma revelação bombástica de como a sua vida mudou radicalmente e blá blá blá).

Não. Não é de todo assim.
Como disse no início, aprendi o significado do minimalismo era miúda. Mas não “ouvi” o que a minha voz interior me queria dizer e deixei que (maus) hábitos se instalassem.
Pelo que passei uma fase de reaprendizagem e continuo a aprender, todos os dias.

Para mim, o minimalismo não pode ser dissociado da simplicidade. Acho que são duas das ferramentas fundamentais para (vi)ver o mundo que me rodeia de um modo pleno.
Estas ferramentas, combinadas com outras (como numa receita gastronómica que vai variando com o gosto de cada um), permitem-nos ter mais espaço (físico, mental e intelectual) para as coisas que realmente interessam.

Verdade, hoje em dia já organizei muita “tralha” material, mental e espiritual. Desde abdicar de roupa e outros objetos que só ocupam espaço, a simplificar a minha agenda, passando por selecionar os hobbies e estabelecer prioridades para as minhas rotinas diárias, sinto que já dei alguns passos no caminho certo. Já me sinto mais em paz comigo própria, mais familiarizada com o meu silêncio interior. 
Mas a guerra continua. Com batalhas diárias, nem sempre bem sucedidas.

Porque o mundo que nos envolve, hoje em dia, cria-nos dificuldades a todos os níveis (que parecem impossibilidades, mas se as analisarmos bem de perto e com calma, chegamos, mais tarde ou mais cedo, à conclusão que não é bem assim).

(Recentemente, dei-me conta que existe todo um movimento baseado no minimalismo que se poderá intitular de filosofia ou modo de vida. Livros, blogues, páginas na internet, grupos no facebook… São bons para alertar e nos dar algumas ideias da experiência de outras pessoas, do que se vai pensando por aí, mas não há regras para isto e ninguém melhor que nós próprios para pôr pés ao caminho e encontrar a direção que mais nos convém).

Independentemente de estar “na moda”, e atendendo a que considero esta expressão algo pejorativa, sei que tenho ainda muito que aprender com o minimalismo e com a simplicidade.


E com a minha irmã J.

segunda-feira, agosto 19, 2013

Comunicação assertiva.

Um dos meus horizontes é a assertividade.

Quando não se impõe, por fatores externos ou interiores, o silêncio (que também pode ser um sinal de assertividade), acho que devemos expressar a nossa opinião, sem com isso nos impormos nem, obviamente, ofender ninguém intencionalmente.

Esta expressão é tanto um direito como um dever de cada um de nós, enquanto cidadãos do mundo. E um dever acima de tudo porque, a expressão de opiniões, quando feita de uma forma consciente, fundamentada e assertiva, contribui quer para uma discussão saudável, quer para possíveis reflexões individuais. Coisas que, infelizmente, escasseiam nestes nossos dias de hoje...

Esta minha reflexão foi despoletada por um artigo escrito por Trina (“Why I Quit My Yoga Class”) partilhado na página do facebook do blogue da Rita (“The Busy Woman and the Stripy Cat”). Pelo artigo em si e pelos comentários que despoletou.

Considero-me  uma praticante “superficial” de yoga, com alguns conhecimentos (muito básicos); sou proveniente de uma família cristã, mas “auto-classifico-me” como agnóstica; não me identifico com as apreensões específicas do artigo da Trina.  Mas li o artigo até ao fim. E a minha brevíssima conclusão é que se trata de uma opinião individual, resultante de uma reflexão interior, de alguém que teve a coragem de a expressar e a virtude de o fazer de um modo que considero assertivo. 
E confesso que a questão que ela coloca no fim abriu em mim um espaço para a minha própria reflexão interior.

Posto isto, fiquei num misto de tristeza e alegria: triste pela agressividade expressa em alguns dos comentários, e contente pela constatação de existirem pessoas como a Rita que, apesar das divergências de pensamento e de crenças, têm a capacidade de dialogar sem atropelos. E de manter a vontade de aprender com quem discordam.


Para seres pensadores com vontade de aprender, a comunicação só se faz quando há alguém disposto a expressar a sua mensagem e alguém disposto a receber essa mensagem. 
Independentemente da análise de conteúdo e das conclusões que tira para si próprio.

quarta-feira, julho 24, 2013

Coração, coração...



(…) Coração independente,
Coração que não comando:
Vive perdido entre a gente,
Teimosamente sangrando,
Coração independente (…)
(Amália Rodrigues)

(…) É fantástico
A gente sentir o que não quer
E ter um coração independente.
(Fernando Pessoa)

Há um programa na Antena 1, que ouço com frequência com gosto, por conciliar textos lucidamente concisos e excertos de canções num curto espaço de tempo bem editado.
É o “A contar” de David Ferreira.

E o programa de hoje revela a intereseção que existe entre Amália Rodrigues e Fernando Pessoa: uma letra insolitamente da autoria da primeira (talvez porque única de entre todas as restantes letras que, até ali, eram da autoria de outrem e que, segundo consta, a própria Amália não quis inicialmente revelar que era dela) e um escrito de Pessoa, apenas dado a conhecer ao mundo pelas mãos de Richard Zenith 4 anos após a morte da fadista.

Tomara todos ouvíssemos o nosso coração com atenção. Ele, às vezes, diz, baixinho, coisas certas. O mundo seria um local melhor… Ou seríamos todos mais felizes. O que vai dar ao mesmo.


Para ouvir o programa na íntegra (curto, como disse, e que vale bem a pena, na minha opinião), clicar aqui.
(programa de 24 de julho. Podem andar com a publicidade para a frente no canto superior direito :) )

quinta-feira, junho 06, 2013

Pérola de outono...

... num tímido mar de primavera.

Ou sensibilidade poética em forma de canção.



"Não gosto nada que esperem de mim. Só prometo que não me vou embora."

Ainda bem.
Mais Márcia aqui e aqui.

quarta-feira, maio 29, 2013

Santimana

Uma semana em Santiago dos Velhos...

sexta-feira, abril 26, 2013

As florestas


"O vegetal (...) é a pedra fundamental de todo o sistema vivo, do qual dependemos hoje".

Imagens extraordinárias, umas fabulosas, outras aterradoras.
E verdades incontornáveis...



Filme oficial do Ano Internacional das Florestas. Dirigido por Yann Arthus-Bertrand para as Nações Unidas.

quarta-feira, dezembro 26, 2012

nāscor


A palavra natal provém de nātālis, uma palavra derivada do verbo latim nāscor (nascer).

Como adjetivo, significa também o local onde ocorreu o nascimento de alguém ou de alguma coisa e, nos países eslavos e ortodoxos, cujos calendários eram baseados no calendário juliano, o Natal é comemorado no dia 7 de janeiro), originalmente destinado a celebrar o nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno (natalis invicti Solis)*: nos primórdios dos tempos, o Homem assistia ao diminuir do dia, fenómeno progressivamente aterrador principalmente a partir do equinócio de setembro, em que as trevas ganhavam terreno à luz do Sol. No solstício de inverno, a tendência alterava-se, trazendo nova esperança com o novo ciclo da vida.

Ironicamente (ou talvez não), estava “previsto” o fim do mundo para a data do solstício de inverno, no passado dia 21. Não aconteceu (pelo menos, que tivéssemos dado por isso… e digo isto com o mínimo de ironia possível. Matéria para outra volta…).

Voltando ao fio da meada, entre o dia 21 de dezembro e o dia 7 de janeiro assistimos a uma série de (re)nascimentos: o solstício, a celebração do Natal cristão, o nascer de um novo ano.

Assim, o inverno é, também ele, uma época de renovadas esperanças.

Este artigo é especialmente dedicado a todos os que se sentem, de um modo ou de outro, como uma tarde invernosa: tal como as árvores de folha caduca, também nós precisamos de um intervalo para recuperar forças. Mas com a certeza que o Sol lá estará para nos ajudar a despertar de novo.

E haverá melhor tema para terminar do que o "Jardim de Inverno", com a voz fresca da Susana Félix?

Mas eu fiquei,
me levantei,
o sol nasceu p'ra mim .
No meu quintal
nasceu novo jardim.

Boas Festas a todos! E façam-me o favor de serem felizes!



* - Adaptado da Wikipedia

sábado, novembro 03, 2012

O exemplo da Islândia...



A Islândia é um país que, com uma área total um pouco superior à de Portugal (cerca de 100.000 km2, números redondos), tem menos de 320 mil habitantes (cerca de 3% da população portuguesa). E é uma ilha.

Este é um vídeo que retrata o que por lá aconteceu desde 2008, e que vi recentemente a circular no facebook:

É certo que a recente história da Islândia tem aparecido em círculos muito restritos (assisti, no início deste ano, a dois documentários muito interessantes sobre este tema, de uma série de quatro escolhidos pela Apordoc – contavam-se pelos dedos das mãos quantas pessoas assistiram a estas sessões na sala do Nimas, em Lisboa…)

Mas até que ponto é que, mesmo que aparecesse nos círculos ditos “normais”, serviria de exemplo para alastrar a outros países? Até que ponto é que Portugal pode (quer) seguir este exemplo? Ou o resto da Europa?
Não que eu não gostasse de ver este assunto debatido a sério. Principalmente nas ruas, em tertúlias de pessoas interessadas em mudar as coisas de facto e não apenas nos canais de informação e debate que, por vezes, se tornam elitistas (seja por culpa dos que estão do lado de lá dos media, seja por desinteresse generalizado dos que estão do lado de cá… mas também não é meu intuito entrar no campo das razões para que isto aconteça).

Voltando ao assunto, e voltando ao que vi nos documentários sobre a vida quotidiana do povo islandês entre 2008 e 2011, recordo-me particularmente dos problemas sociais e económicos retratados em “The Future of Hope”, cujo desenrolar de acontecimentos se focaliza nas ações que desabrocharam fruto da resiliência de indivíduos e da comunidade em si. Muito inspirador. Tal como o vídeo que se apresento no início do artigo.
Citando o meu amigo Skopos: “Em The Future of Hope, vemos e ouvimos os testemunhos de diversos islandeses comuns: um empresário arruinado, um professor universitário,  um agricultor biológico, pessoas reformadas, jovens. Ouvimo-los em plena crise. E falam dela com um sorriso, com ideias e com vontade de mudar. Metanoia, já diziam os gregos: mudança de mentalidade. Limpar a casa, deitar fora o que não interessa. E participar ativamente no percurso da sociedade.”

Aqui fala-se de sorrisos. E são sorrisos verdadeiros, sorrisos de alma completa. Sorrisos que resultam de processos interiores muito fortes: uma mudança deste tipo é algo que é muito trabalhoso e demora a dar resultados práticos na vida das pessoas, passando, no ponto em que estamos, por processos muito dolorosos.
Este tipo de mudança não se coaduna, de modo nenhum, com a perspetiva quase obsessiva de melhorias a curto/médio prazo, muito menos com o “voltar” ao modo facilitista com que nos habituaram a viver nesta sociedade de consumo. Tal como já tinha escrito antes, existe atualmente uma muralha de indiferença apática e generalizada que se gerou com a preguiça mental induzida na sociedade do crescimento que, sufocantemente, reina nos dias de hoje. E uma inércia muito forte, uma resistência a mudar, quando essa mudança implica repensar todo um modo de vida, todo um status quo instalado…

O vídeo que se segue dá uma ideia de uma das questões mais prementes hoje em dia: dívida. Nem é preciso compreender todo o texto do artigo onde o encontrei: para bom entendedor, as imagens são suficientemente esclarecedoras.


Estamos preparados para passar, à nossa escala, por tudo que os Islandeses passaram e ainda estão a passar?

Eu gostava que houvesse um grupo representativo de pessoas com capacidade de agir e meios para o fazer a responder SIM a esta questão sem hesitação. Se aí estiverem, contem comigo.

A alternativa é, a meu ver, igualmente dolorosa, arrastando-se por muito mais tempo e não trazendo resultados tão consolidados.

segunda-feira, setembro 10, 2012

PPPs: um exemplo de PQP

Segundo o site da Direção Geral do Tesouro e Finanças, numa secção intitulada "As PPPs em 7 questões", a resposta à questão 3 (Porque se lança uma PPP ) é:
"Constituem finalidades essenciais das PPP o acréscimo de eficiência na afectação de recursos públicos e a melhoria qualitativa e quantiativa do serviço, sendo aplicável a projectos cujo desenvolvimento requer, da parte dos parceiros, elevadas capacidades financeira, técnica e de gestão de recursos e a manutenção de condições de sustentabilidade adequadas durante a vida do contrato".

Ora, ouvi eu hoje, no programa "Olhos nos olhos", cujo convidado da semana foi Avelino Jesus, que:

  • A aplicação prática do modelo das PPPs, em Inglaterra é perfeitamente transparente: a divulgação de informação contém todos os elementos necessários a compreender os cálculos, ou seja, anexos com números (reais...).
  • Em Inglaterra chegaram à conclusão que, face a metodologias tradicionais de construção e exploração, o aumento de despesa da aplicação de um modelo de PPP numa concessão de uma rodovia é de 47%.
  • Adicionalmente, e também em Inglaterra, chegou-se à conclusão que 7% da despesa vai parar às mãos de consultores.
  • Repito: os intervenientes do programa afirmavam que, em Inglaterra, as coisas são transparentes.
  • Em Inglaterra, chegou-se à conclusão que o modelo das PPPs não traz vantagens, na prática.
  • Em Portugal, os relatórios não trazem anexos, ou seja, não há informação suficiente, com números, que permita uma análise imparcial e objetiva dos processos das PPPs associadas a rodovias (SCUTs e outras que tais);
  • Em Portugal existem trabalhos (doutoramento no ISEG)* que levam a valores de diferença entre custos reais das PPPs e custos previsíveis em metodologias tradicionais que ascendem a 80%. 80%... 80%!!
  • Volto a repetir a ideia de transparência dos 47% em Inglaterra contra os "presumíveis" 80% em Portugal, onde "um dos cd que foram enviados ao grupo [que reavaliava as PPPs] estava em branco
  • Quando refutado por certas e determinadas pessoas com argumentos do tipo "ah, mas sabe que há sempre derrapagens, mesmo em metodologias de construção/exploração tradicionais", Avelino Jesus responde com os dados de um mestrado, também do ISEG, que estudou (se não me falha a memória)* 164 casos de obras públicas deste tipo com derrapagens, entre 1999 e 2011. Média: 32%...

*  perdoem-me as ideias vagas, mas estou tão danada que nem consigo lembrar-me bem do que ouvi

O que resta dizer?

Talvez "fuck'em very much".
Ou melhor: Putas ao poder, que os chulos já lá estão... HÁ DÉCADAS!
(E os que já lá não estão, andam para aí a passear-se impunemente)

domingo, setembro 09, 2012

Jazz em blogue português


Com a assinatura de João Moreira dos Santos, aqui está um contributo que irei acompanhar sempre que possível:

http://jnpdi.blogspot.pt/

sexta-feira, agosto 31, 2012

Amanhecer


"Afinal, o futuro é uma mistura de decisões e acaso, que é o nome que se chama àquilo que se desconhece. Era decidir o que fazer e esperar o que viria."

In "Cassiopeia", de um anónimo que sei quem é mas que, como não assinou, vai ficar assim mesmo.

sexta-feira, agosto 03, 2012

Tempo de parar.



A confluência das ideias que transmito no meu último blog * com a minha recente escolha pessoal e profissional vem resumidamente espelhada num livro que anda cá por casa nas mesinhas de cabeceira: “Viver sem chefe”, de Sergio Fernández, dedicado aos empreendedores deste mundo.

* (acrescimento.wordpress.com


Em mais uma publicação que parece que me caiu no colo no momento certo (como tem acontecido com alguns livros no último punhado de anos), o autor refere-se ao Downshifting (descer de categoria profissional para ganhar mais tempo ou qualidade de vida) e ao que ele classifica de “Achar que é preciso crescer sempre” nas páginas dedicadas ao “Erro 5 – Já morreu de sucesso?”.

(Como nota adicional, o capítulo tem uma imagem com a legenda “O seu negócio é uma bonsai ou uma sequoia?”) :)

Transcrevo algumas passagens que, para mim, neste momento em particular, fazem todo o sentido do mundo:

“(…) Cada vez há mais pessoas com a certeza de não quererem subir mais. (…)
Não lhe direi que pare de crescer económica e profissionalmente, nada mais longe da minha intenção, mas digo-lhe, sim, que pense se quer crescer de forma indefinida (…)
Para qualquer estrutura económica, não importa o seu tipo nem a que se dedica, existe uma zona crítica na qual ter sucesso implica deixar de ter sucesso. Porquê? Porque a carga de trabalho impede o cumprimento diligente das obrigações contraídas. () há um momento em que é mais sensato dizer “não”. (…)
Muita luz é como demasiada escuridão: ambas não deixam ver. Aspirar a crescer e a superar-se é uma condição do ser humano, mas é preciso saber fazê-lo, caso contrário depressa se verá numa situação em que o seu trabalho deixará de o satisfazer e, paradoxalmente, isso acontecerá por tê-lo em demasia.
(…) crescer sempre e de modo indefinido, em termos económicos, não é uma obrigação, mas uma opção. O sucesso foi inventado para ser desfrutado. Por favor, não morra de sucesso.”

Já diz o povo “o caminho faz-se caminhando”. Mais um passo gratificantemente doloroso no meu percurso de crescimento pessoal. Sigo em frente, porque “para trás mija a burra”.