sexta-feira, outubro 07, 2016
quarta-feira, julho 22, 2015
quarta-feira, julho 15, 2015
Orgulho na Gorgulho
Uma das estórias da minha vida, que abrange temas que me ocupam maioritariamente o pensamento nos últimos tempos, foi publicada no nº 37 de uma das revistas (senão a revista) que mais prezo atualmente em Portugal: a Gorgulho, editada pela associação Colher para Semear (CPS), da qual muito me orgulho ser sócia.
| para ler mais, clicar aqui |
E, para quem tenha interesse, deixo também o editorial, com um excelente texto, muito pertinente e atual, dedicado à agricultura (dita) familiar e aos meandros desta problemática, nos dias de hoje.
| para ler mais, clicar aqui |
quinta-feira, maio 28, 2015
Paz interior
Tanto procuramos cá fora que nos esquecemos que temos o poder de a encontrar dentro de nós.
E é só respirar :)
(Gosto mesmo da imagem final)
E é só respirar :)
(Gosto mesmo da imagem final)
terça-feira, março 17, 2015
Carta-poema-prosa
à minha mana
Com um certo desconforto de parte a parte por, confessadamente,
me lembrar muito pouco da sua existência inicial como novo rebento da família,
nasceu, faz hoje 40 anos, a minha irmã.
Recordo, porém, vezes sem conta e sempre com um sorriso na
alma, alguns episódios da nossa infância, repetidos quase até à exaustão em
conversas de família, e que me dispenso de aqui relatar.
Mas não me dispenso de sublinhar a importância da sua
intervenção no processo do meu crescimento interior e autoconhecimento, o qual
está particularmente patente, entre outras referências escritas e faladas, neste meu outro artigo.
Inconscientemente ciosa das suas verdades interiores e fiel
depositária das minhas (in)confidências, é a melhor irmã que alguma divindade
ou prognóstico astrológico poderia ter colocado no meu percurso de vida. Pode
estar longe da minha vista, mas nunca do meu coração: nele estará sempre (e
para sempre) presente.
Feliz aniversário, mana.
Com um abraço cósmico, imenso e apertado,
Tua, sempre e para sempre,
Mana.
quinta-feira, março 12, 2015
terça-feira, dezembro 23, 2014
Lamechice de época
Como ainda não tinha aqui deixado a "marca" desta família que me tem acompanhado durante o ano de 2014, fica aqui o testemunho.
Uma derradeira lamechice para este ano, verdadeiramente felino: Boas Festas da Gata Hari e dos filhotes Bob e Specky.
Que 2015 seja sereno como eles e nos dê a sua agilidade para lidar com a vida.
:)
Uma derradeira lamechice para este ano, verdadeiramente felino: Boas Festas da Gata Hari e dos filhotes Bob e Specky.
Que 2015 seja sereno como eles e nos dê a sua agilidade para lidar com a vida.
:)
terça-feira, dezembro 16, 2014
Pausa da pausa
Estou cansada de estar cansada.
Quero descanso de um cansaço geral que se vem apoderando de mim desde esta altura.
Pensei que o isolamento (pelo menos, no que toca à internet e, em particular, ao Facebook) seria a solução.
Não andava longe da verdade. Mas é mais do que isso. Muito mais.
Preciso de um isolamento interior, mas sem me isolar do exterior.
?!?
É isso mesmo. Talvez um pouco na linha do que John Francis me transmitiu no vídeo que partilho de seguida (mais uma vez, bem haja, mana).
Duas ideias principais me ficaram desta mensagem:
- Aprende-se muito mais calando-se a nossa mente tagarela (para isso, é preciso uma autodisciplina consistente e duradoura para ouvir mais os outros, fazendo com que a nossa própria voz interior seja mais uma a ouvir com atenção)
- Tira-se mais partido desse esforço se não cortarmos de vez com a nossa expressão verbal * – tem é de ser uma expressão verbal objetiva, sucinta e proferida apenas quando absolutamente necessário, fruto de uma ponderada introspeção (agir, não reagir).
Daí ter elegido um mote para o meu horizonte, uma palavra a adicionar a todos os meus pensamentos e ao mais pequeno gesto:
quarta-feira, outubro 29, 2014
Estado de espírito
Às vezes encontro coisas que me retratam bem.
Nesta volta da espiral do tempo foi esta:
Nesta volta da espiral do tempo foi esta:
"Meu caro, não se trata de mudar parafusos.
É necessário desmantelar a estrutura."
quarta-feira, setembro 24, 2014
Dia V
Gosto de cozinhar. Descobri ao longo do tempo: tudo começou com a necessidade de descobrir novos sabores para as refeições do dia a dia e é um gosto que tem vindo a aumentar desde que aposto mais numa alimentação maioritariamente à base de vegetais.
Neste percurso de descoberta fui-me "munindo" de alguns livros de receitas: desde o Pantagruel, passando por livros de cozinha tradicional portuguesa, a livros específicos sobre cozinha vegetariana, tenho de tudo um pouco.
Mas tenho de admitir que é muitissimo raro conseguir fazer uma receita exatamente como indicam os livros. De facto, os ingredientes que tenho disponíveis em casa falam (quase) sempre mais alto e, quando tenho tudo, tenho a mania de inventar, dando sempre um toque pessoal a qualquer cozinhado.
Em pratos vegetarianos, então, é quase regra certa que, primeiro, olho para o que consigo retirar da horta e do frigorífico na altura de começar a cozinhar e, se o que está disponível não coincide com alguma receita que me caia no goto, avanço invariavelmente para uma das minhas "Marianadas" (como se diz cá por casa).
Ontem foi "dia Vegan" - sem proteínas animais (nem carne, nem peixe, nem ovos, nem laticínios).
Olhei para o frigorífico e saiu isto:
Neste percurso de descoberta fui-me "munindo" de alguns livros de receitas: desde o Pantagruel, passando por livros de cozinha tradicional portuguesa, a livros específicos sobre cozinha vegetariana, tenho de tudo um pouco.
Mas tenho de admitir que é muitissimo raro conseguir fazer uma receita exatamente como indicam os livros. De facto, os ingredientes que tenho disponíveis em casa falam (quase) sempre mais alto e, quando tenho tudo, tenho a mania de inventar, dando sempre um toque pessoal a qualquer cozinhado.
Em pratos vegetarianos, então, é quase regra certa que, primeiro, olho para o que consigo retirar da horta e do frigorífico na altura de começar a cozinhar e, se o que está disponível não coincide com alguma receita que me caia no goto, avanço invariavelmente para uma das minhas "Marianadas" (como se diz cá por casa).
Ontem foi "dia Vegan" - sem proteínas animais (nem carne, nem peixe, nem ovos, nem laticínios).
Olhei para o frigorífico e saiu isto:
- Almoço: seitan salteado com pimentos picantes, feijão verde e puré de abóbora com limão e sementes de sésamo.
- Jantar: mini-salada de cenoura salteada com cominhos e rúcula com molho de vinagrete de tomate maduro e empadão de pão de azeitonas, feijão frade e cebola gratinado com sementes de sésamo.
A comida vegetariana é enfadonha e sensaborona, não é?
segunda-feira, agosto 25, 2014
1969 - 2014
Como tenho sérias esperanças (como a minha bisavó) de
atingir as nove décadas de existência neste mundo, isto quer dizer que atingi
mais ou menos o ponto médio.
Ou seja, “hoje é o primeiro dia do resto da minha vida”.
Sinto-me como uma criança com todo um mundo pela frente.
E o que se pergunta a alguém assim? Pois... “O que queres
ser quando fores grande?”
Forte. Quero ser forte.
Para tal, parece que é preciso, segundo estes senhores aqui,
seguir uma lista de 13 coisas a evitar. Sei, há mil e uma listas destas hoje em
dia... Talvez seja mais do mesmo, mas apeteceu-me. E escolhi esta porque não me
diz o que fazer, mas o que não fazer J:
- Não perder tempo a ter pena de mim própria
- Não abdicar do meu poder sobre mim mesma
- Não evitar a mudança
- Não perder energia com coisas que não consigo controlar
- Não me preocupar demasiado em agradar aos outros
- Não ter receio de arriscar
- Não me martirizar com o passado
- Não cometer os mesmos erros repetidamente
- Não me ressentir com o sucesso dos outros
- Não desistir à primeira
- Não temer o silêncio ou o estar sozinha
- Não partir do princípio que o mundo me deve alguma coisa
- Não esperar resultados imediatos de nada, ou seja, ser paciente
A minha prenda para mim mesmo é usar uma pitadinha de um ou
mais destes ingredientes pelo menos uma vez por dia. E, ao longo do tempo, cozinhá-los
com um tempero primordial: o bom senso.
OK, talvez misturando alguns dos ingredientes de outra
receita de há uns tempos atrás, esta muito minha e que tem vindo a resultar (pequenos
nadas).
E venham os próximos 45!
Depois logo revejo a situação J
NOTA IMPORTANTE: dedico este artigo a todos os que me acompanharam,
num ou noutro momento, nestes 45 anos de existência. Algures neste percurso
todos vós me ensinaram algo que faz de mim quem sou. Neste mundo ou noutro, presentes
ou ausentes, perto ou longe, bem haja por fazerem parte das minhas memórias.
sexta-feira, agosto 01, 2014
sexta-feira, julho 18, 2014
O futuro ontem
Corro o risco de ser processada por plágio, por ter dado a este artigo o nome de uma "rubrica" dentro do programa Portugalex, da Antena 1, mas foi o título que melhor encontrei para dar a mais um dos meus desabafos.
A grande diferença é que o Portugalex é para rir e o motivo que me leva a escrever este artigo deixou-me triste.
Há dias ouvi, na rádio, uma notícia que estava relacionada com a abertura da época de candidaturas ao ensino superior. A meio dessa peça há um testemunho de um jovem que parece apreensivo e que alega algo do género "ainda há um mês atrás tinha de pedir para ir à casa de banho e agora obrigam-me a escolher uma opção que me vai seguir para o resto da vida".
Também tive dúvidas e (muita) insegurança quando foi para escolher o que queria seguir na faculdade. E o que segui acabou por me permitir a entrada numa empresa onde fiquei mais de 20 anos.
Não estou a criticar este jovem em particular, nem muitos que provavelmente sentem o mesmo (embora o seu discurso desse pano para mangas).
Mas eu acabei o meu curso no início dos anos noventa... no século passado... e hoje o que faço não tem nada a ver com o que aprendi por lá.
Lembro-me também de ter ouvido uma vez um testemunho de alguém que estava a tirar uma licenciatura em astronomia, não me lembro onde. E, em resposta à eterna questão sobre o que iria fazer com o "canudo", respondeu que, em Portugal, não se pensa como em outros sítios: a formação (neste caso, a do ensino superior) não serve exclusivamente para ter um emprego, nem deve ser considerada como condição de partida para se ter um. Deve, sim, ser vista como uma janela para novos horizontes.
Se trouxer com isso algo mais, melhor.
Se não, temos de estar preparados, com outras ferramentas, para levar a nossa vida para diante.
Em jeito de conclusão, para não me alongar muito:
1 - ninguém é obrigado a tirar um curso superior: há outras alternativas
2 - pode sempre mudar de ideias a meio do caminho (ou mesmo no final), ou arranjar alternativas em paralelo
3 - o curso que se escolhe não nos ensina tudo (às vezes nem nos ensina nada do que vamos precisar depois)
4 - temos sempre a formação que nos é dada com a experiência de vida e há que tirar partido das janelas que se vão abrindo: o futuro não é uma linha reta com uma direção bem definida
E, acima de tudo, não pensar que há garantias neste mundo (especialmente nos dias de hoje): há sempre um grau de incerteza, mesmo que as estatísticas digam que aquele é provavelmente o melhor caminho a seguir para se obter o resultado que se pretende.
Talvez fosse este o teor das conversas sobre "o que quero eu da vida" se tivesse um filho em idade escolar.
Aliás, é este o teor que tento dar a qualquer conversa sobre "o que se quer da vida" com qualquer pessoa. Porque acredito que todos temos um papel na evolução dos jovens do presente, para olharem para o futuro. Com uma visão alargada, sem prisões ao passado ou a dogmas estabelecidos.
A grande diferença é que o Portugalex é para rir e o motivo que me leva a escrever este artigo deixou-me triste.
Há dias ouvi, na rádio, uma notícia que estava relacionada com a abertura da época de candidaturas ao ensino superior. A meio dessa peça há um testemunho de um jovem que parece apreensivo e que alega algo do género "ainda há um mês atrás tinha de pedir para ir à casa de banho e agora obrigam-me a escolher uma opção que me vai seguir para o resto da vida".
Também tive dúvidas e (muita) insegurança quando foi para escolher o que queria seguir na faculdade. E o que segui acabou por me permitir a entrada numa empresa onde fiquei mais de 20 anos.
Não estou a criticar este jovem em particular, nem muitos que provavelmente sentem o mesmo (embora o seu discurso desse pano para mangas).
Mas eu acabei o meu curso no início dos anos noventa... no século passado... e hoje o que faço não tem nada a ver com o que aprendi por lá.
Lembro-me também de ter ouvido uma vez um testemunho de alguém que estava a tirar uma licenciatura em astronomia, não me lembro onde. E, em resposta à eterna questão sobre o que iria fazer com o "canudo", respondeu que, em Portugal, não se pensa como em outros sítios: a formação (neste caso, a do ensino superior) não serve exclusivamente para ter um emprego, nem deve ser considerada como condição de partida para se ter um. Deve, sim, ser vista como uma janela para novos horizontes.
Se trouxer com isso algo mais, melhor.
Se não, temos de estar preparados, com outras ferramentas, para levar a nossa vida para diante.
Em jeito de conclusão, para não me alongar muito:
1 - ninguém é obrigado a tirar um curso superior: há outras alternativas
2 - pode sempre mudar de ideias a meio do caminho (ou mesmo no final), ou arranjar alternativas em paralelo
3 - o curso que se escolhe não nos ensina tudo (às vezes nem nos ensina nada do que vamos precisar depois)
4 - temos sempre a formação que nos é dada com a experiência de vida e há que tirar partido das janelas que se vão abrindo: o futuro não é uma linha reta com uma direção bem definida
E, acima de tudo, não pensar que há garantias neste mundo (especialmente nos dias de hoje): há sempre um grau de incerteza, mesmo que as estatísticas digam que aquele é provavelmente o melhor caminho a seguir para se obter o resultado que se pretende.
Talvez fosse este o teor das conversas sobre "o que quero eu da vida" se tivesse um filho em idade escolar.
Aliás, é este o teor que tento dar a qualquer conversa sobre "o que se quer da vida" com qualquer pessoa. Porque acredito que todos temos um papel na evolução dos jovens do presente, para olharem para o futuro. Com uma visão alargada, sem prisões ao passado ou a dogmas estabelecidos.
sexta-feira, junho 20, 2014
A minha alimentação
“As pessoas começam por abandonar
a alimentação vazia e fácil ["alimentação laxista”], fonte de inúmeras doenças.
Depois, desencantadas com a alimentação científica, que apenas procura manter a
vida biológica, muitas passam a uma alimentação de princípio ["baseada em
princípios espirituais e numa filosofia idealista"]. Finalmente,
ultrapassando-a, chega-se à alimentação não-discriminatória da pessoa natural”.
Masanobu Fukuoka
(no capítulo “Resumo sobre a
alimentação” do livro “A revolução de uma palha”)
À questão:
"Você é vegan, certo?", a autora deste artigo responde: “Não”.
O discurso
dela é tão consentâneo com o que sinto (e com o que me dá vontade de responder
quando me questionam sobre o meu atual regime aimentar) que faço minhas as suas
palavras.
“Ah então
você isto ou aquilo ..."
“Não.. Eu não sou uma praticante de nenhuma
dieta específica. (…)
Qual é a
minha regra de ouro em uma alimentação saudável? Comer para me sentir bem. Eu
gosto de uma dieta rica em vegetais porque me faz sentir bem. (...) eu até
posso ter uma leve obsessão por legumes: cozinhá-los, tirar-lhes fotos, procurá-los
de propósito para comprar ...
Seguir uma
alimentação saudável pode ser complicado, se se deixar, mas se desacelerarmos e
nos ouvirmos com atenção, podemos ser conduzidos na direção certa.
Ou talvez
optar pelo cheeseburger num
determinado momento. E isso não faz mal.
Se eu
tivesse uma dieta, manifestamente seria algo como isto:
- Comer tantos vegetais quanto possível.
- Beber muitos líquidos.
- Não manter coisinhas para petiscar que não sejam saudáveis muito perto.
- Comer alimentos frescos, o mais perto de acabados de apanhar, quando possível.
- Ser criativo.
- Comer para se sentir bem.
- Aproveitar o resto.”
segunda-feira, junho 02, 2014
Uma noite com Chick
Grande auditório do CCB, sábado, 31 de maio. Jazz ao seu mais alto nível.
Faço minhas as palavras da jazz.pt neste artigo (e a foto do início também é deles) e transcrevo o texto que exprime exatamente o que mais gostei dessa noite memorável:
"(...) bela leitura de “Waltz for Debbie” (Bill Evans), (...) a exploração das harmonias angulosas de “Work”, de Monk*. Surpreendeu quando juntou “Pastime Paradise” de Stevie Wonder à Mazurka em Lá menor op. 17 n.º 4 de Fryderyk Chopin, aproximando dois universos que só a presunção (e a ignorância) teimam em separar."
"(...) a elegância melódica, a gestão rigorosa de articulações e dinâmicas, a fluidez consequente na improvisação."
*NOTA: Thelonious Monk é, para mim, um universo de muito difícil acesso. Curiosamente, foi uma das músicas que mais gostei no concerto de Chick Corea...
E digo mais: Jazz ao seu mais alto nível.
terça-feira, abril 08, 2014
a Natureza
“Os sábios pensam que são capazes de compreender a Natureza.
É a posição que assumem. Porque estão convencidos de que podem compreender a
Natureza, confiamos-lhes o seu estudo e a sua exploração. Contudo, penso que a
compreensão da Natureza ultrapassa o alcance da inteligência humana.”
“Rejeito a imagem vazia da Natureza como imagem criada pela
inteligência humana e distingo‑a claramente da própria Natureza que é
experienciada pela inteligência não-discriminatória.” (…)
“A Ocidente, as ciências naturais desenvolveram-se a partir
do conhecimento discriminatório; no Oriente, a filosofia do yin e do yang, do I
Ching, desenvolveu-se a partir da mesma origem. Mas a verdade científica jamais
poderá atingir uma verdade absoluta, e as filosofias, afinal, não passam de
interpretações do mundo. A Natureza tal como ela é apreendida pelo conhecimento
científico, é uma Natureza que foi destruída; é um fantasma possuindo um
esqueleto mas sem alma. A Natureza tal como ela é apreendida pelo conhecimento
filosófico, é uma teoria nascida da especulação humana, um fantasma com uma
alma mas sem estrutura.
Não há outro meio para atingir o conhecimento
não-discriminatório senão a intuição directa, mas as pessoas tentam ajustá-la a
uma construção familiar chamando-lhe “instinto”. É na realidade um conhecimento
de origem indizível. Para conhecer a verdadeira aparência da Natureza, devemos
abandonar o espírito de discriminação e ultrapassar o mundo da relatividade.
Para começar, não há Ocidente nem Oriente, nem quatro estações, nem yin nem
yang. (…) Quando o indivíduo é capaz de entrar num mundo em que os dois
aspectos de yin e de yang regressam à sua unidade original, a missão destes
símbolos está terminada.”
“Quanto aos sábios, apesar da importância da sua inquirição sobre
a Natureza e da profundeza da sua pesquisa, acabam finalmente por se limitar a
constatar até que ponto a Natureza é realmente perfeita e misteriosa. Acreditar
que através da pesquisa e da invenção a humanidade pode criar algo melhor do
que a Natureza é uma ilusão. Penso que a única razão porque as pessoas lutam é
para chegar a compreender aquilo a que se poderia chamar a grande
incompreensibilidade da Natureza.”
in "A Revolução de uma palha", Masanobu Fukuoka
quinta-feira, outubro 10, 2013
Criação, Caminho, Construção
Ontem foi um dia que assinalou um marco especial na minha
vida.
Já uma vez tinha deixado umas notas provenientes de um texto
de Miguel Esteves Cardoso que diz que: "O casamento não é um contrato nem uma relação. Relações temos nós com toda a gente."
Chame-se o que se quiser. Casamento, seja.
Diz também que "É uma criação. É criado por duas pessoas que se amam. (...) É um filho inteiramente dependente de nós. (...) Quando esse filho é amado por ambos (...) que cuidam dele como se cuida de um filho que vai crescendo -, o casamento é feliz. Não basta que os casados se amem um ao outro. Têm também de amar o casamento que criaram."
Para mim, o casamento (que não precisa de um papel ou de uma aliança para o definir) é feito de todos os passos de um
caminho que não tem fim, passadas pequenas ou grandes, até passinhos para trás;
de todas as pedras de uma construção que nunca está terminada: pedras colocadas
com cuidado ou arremessadas, estáveis ou que se desmoronam.
Tudo faz parte desse caminho, tudo faz parte dessa
construção.
E esse caminho, essa construção, fazem parte de nós,
integram o nosso ser, seja lá qual for o tamanho da janela temporal que ocupa
na nossa vida.
Aqui fica a minha singela homenagem a todos os companheiros
de vida de alguém.
Em especial ao meu.
segunda-feira, setembro 30, 2013
Ganhou a força em que (não) votei.
A Constituição diz, no seu Artigo 2.º, que “A República Portuguesa é um Estado de
direito democrático, baseado na soberania
popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no
respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e
na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia
económica, social e cultural e o aprofundamento
da democracia participativa.”
Somos uma democracia indireta, isto é, “um regime político
em que o povo delega o exercício do poder soberano nos seus representantes
eleitos por sufrágio ou votação”.
(Dicionário da Língua Portuguesa Comtemporânea da Academia de Ciências de Lisboa)
Aprofundamento da democracia participativa?
Ora então vejamos: entre 2005 e 2011, a abstenção situou-se
em cerca de 39 a 41% (aumentou, pouquinho mas aumentou). Nestas eleições, foi
superior a 47%. Se somarmos a esta percentagem os brancos e os nulos, temos a
módica quantia de 54%.
Soberania popular?
Pois, é verdade, a maioria absoluta está
com os não votantes em força política nenhuma.
Afinal de contas, por linhas tortas, acabou de se cumprir o
ponto 1 do Artigo 10.º da nossa Constituição “O povo exerce o poder político através do sufrágio universal, igual,
directo, secreto e periódico, do referendo e das demais formas previstas na
Constituição.”
… Ganhou “o povo”…
E isto vale de alguma coisa?
Não, a Constituição não prevê a reavaliação do sistema quando
a maioria diz, por meio do instrumento que é considerado o mais representativo
de uma democracia indireta, que não acredita no sistema.
Como nota final, refiro que a Constituição também diz, no
seu Artigo 22.º, que “O Estado e as demais entidades públicas são
civilmente responsáveis, em forma solidária com os titulares dos seus órgãos,
funcionários ou agentes, por acções ou omissões praticadas no exercício das
suas funções e por causa desse exercício, de que resulte violação dos direitos,
liberdades e garantias ou prejuízo para outrem”.
Hmmm… Responsabilidade? Quem tem arcado com ela estas últimas
décadas?
Pela primeira vez na minha vida, não votei por opção. Não em branco, não nulo, simplesmente não votei no sistema. Coloquei-me deliberadamente à parte. Porque já não acredito nele.
Mas ainda não se trata das legislativas. Lá chegaremos, a
seu tempo. Giro, giro, era apresentarmo-nos todos à Presidência da República no
dia seguinte ao ato eleitoral, caso os resultados fossem a “nosso favor” outra
vez.
"A ver vamos, como diz o ceguinho".
segunda-feira, setembro 16, 2013
Minimalismo e simplicidade
Aprendi o significado do minimalismo com a minha irmã. Numa
idade em que nenhuma de nós sabia que isso existia e em que eu, por ser a mais
velha, achava que lhe ensinava coisas a ela.
Mais tarde fui contactando com esta temática por via de
alguma música que me agradou.
Encontrei também algo de minimalismo na meditação.
Mas teimava (e ainda teimo, por força do hábito) em seguir a
“via do complicómetro”: tendo (ou querendo…) mais “coisas” do que realmente
preciso, aceitando mais compromissos do que aqueles que posso cumprir sem
grande stress, estabelecendo metas mais exigentes do que as que realmente me
deixam satisfeita… Em suma, acumulando “tralha” material, mental e espiritual,
que me leva àquela sensação de vazio inexplicável, e com a angustiante
tendência de deixar quase sempre para amanhã o que poderia fazer hoje. Como se
as coisas se resolvessem por elas próprias e o mundo, amanhã, estivesse mais
límpido. Sem esforço da minha parte. Mas novo dia chegava e, invariavelmente, a
coisa recomeçava…
Até que… (espera, que ela encontrou a solução milagrosa e
vai-nos fazer uma revelação bombástica de como a sua vida mudou radicalmente e blá blá blá).
Não. Não é de todo assim.
Como disse no início, aprendi o significado do minimalismo
era miúda. Mas não “ouvi” o que a minha voz interior me queria dizer e deixei
que (maus) hábitos se instalassem.
Pelo que passei uma fase de reaprendizagem e continuo a aprender, todos os dias.
Para mim, o minimalismo não pode ser dissociado da
simplicidade. Acho que são duas das ferramentas fundamentais para (vi)ver o
mundo que me rodeia de um modo pleno.
Estas ferramentas, combinadas com outras (como numa receita
gastronómica que vai variando com o gosto de cada um), permitem-nos ter mais
espaço (físico, mental e intelectual) para as coisas que realmente interessam.
Verdade, hoje em dia já organizei muita “tralha” material,
mental e espiritual. Desde abdicar de roupa e outros objetos que só ocupam
espaço, a simplificar a minha agenda, passando por selecionar os hobbies e
estabelecer prioridades para as minhas rotinas diárias, sinto que já dei alguns
passos no caminho certo. Já me sinto mais em paz comigo própria, mais familiarizada
com o meu silêncio interior.
Mas a guerra continua. Com batalhas diárias, nem
sempre bem sucedidas.
Porque o mundo que nos envolve, hoje em dia, cria-nos dificuldades a todos os níveis (que parecem impossibilidades, mas se as analisarmos bem de perto e com calma, chegamos, mais tarde ou mais cedo, à conclusão que não é bem assim).
(Recentemente, dei-me conta que existe todo um movimento
baseado no minimalismo que se poderá intitular de filosofia ou modo de vida.
Livros, blogues, páginas na internet, grupos no facebook… São bons para alertar
e nos dar algumas ideias da experiência de outras pessoas, do que se vai
pensando por aí, mas não há regras para isto e ninguém melhor que nós próprios
para pôr pés ao caminho e encontrar a direção que mais nos convém).
Independentemente de estar “na moda”, e atendendo a que
considero esta expressão algo pejorativa, sei que tenho ainda muito que
aprender com o minimalismo e com a simplicidade.
E com a minha irmã J.
segunda-feira, agosto 19, 2013
Comunicação assertiva.
Um dos meus horizontes é a assertividade.
Quando não se impõe, por fatores externos ou interiores, o
silêncio (que também pode ser um sinal de assertividade), acho que devemos
expressar a nossa opinião, sem com isso nos impormos nem, obviamente, ofender
ninguém intencionalmente.
Esta expressão é tanto um direito como um dever de cada um
de nós, enquanto cidadãos do mundo. E um dever acima de tudo porque, a
expressão de opiniões, quando feita de uma forma consciente, fundamentada e
assertiva, contribui quer para uma discussão saudável, quer para possíveis
reflexões individuais. Coisas que, infelizmente, escasseiam nestes nossos dias
de hoje...
Esta minha reflexão foi despoletada por um artigo escrito
por Trina (“Why I Quit My Yoga Class”) partilhado na página do facebook do
blogue da Rita (“The Busy Woman and the Stripy Cat”). Pelo artigo em si e pelos
comentários que despoletou.
Considero-me uma
praticante “superficial” de yoga, com alguns conhecimentos (muito básicos); sou
proveniente de uma família cristã, mas “auto-classifico-me” como agnóstica; não
me identifico com as apreensões específicas do artigo da Trina. Mas li o artigo até ao fim. E a minha brevíssima
conclusão é que se trata de uma opinião individual, resultante de uma reflexão interior,
de alguém que teve a coragem de a expressar e a virtude de o fazer de um modo
que considero assertivo.
E confesso que a questão que ela coloca no fim abriu
em mim um espaço para a minha própria reflexão interior.
Posto isto, fiquei num misto de tristeza e alegria: triste pela
agressividade expressa em alguns dos comentários, e contente pela constatação
de existirem pessoas como a Rita que, apesar das divergências de pensamento e
de crenças, têm a capacidade de dialogar sem atropelos. E de manter a vontade
de aprender com quem discordam.
Para seres pensadores com vontade de aprender, a comunicação
só se faz quando há alguém disposto a expressar a sua mensagem e alguém
disposto a receber essa mensagem.
Independentemente da análise de conteúdo e
das conclusões que tira para si próprio.
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