terça-feira, abril 24, 2012

a arte de bocejar


A princípio, sentimos o bocejo como um minúsculo vórtice de baixa pressão algures no meio da cabeça. Logo se espalha por todo o corpo num movimento em espiral, como num remoinho: dilata a sua faringe, narinas e canais brônquicos; erguem-se as sobrancelhas e os ombros; o diafragma baixa, para permitir que os seus pulmões expandam; obriga o coração a correr e aumenta o fluxo sanguíneo no cérebro. Depois, numa reviravolta dramática, regressa à sua cabeça, onde consegue que a sua língua se recolha e força as mandíbulas a moverem-se para os lados e para baixo.
(...)
Assim, quando o cansaço cresce dentro da sua cabeça, como um vagaroso sistema climático, vá em frente e solte um bocejo à medida do seu coração.”

Texto de Véronique Vienne, foto de Erica Lennard
In “A Arte de Não Fazer Nada”

(um livrinho extraordinário J)

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