quarta-feira, dezembro 26, 2012

nāscor


A palavra natal provém de nātālis, uma palavra derivada do verbo latim nāscor (nascer).

Como adjetivo, significa também o local onde ocorreu o nascimento de alguém ou de alguma coisa e, nos países eslavos e ortodoxos, cujos calendários eram baseados no calendário juliano, o Natal é comemorado no dia 7 de janeiro), originalmente destinado a celebrar o nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno (natalis invicti Solis)*: nos primórdios dos tempos, o Homem assistia ao diminuir do dia, fenómeno progressivamente aterrador principalmente a partir do equinócio de setembro, em que as trevas ganhavam terreno à luz do Sol. No solstício de inverno, a tendência alterava-se, trazendo nova esperança com o novo ciclo da vida.

Ironicamente (ou talvez não), estava “previsto” o fim do mundo para a data do solstício de inverno, no passado dia 21. Não aconteceu (pelo menos, que tivéssemos dado por isso… e digo isto com o mínimo de ironia possível. Matéria para outra volta…).

Voltando ao fio da meada, entre o dia 21 de dezembro e o dia 7 de janeiro assistimos a uma série de (re)nascimentos: o solstício, a celebração do Natal cristão, o nascer de um novo ano.

Assim, o inverno é, também ele, uma época de renovadas esperanças.

Este artigo é especialmente dedicado a todos os que se sentem, de um modo ou de outro, como uma tarde invernosa: tal como as árvores de folha caduca, também nós precisamos de um intervalo para recuperar forças. Mas com a certeza que o Sol lá estará para nos ajudar a despertar de novo.

E haverá melhor tema para terminar do que o "Jardim de Inverno", com a voz fresca da Susana Félix?

Mas eu fiquei,
me levantei,
o sol nasceu p'ra mim .
No meu quintal
nasceu novo jardim.

Boas Festas a todos! E façam-me o favor de serem felizes!



* - Adaptado da Wikipedia

sábado, novembro 03, 2012

O exemplo da Islândia...



A Islândia é um país que, com uma área total um pouco superior à de Portugal (cerca de 100.000 km2, números redondos), tem menos de 320 mil habitantes (cerca de 3% da população portuguesa). E é uma ilha.

Este é um vídeo que retrata o que por lá aconteceu desde 2008, e que vi recentemente a circular no facebook:

É certo que a recente história da Islândia tem aparecido em círculos muito restritos (assisti, no início deste ano, a dois documentários muito interessantes sobre este tema, de uma série de quatro escolhidos pela Apordoc – contavam-se pelos dedos das mãos quantas pessoas assistiram a estas sessões na sala do Nimas, em Lisboa…)

Mas até que ponto é que, mesmo que aparecesse nos círculos ditos “normais”, serviria de exemplo para alastrar a outros países? Até que ponto é que Portugal pode (quer) seguir este exemplo? Ou o resto da Europa?
Não que eu não gostasse de ver este assunto debatido a sério. Principalmente nas ruas, em tertúlias de pessoas interessadas em mudar as coisas de facto e não apenas nos canais de informação e debate que, por vezes, se tornam elitistas (seja por culpa dos que estão do lado de lá dos media, seja por desinteresse generalizado dos que estão do lado de cá… mas também não é meu intuito entrar no campo das razões para que isto aconteça).

Voltando ao assunto, e voltando ao que vi nos documentários sobre a vida quotidiana do povo islandês entre 2008 e 2011, recordo-me particularmente dos problemas sociais e económicos retratados em “The Future of Hope”, cujo desenrolar de acontecimentos se focaliza nas ações que desabrocharam fruto da resiliência de indivíduos e da comunidade em si. Muito inspirador. Tal como o vídeo que se apresento no início do artigo.
Citando o meu amigo Skopos: “Em The Future of Hope, vemos e ouvimos os testemunhos de diversos islandeses comuns: um empresário arruinado, um professor universitário,  um agricultor biológico, pessoas reformadas, jovens. Ouvimo-los em plena crise. E falam dela com um sorriso, com ideias e com vontade de mudar. Metanoia, já diziam os gregos: mudança de mentalidade. Limpar a casa, deitar fora o que não interessa. E participar ativamente no percurso da sociedade.”

Aqui fala-se de sorrisos. E são sorrisos verdadeiros, sorrisos de alma completa. Sorrisos que resultam de processos interiores muito fortes: uma mudança deste tipo é algo que é muito trabalhoso e demora a dar resultados práticos na vida das pessoas, passando, no ponto em que estamos, por processos muito dolorosos.
Este tipo de mudança não se coaduna, de modo nenhum, com a perspetiva quase obsessiva de melhorias a curto/médio prazo, muito menos com o “voltar” ao modo facilitista com que nos habituaram a viver nesta sociedade de consumo. Tal como já tinha escrito antes, existe atualmente uma muralha de indiferença apática e generalizada que se gerou com a preguiça mental induzida na sociedade do crescimento que, sufocantemente, reina nos dias de hoje. E uma inércia muito forte, uma resistência a mudar, quando essa mudança implica repensar todo um modo de vida, todo um status quo instalado…

O vídeo que se segue dá uma ideia de uma das questões mais prementes hoje em dia: dívida. Nem é preciso compreender todo o texto do artigo onde o encontrei: para bom entendedor, as imagens são suficientemente esclarecedoras.


Estamos preparados para passar, à nossa escala, por tudo que os Islandeses passaram e ainda estão a passar?

Eu gostava que houvesse um grupo representativo de pessoas com capacidade de agir e meios para o fazer a responder SIM a esta questão sem hesitação. Se aí estiverem, contem comigo.

A alternativa é, a meu ver, igualmente dolorosa, arrastando-se por muito mais tempo e não trazendo resultados tão consolidados.

segunda-feira, setembro 10, 2012

PPPs: um exemplo de PQP

Segundo o site da Direção Geral do Tesouro e Finanças, numa secção intitulada "As PPPs em 7 questões", a resposta à questão 3 (Porque se lança uma PPP ) é:
"Constituem finalidades essenciais das PPP o acréscimo de eficiência na afectação de recursos públicos e a melhoria qualitativa e quantiativa do serviço, sendo aplicável a projectos cujo desenvolvimento requer, da parte dos parceiros, elevadas capacidades financeira, técnica e de gestão de recursos e a manutenção de condições de sustentabilidade adequadas durante a vida do contrato".

Ora, ouvi eu hoje, no programa "Olhos nos olhos", cujo convidado da semana foi Avelino Jesus, que:

  • A aplicação prática do modelo das PPPs, em Inglaterra é perfeitamente transparente: a divulgação de informação contém todos os elementos necessários a compreender os cálculos, ou seja, anexos com números (reais...).
  • Em Inglaterra chegaram à conclusão que, face a metodologias tradicionais de construção e exploração, o aumento de despesa da aplicação de um modelo de PPP numa concessão de uma rodovia é de 47%.
  • Adicionalmente, e também em Inglaterra, chegou-se à conclusão que 7% da despesa vai parar às mãos de consultores.
  • Repito: os intervenientes do programa afirmavam que, em Inglaterra, as coisas são transparentes.
  • Em Inglaterra, chegou-se à conclusão que o modelo das PPPs não traz vantagens, na prática.
  • Em Portugal, os relatórios não trazem anexos, ou seja, não há informação suficiente, com números, que permita uma análise imparcial e objetiva dos processos das PPPs associadas a rodovias (SCUTs e outras que tais);
  • Em Portugal existem trabalhos (doutoramento no ISEG)* que levam a valores de diferença entre custos reais das PPPs e custos previsíveis em metodologias tradicionais que ascendem a 80%. 80%... 80%!!
  • Volto a repetir a ideia de transparência dos 47% em Inglaterra contra os "presumíveis" 80% em Portugal, onde "um dos cd que foram enviados ao grupo [que reavaliava as PPPs] estava em branco
  • Quando refutado por certas e determinadas pessoas com argumentos do tipo "ah, mas sabe que há sempre derrapagens, mesmo em metodologias de construção/exploração tradicionais", Avelino Jesus responde com os dados de um mestrado, também do ISEG, que estudou (se não me falha a memória)* 164 casos de obras públicas deste tipo com derrapagens, entre 1999 e 2011. Média: 32%...

*  perdoem-me as ideias vagas, mas estou tão danada que nem consigo lembrar-me bem do que ouvi

O que resta dizer?

Talvez "fuck'em very much".
Ou melhor: Putas ao poder, que os chulos já lá estão... HÁ DÉCADAS!
(E os que já lá não estão, andam para aí a passear-se impunemente)

domingo, setembro 09, 2012

Jazz em blogue português


Com a assinatura de João Moreira dos Santos, aqui está um contributo que irei acompanhar sempre que possível:

http://jnpdi.blogspot.pt/

sexta-feira, agosto 31, 2012

Amanhecer


"Afinal, o futuro é uma mistura de decisões e acaso, que é o nome que se chama àquilo que se desconhece. Era decidir o que fazer e esperar o que viria."

In "Cassiopeia", de um anónimo que sei quem é mas que, como não assinou, vai ficar assim mesmo.

sexta-feira, agosto 03, 2012

Tempo de parar.



A confluência das ideias que transmito no meu último blog * com a minha recente escolha pessoal e profissional vem resumidamente espelhada num livro que anda cá por casa nas mesinhas de cabeceira: “Viver sem chefe”, de Sergio Fernández, dedicado aos empreendedores deste mundo.

* (acrescimento.wordpress.com


Em mais uma publicação que parece que me caiu no colo no momento certo (como tem acontecido com alguns livros no último punhado de anos), o autor refere-se ao Downshifting (descer de categoria profissional para ganhar mais tempo ou qualidade de vida) e ao que ele classifica de “Achar que é preciso crescer sempre” nas páginas dedicadas ao “Erro 5 – Já morreu de sucesso?”.

(Como nota adicional, o capítulo tem uma imagem com a legenda “O seu negócio é uma bonsai ou uma sequoia?”) :)

Transcrevo algumas passagens que, para mim, neste momento em particular, fazem todo o sentido do mundo:

“(…) Cada vez há mais pessoas com a certeza de não quererem subir mais. (…)
Não lhe direi que pare de crescer económica e profissionalmente, nada mais longe da minha intenção, mas digo-lhe, sim, que pense se quer crescer de forma indefinida (…)
Para qualquer estrutura económica, não importa o seu tipo nem a que se dedica, existe uma zona crítica na qual ter sucesso implica deixar de ter sucesso. Porquê? Porque a carga de trabalho impede o cumprimento diligente das obrigações contraídas. () há um momento em que é mais sensato dizer “não”. (…)
Muita luz é como demasiada escuridão: ambas não deixam ver. Aspirar a crescer e a superar-se é uma condição do ser humano, mas é preciso saber fazê-lo, caso contrário depressa se verá numa situação em que o seu trabalho deixará de o satisfazer e, paradoxalmente, isso acontecerá por tê-lo em demasia.
(…) crescer sempre e de modo indefinido, em termos económicos, não é uma obrigação, mas uma opção. O sucesso foi inventado para ser desfrutado. Por favor, não morra de sucesso.”

Já diz o povo “o caminho faz-se caminhando”. Mais um passo gratificantemente doloroso no meu percurso de crescimento pessoal. Sigo em frente, porque “para trás mija a burra”.

sábado, junho 23, 2012

Parece que está aí o tempo quente...


Como disse no facebook, acho que são uma ideia muito agradável como alternativa à “marmita” tradicional ou para levar para um piquenique simplificado.

Não, não foi tirado da minha cabecinha… tenho pena, mas não foi: vem do site www.neatpins.com
Vejam como são bonitos:


Aqui estão as dicas de realização, para qualquer receita:
1. Colocar o molho no fundo e os vegetais mais sensíveis (tipo alface), na parte superior. Se os dois ficarem em contacto, as verduras vão “cozer”.
2. Então, o molho em primeiro lugar. Logo por cima, utilize um pouco de legumes "carnudos", como repolho picado, vagens de ervilha, ou palitos de cenoura. Eles podem suportar a acidez do molho, “marinando”, e realmente ficar melhor!
3. Quando o colocar no frasco de vidro ou na caixa de plástico (obviamente transparente, para dar o efeito pretendido), use uma boa variedade de vegetais coloridos! Torne-o divertido: envolva as crianças no processo.

Aqui estão as receitas do site, adaptadas para português (as camadas estão indicadas por ordem, de baixo para cima):

Sementes de Papoila:

Molho com sementes de papoila
Cenoura aos pedaços ou tirinhas
Ervilhas
Ananás ou abacaxi
Mirtilos
Framboesas
Alface


Ásia:

Molho temperado com gengibre
Vagens de ervilhas ou ervilhas-chatas
Cenoura aos pedaços ou tirinhas
Repolho aos pedaços ou tirinhas
Nozes de Macadamia
Ervilhas
Rebentos de feijão (ou rebentos de soja)
Quinoa ou cuscus
Sementes de sésamo torradas
Alface



Frutos do mar:

Molho leve com maionese, leite e parmesão
Repolho em pedaços ou em tirinhas
Tomate-cereja (metades)
Azeitonas pretas
Aipo ou alho-francês em tirinhas fininhas
Delícias do mar e/ou miolo de camarão
Alface


César:

Molho César
Cenoura em pedaços ou em tirinhas
Cubos de frango grelhado
Aipo ou alho-francês em tirinhas fininhas
Pepino
Alface
Parmesão
(adicione croutons mais tarde) para não ficarem moles).

***

Para acompanhar, pode preparar umas bebidas muito refrescantes à base de água, frutas e ervas aromáticas, cuja ideia sai do mesmo sítio do facebook onde retirei a ligação para as saladas.


- Corte em frutas em fatias finas ou pedaços pequenos.
- Selecione as ervas aromáticas que mais lhe agradam (a hortelã-pimenta é uma ótima combinação com os citrinos e o cravinho ou o pau-de-canela com a maçã).
- Misture os ingredientes com água.
- Refrigere por 4 a 6 horas.
- Servir bem fresco!




Deixe a sua imaginação voar, experimente outras combinações e saboreie!

terça-feira, abril 24, 2012

a arte de bocejar


A princípio, sentimos o bocejo como um minúsculo vórtice de baixa pressão algures no meio da cabeça. Logo se espalha por todo o corpo num movimento em espiral, como num remoinho: dilata a sua faringe, narinas e canais brônquicos; erguem-se as sobrancelhas e os ombros; o diafragma baixa, para permitir que os seus pulmões expandam; obriga o coração a correr e aumenta o fluxo sanguíneo no cérebro. Depois, numa reviravolta dramática, regressa à sua cabeça, onde consegue que a sua língua se recolha e força as mandíbulas a moverem-se para os lados e para baixo.
(...)
Assim, quando o cansaço cresce dentro da sua cabeça, como um vagaroso sistema climático, vá em frente e solte um bocejo à medida do seu coração.”

Texto de Véronique Vienne, foto de Erica Lennard
In “A Arte de Não Fazer Nada”

(um livrinho extraordinário J)

sábado, abril 07, 2012

Renovação

Como a maioria dos portugueses, provenho de uma família com raízes católicas, logo, cristãs.
Desde cedo que não me senti integrada no “sistema” e cresci com a ideia de que o ateísmo era o que me assentava melhor (talvez pelo constante chamamento das matérias relacionadas com áreas científicas).
O meu Pai sempre me ensinou a tomar em consideração todos os ângulos de uma questão, a questionar todos os supostos dogmas e a digerir tudo o que me parecesse radicalismo com uma dose “q.b.” de bom senso.
Assim tenho tentado fazer e apercebi-me, com o avançar dos anos, que sou agnóstica.
Quando era mais nova, por uma razão ou outra, a ideia de Páscoa nunca foi muito além das amêndoas, dos ovos de chocolate e dos filmes sobre a vida e o sacrifício de Cristo. Mas, também com o avançar dos anos, e independentemente de correntes religiosas ou crenças dogmáticas, o conceito que serve de base a esta época dita festiva, que muitos consideram apenas mais um fim de semana prolongado, ganhou novos contornos.
Considero que se trata de valores universais, cuja importância não conseguia verbalizar até ouvir uma entrevista a Fernanda Freitas, a coordenadora do Ano do Voluntariado em 2011, conjugada com algumas palavras que li no periódico do concelho de Mafra – o Carrilhão – no editorial de Isabel Vaz Antunes.
A entrevista era sobre três valores principais associados à Quaresma, que Fernanda Freitas explicou de um modo que me agradou. Sucintamente, referiu-se ao jejum (associando-o à redução do consumo de bens materiais), à partilha (dos valores mais importantes para nos relacionarmos com quem nos rodeia, como o tempo, a amizade e o amor) e a oração (entendida como uma introspeção connosco próprios, com os outros e com o mundo em geral, para um balanço das nossas ações).
Já no editorial do Carrilhão, Isabel Vaz Antunes faz uma analogia muito interessante com os ritmos da natureza. Citando: “Se a Quaresma é o período da poda, em que, tal como o campo em que atua o jardineiro, nos libertamos das hastes que empecilham o nosso crescimento e amadurecimento saudáveis, a Páscoa é o dia em que se celebra o resultado dessa ação – retirados os estorvos, saltam os novos rebentos, viçosos, prontos a desenvolverem-se, a enriquecerem e embelezarem as vivências do mundo”.
E, acrescento eu, em analogia com a imagem que circulou no facebook há tempos, é um pouco o tempo de podar a palavra CRISE do empecilho do “S” e permitir que se CRIE.
Desejo muitas quaresmas e muitas páscoas a todos ao longo deste ano e do resto das nossas vidas!

domingo, novembro 27, 2011

Sonoridades: Bach e o Fado

Mais uma em que fui "arrastada" sem saber bem ao que ia: Óbidos, a companhia sempre agradável da minha irmã, uma noite a seguir a um fim de tarde que me caiu (muito) bem. E a promessa da música de Bach.

Tudo se conjugava para uns momentos bem passados.

Adicionalmente, tive a surpresa de experimentar sonoridades pouco usuais: Bach ao som da guitarra portuguesa, Fado ao som de cravo. Com o tempero do violino num ambiente intimista.

Como li no programa distribuído à entrada do evento "O concerto (...) percorre música de Bach e originais em que a sua influência pode ser descoberta, mas é com Paredes que a viagem se inicia e termina, homenageando Portugal e os seus autores(...)".

Em Maio há mais Barroco em Óbidos. E a Vila estará sempre lá, à espera de mais descobertas deliciosas.

Duo Open Strings (Marcos Lázaro, violino, e Ricardo Marques, guitarra portuguesa) em diálogo com o cravo (Sérgio Silva).

O vídeo:




Mais em Obidos.

sábado, novembro 12, 2011

Projeto 2011

Já foram (quase) esgotadas as referências em vários sítios, blogs e plataformas virtuais.

Mas eu tinha de deixar aqui este testemunho: afinal de contas, não obstante todas as restantes pessoas que trabalharam neste evento e todas as ajudas que caíram (algumas literalmente) do céu - como foi o caso do tempo de sol excelente entre duas semanas de vento, frio e chuva - este foi o projeto principal dos meus últimos 10 meses de existência.

Muito gratificante!

:)

Aqui fica:


domingo, outubro 02, 2011

Amor: retalhos II

“Minha querida, o amor nunca é uma dependência, é uma abundância (…)”
“Cada ser tem o seu segredo, cada amor o seu código intransmissível. (…) Sobretudo, não procures no amor o caminho que ele não tem.
(…)
Tudo o que há para saber do amor é deslumbrada aceitação. Não se aprende a amar, Camila (...) Não há nada de justo nesse sentimento: a justiça, aliás, não passa de um espectáculo de ordenação do mundo, um circo que inventámos para substituir a irracional lei do coração.
(…)
O amor, Camila, consiste na divina graça de parar o tempo. E nada mais se pode dizer sobre ele.”
Inês Pedrosa, In “Nas tuas mãos”

domingo, setembro 04, 2011

Despojos de um almoço de Domingo

De regresso às coisas simples.

Houve um tempo em que não gostava do Domingo: achava-o um dia entediante e desprovido de interesse, que apenas fazia sobressair um dos defeitos mais proeminentes em mim – a preguiça. Era um dia que me dava dores de cabeça…

Com o avançar dos tempos fui descobrindo as pequenas delícias que um Domingo nos pode proporcionar. Sem a ideia preconcebida de um descanso imposto, fui-me deixando levar pelo abandono prazenteiro de me entregar ao que me reserva este dia da semana.

Hoje aconteceu um almoço. A primeira vez que cozinhei búzios. Em feijoada. A iguaria, sem falsas modéstias, revelou-se uma surpresa gastronómica.

Fica o testemunho visual dos despojos.

Os principais atores desta minha peça tiveram um papel crucial. Acho que o segredo do resultado final depende sempre deles: os ingredientes têm de ser de excelente qualidade. Tomate e cebola da horta, apanhados ontem, e búzios fresquíssimos. Chouriço e azeite cá do nosso Portugal. O feijão era de lata, certo, mas foi aberta com muito jeitinho… J. E o toque final: salsa também acabadinha de apanhar.

É realmente algo que me dá cada vez mais satisfação fazer: cozinhar.

Para o jantar, alhada de raia.

E, no entremeio, um Domingo calmo, a gozar o “cantinho mais lindo do mundo”: a minha casa.

domingo, agosto 14, 2011

Amor: retalhos

"(...) é no momento em que o instinto de acasalamento terminou o seu percurso que se inicia a oportunidade de amor genuíno. (...) O amor genuíno é mais voluntário do que emocional. A pessoa que ama verdadeiramente, fá-lo porque tomou a decisão de amar. Essa pessoa assumiu o compromisso de amar, quer o sentimento de amor esteja ou não presente. (...) não só é possível como necessário que uma pessoa que ama evite agir com base em sentimentos de amor. (...) O verdadeiro amor não é um sentimento pelo qual sejamos ultrapassados. É uma decisão empenhada e ponderada.
(...)
Quando nos esforçamos, quando damos mais um passo ou andamos mais um quilómetro, fazêmo-lo em oposição à inércia da preguiça ou à resistência do medo. (...) O amor, então, é uma forma de trabalho ou uma forma de coragem. (...) Se um acto não for de trabalho ou de coragem, então não é um acto de amor. Não há excepções."

M. Scott Peck in "O Caminho Menos Percorrido"

sábado, julho 30, 2011

(Boa) Energia

O único CD que tenho dele nunca me deixou muito impressionada.

Mas ontem saí do concerto que ele deu no Cool Jazz Fest com uma sensação extraordinária, que perdura.
O modo como se entrega à interpretação, quer vocal, quer instrumental, transmitiu-me uma energia libertadora.

Deixo apenas um exemplo que, por não ser ao vivo, peca por defeito, mas é uma amostra do que fui sentindo ao longo do concerto de ontem.

Gostei muito, Jamie Cullum.


quarta-feira, junho 01, 2011

Pequenos nadas

Como subtítulo, este artigo poderia ter a frase “Dicas para ultrapassar a Crise”.

Não a crise externa, mas a crise interna. As pequenas crises individuais que se vão instalando dentro de cada um de nós, se nos deixarmos influenciar pela crise global.

São exemplos de medidas (com alguns recados para mim própria) que, acredito, se aplicadas com perseverança, ajudarão até a resolver a crise externa.


- Dê cor à sua vida. À mesa, nas saladas; nos objectos do dia-a-dia.




- Se a tristeza lhe bater à porta, não lha feche.

Deixe-a entrar. Mas não a impeça de sair.




- Valorize a família. Abrace os amigos. Procure a companhia de quem o faz sentir-se bem.

- Sorria mais. Ria melhor.






- Não se esforce por trabalhar mais horas.

Faça o seu trabalho hoje um pouco melhor que ontem.

E amanhã, esforce-se por fazer melhor que hoje.


- Economize um pouco todos os dias.

Se falhar algum, recomece no dia seguinte.







- Dê uso às suas pernas. Tire o pó à mochila que tem no armário e ponha pés ao caminho.



- Goze o sol. Mas não lamente a chuva.


- Plante: negoceie um talhão de terra, use o quintal, aproveite a varanda, ponha floreiras à janela.

Sinta a terra e as plantas todos os dias.


- Observe o mundo com os 5 sentidos. TUDO tem algo de bom. Procure com alma e com a mente aberta.


= Por muito torto que ande, encare a vida de frente =




Escolha as suas próprias medidas. Estas ou outras. Uma de cada vez, todas ao mesmo tempo. Ao seu ritmo.
Mas não filosofe, não pense demais: passe à acção.

quinta-feira, março 31, 2011

(Re)aprender a estar

Estar. Uma habilidade natural, com a qual todos os seres humanos nascem.

Mas que uma boa parte de nós perde ao longo da vida…

Na minha busca para reencontrar esta habilidade, encontrei no livro “Aprenda a meditar” de David Fontana, algumas orientações valiosas.

Mas nada como a citação de algumas das passagens que mais me chamaram a atenção para espelhar o que me vai na alma.

“Calma e Silêncio. (…) Vivemos num mundo tão poluído pelo ruído como pelos resíduos tóxicos. Raramente conseguimos ouvir sem entraves os sons do mundo natural. A forma moderna de viver separa-nos das nossas raízes. Ao longo dos séculos da nossa existência neste planeta, evoluímos em constante contacto com um silêncio dentro do qual os sons do vento, da água, da chuva e do canto das aves tocam, de tempos a tempos, como num vasto anfiteatro. Só nos últimos cerca de 200 anos renunciámos aos sons naturais a favor do ruído artificial das máquinas, que não oferecem beleza nem harmonia à mente e ao espírito.

As grandes tradições sempre nos aconselharam a voltarmos, de vez em quando, ao mundo natural, caso pretendêssemos aumentar a nossa força e compreensão interiores. Alertam-nos, até mesmo, para o facto de evitarmos a tagarelice inútil (…)

Uma boa parte de nós tem receio do silêncio e anseia por enchê-lo de som. (…) No entanto, a experiência do silêncio é tão necessária para a nossa saúde física e psicológica como a experiência da comunicação aberta, honesta e estimulante. (…) O silêncio faz parte dos nossos direitos adquiridos com o nascimento (…)

Ainda acerca do estar, aliado à identidade e à consciência do ser:

“ (…) sempre que meditamos tornamo-nos conscientes de que, embora tenhamos (…) pensamentos e sentimentos, eles não são quem nós somos. (…) A verdadeira identidade está para além destas experiências transitórias.”

“Tudo o que temos é o instante de cada momento presente. As preocupações com o futuro e a inquietação exagerada com o passado são consideradas distracções artificiais da experiência directa da vida.”

“(…) a meditação produz uma perda do significado que habitualmente atribuímos à identidade pessoal – de facto coloca-nos perante esse significado mais alargado do Eu, o qual sai da sua condição de coisa interna para abraçar a totalidade da criação e com a convicção de que o amor universal sustenta e une todas as coisas.”

domingo, março 20, 2011

Satisfação bio-poética

No início de Fevereiro fui a um curso de Horta Biológica.
O formador ofereceu-nos, no final, algumas hortículas, que eu coloquei numa floreira na varanda, ao pé das minhas bonsai.

Entre elas estavam duas alfaces.

Hoje provei a primeira.
Dá algum trabalho, leva tempo e o que rende, em "regime de varanda" deixa, obviamente, a desejar.
(Pelo menos, por enquanto...)

A dita alface era pequenina, mas a satisfação foi imensa!

Desde o "berço" até pronta para o prato, aqui fica a poética mas gratificante viagem da minha primeira hortícula biológica:


quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Prece: espiritualidade e improviso

Há tempos assinei uma revista muito interessante, a Bonsai Focus.

Por uma razão ou outra deixei de o fazer, tirando mais partido hoje em dia de impulsos como o que me levou a comprar o número de Janeiro/Fevereiro de 2010. Temas com cerca de 1 ano, portanto. Mas o que me chamou a atenção foram precisamente palavras intemporais: dois dos artigos que lá se encontram disponíveis acabam por revelar, em conjunto, um pouco do que considero ser o modo como se devem abordar todas as questões, seja no Bonsai, seja na Vida.

“O Bonsai leva o seu tempo” “Uma árvore tem de ser educada como se de uma criança se tratasse.” “O Bonsai ensina-nos a paciência e transmite-nos a alegria de ter a Natureza perto de nós.” “Prática, prática, prática (…) Não é possível ter uma árvore bonita sem trabalho continuado”. São algumas das frases de um desses dois artigos, que refiro no Blog “Os meus projectos”, com o título “The Spiritual Way”. Ao mesmo tempo, outro artigo falava de um trabalho em particular, com um título que me agradou: “It’s like Jazz”. Neste, o autor diz que há que dar espaço para a árvore falar connosco, deixar fluir o trabalho e improvisar à medida que isso acontece…


Espero ter a espiritualidade necessária para conseguir perscrutar o caminho que o Universo vai traçando para mim e inspiração o quanto baste para improvisar enquanto o percorro.

sábado, outubro 09, 2010

Comer Orar Amar

É tudo uma questão de equilíbrio.

Equilíbrio interior, equilíbrio com os outros, equilíbrio do Universo... no fundo, por muitas voltas que se dê, vai sempre dar a, simplesmente, equilíbrio.

À saída do cinema, ouvi expressões do tipo "mais do mesmo", "tanta volta para ir dar ao mesmo sítio" ou "haja paciência". Admito que o filme tenha demasiados elementos ditos "hollywoodescos" (cores muito vivas, quase tudo certinho, "onde é que ela vai buscar o dinheiro para tudo isto?" e por aí fora...), o que causa uma impressão de lhe faltar alma.

Mas a mensagem está lá.

Para quem a quiser compreender.

Para quem tiver a capacidade interior de a compreender.

Senti-me triste por me parecer que aquelas pessoas possam estar a deixar escapar a oportunidade de se deixar tocar ou, pelo menos, de questionar o que é que a autora do livro pretende transmitir, dando o benefício da dúvida ao filme e concentrando-se na mensagem em si.

Enfim...





Só uma nota final: o aparente completar do ciclo, que levou aos comentários referidos, fez-me lembrar um outro filme que me paira na memória de há muito para cá. "Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera", do realizador sul-coreano Kim Ki-duk.


Também a narrativa é aparentemente cíclica. E digo aparentemente, porque nada é cíclico: entre uma volta e outra há evolução, o que torna as coisas tridimensionais. Logo, em vez de um círculo, temos uma espiral. E um ciclo é, na verdade, uma volta da espira.

Nada regressa ao que era.
Mas em tudo há um equilíbrio a atingir.